Marcus Eduardo Pereira
marcus.eduardo@jornaldebrasilia.com.br
Foi em clima de desabafo que terminou a Corrida de Reis, a mais tradicional competição de rua da capital federal. Nas duas primeiras colocações, ficaram os irmãos gêmeos Paulo Roberto e Luís Fernando de Almeida. Aos gritos de “é preciso nos respeitar”, ambos comemoravam entusiasmados com toda a torcida.
Perguntado sobre o motivo do desabafo, o corredor disparou: “É um absurdo o que está acontecendo atualmente no Brasil. Um atleta olímpico como o meu irmão ser mandado embora da seleção alegando que ele não havia feito nada pelo País”, disse Luís Fernando.
Paulo Roberto foi o oitavo colocado nas Olimpíadas de Londres e, de acordo com seu irmão, a Confederação Brasileira de Atletismo o demitiu sem maiores explicações. Eufórico com a vitória, Luís não se contentou com as primeiras palavras e deu sequência às críticas a quem ele acredita ter desrespeitado seu irmão: “Esse é meu desabafo, enquanto estivermos no atletismo, muita gente vai ter que nos respeitar.”
Mais calmos, os campeões da 43ª edição da corrida se mostraram surpresos com o resultado. “Nós não estávamos treinando para essa corrida. Desde as Olimpíadas que pensamos em nos preparar para a Maratona. Nosso intuito era fazer uma corrida expressiva, mas não pensávamos em vencer”, afirmou Luís.
Na chegada, um fato curioso: os irmãos deram as mãos e passaram pela fita. O que definiu a vitória foi o passo de Paulo, que estava um pouco à frente de Luís.
Apesar de interessante, a situação não é inédita. Os dois já haviam feito o gesto há 14 anos, quando também venceram a competição da mesma forma. “Somos bicampeões dessa competição. A primeira vez que fizemos isso foi em 1999, quando a chegada era dentro do estádio. Chegamos também de mãos dadas e, na ocasião, a competição contava com grandes nomes do atletismo nacional e internacional”, explicou.
Só alegria
Se a vitória profissional tinha um clima pesado, o mesmo não aconteceu na chegada dos amadores. A maioria sorrindo e feliz por disputar e, principalmente, completar a prova deixava o clima frio de chuva mais quente.
“Eu estava me sentindo um peixe fora d´água no começo, mas depois passei todo o percurso conversando e conhecendo pessoas”, contou o competidor Raphael Deeter.
Tentando parar de fumar, o publicitário gostou tanto de sua participação que pretende repetir a dose. “Estou há duas semanas sem fumar e tenho corrido. Quero ver quantas vezes posso competir esse ano”, brincou.