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Coluna Léo Dias

Mulher de Onyx é acusada de dar calote em amiga. Caso foi parar na Justiça

O ditado já diz “Devo, não nego. Pago quando puder” – ou quiser, como aparenta ser o caso de uma cobrança de dívida envolvendo Denise Veberling Lorenzoni, mulher do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Por Léo Dias 13/01/2020 9h05
Amanda (à esquerda) posa com o casal Onyx e Denise na cerimônia de casamento. Foto: Arquivo Pessoal

A comissária de voo Amanda Oliveira reclama na Justiça o pagamento de um empréstimo no valor de 10 mil reais, feito em março de 2016, à Denise para que esta pudesse comprar uma bicicleta de triatlo, esporte praticado pela esposa do ministro. O valor emprestado foi parte de uma herança recebida por Amanda após a morte da mãe, em janeiro daquele ano. “Na época, eu tinha essa grana que herdei da minha mãe e emprestei de boa fé”, disse a comissária, que é viúva e mãe de duas crianças. Segundo Amanda, a princípio, a ex-amiga a enrolou bastante para começar a pagar a dívida, mas, após muita insistência da comissária, Denise começou a depositar parcelas no valor de 500 reais, mas, pouco depois, suspendeu os pagamentos.

A comissária voltou a cobrar e intensificou as cobranças após ter um problema pessoal. “Eu precisava de um valor X, que completando com um dinheiro que ela me devia, resolveria. Aí, ela começou a dizer que não tinha dinheiro, que passava miséria.”, conta Amanda.

As fotos demonstram a amizade abalada por uma dívida. Em bares, restaurantes ou nas ruas, as duas aparecem juntas. Foto: Arquivo Pessoal

As fotos demonstram a amizade abalada por uma dívida. Em bares, restaurantes ou nas ruas, as duas aparecem juntas. Foto: Arquivo Pessoal

Cargo comissionado

De acordo com o Portal da Transparência, Denise tem desde 2016 um cargo comissionado no gabinete do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, onde desempenha a função de auxiliar parlamentar. No mês de dezembro, ela recebeu vencimentos brutos no valor de R$ 8.996,28, mais uma gratificação natalina de R$ 3.174,46.

Amanda conta que, apesar de já ter recebido parte do valor, ainda falta receber cerca de R$ 5 mil. O último pagamento foi feito em dezembro, no valor de R$ 400.

Segundo ela, as tentativas para reaver o dinheiro foram inúmeras nesses quase quatro anos de dívida. “Para pagar é uma enrolação. Ela não tem dia para pagar, não tem hora para depositar. É quando ela quer e quando ela pode. Eu tentei de todas as formas. Cobrei ao ex-marido dela e ele tentou me ajudar. Uma amiga da igreja cobrou para mim e foi a que melhor teve êxito. Cobrei até ao marido atual também, via assessor de imprensa, mas ele não me deu nenhum retorno”, conta Amanda, que, cansada, decidiu resolver a questão judicialmente.

Segundo os advogados de Amanda, Mardson Costa e Flaviane Batista, ela está pleiteando o valor de R$ 10 mil, acrescidos de juros e correção monetária. “Além disso, entramos com um pedido indenizatório de danos morais, haja vista o constrangimento que Denise causou à minha cliente”, disse Mardson.

Amanda e Denise eram amigas muito próximas. Elas se conheceram entre os anos de 2013 e 2014 na igreja Sara Nossa Terra, da Vila Planalto, em Brasília, e a amizade era tão íntima que Denise chegou a acompanhar Amanda no hospital durante o nascimento da segunda filha da comissária. As duas costumavam viajar juntas para o município de Rio Quente, em Goiás, e Amanda esteve no casamento de Denise com Onyx em novembro de 2018.

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As fotos demonstram a amizade abalada por uma dívida. Em bares, restaurantes ou nas ruas, as duas aparecem juntas. Foto: Arquivo Pessoal

Tema pessoal

A Coluna Leo Dias procurou, insistentemente, Denise Veberling para ela dar sua versão dos fatos e explicar os motivos de arrolar a dívida por tanto tempo. Foram feitos contatos diretamente com Denise, com a filha dela, Melissa, com a Assessoria de Comunicação da Casa Civil e diretamente com o ministro Onyx Lorenzoni. Em um dos contatos, a assessoria de Onyx atendeu nossa ligação e quando nos apresentamos o assessor disse: “Quem? Quem?” e fingiu não ouvir. Por fim, a assessoria de Onyx, pelo Whatsapp, se limitou a dizer: “Meu caro, esse é um tema pessoal. Não tenho nenhum retorno para te dar. Se fosse algo institucional poderia buscar uma resposta.”








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