Medalhista olímpico em Los Angeles-1984, nos Estados Unidos, o brasileiro Joaquim Cruz coordena há exatos dez anos o atletismo olímpico e paraolímpico norte-americano. Rumo à terceira Olimpíada como coordenador, o técnico reforça que o profissionalismo é o que o faz suportar o fato de competir em seu próprio País defendendo outras cores.
Joaquim acredita que, após a experiência no Pan-Americano de 2007, em que sofreu um “choque” ao se confrontar com a torcida brasileira defendendo os Estados Unidos, já está bem mais preparado para suportar a pressão, e assume que está dividido sobre quem torcer no quadro de medalhas. “Foi estranho, mas agora já estou confortável com a ideia”, comentou o ex-atleta de 51 anos sobre o fato de treinar outra representação.
“Sou técnico e meus atletas são como filhos para mim. Sou extremamente competitivo e não sofro mais com esse tipo de coisa. Mas vou torcer para o Brasil também e, se o Brasil for para a final com os Estados Unidos, já sei que vou ganhar ouro ou prata, ou ambos”, declarou em entrevista ao portal oficial dos Jogos no Rio.
A relação de Joaquim Cruz com os Estados Unidos começou bem antes da conquista do ouro nos 800m do atletismo nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, há trinta anos. Aos 18 anos de idade, o brasileiro foi morar no exterior por conta de uma bolsa de estudos e acabou se apegando às tradições norte-americanas. Após onze anos integrando a delegação do atletismo norte-americano, Joaquim terá chance de fazer história em seu próprio País.
“Comecei a trabalhar para o Comitê Olímpico dos Estados Unidos em 2005, como consultor, e há alguns anos, quando o Brasil estava perto de ganhar o direito para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, eles resolveram me manter na equipe e me convidaram para uma função permanente”, falou o brasileiro, que tem dado dicas aos norte-americanos sobre os costumes brasileiros.
Após participar em Pequim-2008 e Londres-2012, Joaquim Cruz tenta manter a base da delegação Olímpica e Paralímpica para ir em busca de medalhas, mas reconhece que o Brasil tem evoluído em suas participações recentes. “Nos Jogos Paralímpicos, ficamos em sexto em Londres e tentaremos ser os primeiros. Nos Jogos Olímpicos, certamente vão brigar pelas três primeiras posições”, falou. “O Brasil foi sensacional em Londres e sabemos que em 2016 a disputa será com eles, com a China e com a Grã-Bretanha. Acredito que o Brasil vai evoluir ainda mais depois de receber os Jogos Paralímpicos”, prosseguiu, finalizando a entrevista ao site do Rio 2016.