Cabelos cacheados, pele branca, algumas espinhas no rosto e altura para dar e vender. Quem olha para o adolescente Lucca Beltrão, 15 anos, jamais imagina que apenas dois anos de prática do vôlei de quadra lhe renderam uma convocação para a seleção masculina Sub-15.
Para chegar lá não foi preciso nem passar pela seletiva local. Lucca foi indicado a dedo pelo próprio técnico da seleção, o paranaense Percy Oncken. “Ano passado fiz um teste para entrar nas categoria de base do Sesi-SP. Não fiquei porque era mais novo do que sou hoje e meu pai não deixou”, recorda. A breve passagem atraiu a atenção dos “grandes”.
Com a passagem carimbada para Saquarema (SP) onde faria o teste final, em janeiro, Lucca dividiu a quadra com 70 atletas do País. Seis dias por lá garantiu uma das 20 vagas no time principal – a primeira competição da seleção é em julho, no Campeonato Sul-Americano, na Venezuela.
“Quando recebi o convite para ir a São Paulo, imaginei que a concorrência seria grande. Todos querem uma vaga. Mas foi tudo tão tranquilo que até me assustei”, brinca o polivalente central.
VAI SOZINHO
Único brasiliense a representar o DF, Lucca pouco toca no assunto. Cursando o primeiro ano do ensino médio, ele sabe das dificuldades em se tornar um atleta profissional e toma o curso de direito atrelado ao funcionalismo público como plano B, caso nada dê certo.
Esta opção, no entanto, logo é afastada quando lembra da visibilidade que terá na seleção. Com isto, ele sonha em ser o próximo Théo – jogador candango que é figura constante na seleção. “Embora seja um celeiro, tem muito tempo que não sai ninguém daqui. As expectativas em cima de mim são muito grandes”, admite.
Anatomia ajuda o brasiliense
Revelado pelo Centro de Iniciação Desportiva (CID) do Guará, Lucca Beltrão tem ao lado três treinadores-base da sua formação no vôlei de quadra. Um deles é Luciano Mello. Experiente, o professor logo aponta as qualidades fundamentais do aluno modelo.
“Ele tem uma propulsão de 80 cm do solo e é extremamente alto. Isto porque tem 15 anos e ainda vai crescer muito”, gaba-se.
O brasiliense Eduardo Ferreira, 13, também teve a chance de mostrar o talento ao comandante da seleção. A convocação para o time principal, no entanto, só não saiu por um critério: a idade abaixo da desejada.
Embora seja alto para a faixa etária (1,80 m) e tenha todos os fundamentos afinados, os seus 13 anos pesaram na escolha.
A triste volta para casa já foi superada. Ontem, enquanto treinavam para a Liga de Basquete de Brasília – campeonato local que conta com a participação de 141 equipes -, Eduardo projetou: “Ano que vem, com certeza, tentarei a vaga de novo”. Ao ouvir a declaração do amigo, Lucca confirmou. “Vai mesmo” seguido de um “soco amigo” no ombro do colega.