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Coluna Léo Dias

Carnavalesco da Mangueira: “Jesus voltaria preto, pobre e seria assassinado”

Léo Dias

Publicado

em

Foto: Reprodução/Instagram
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Dando sequência às reportagens que desvendam os bastidores do Carnaval carioca, a Coluna do Leo Dias traz hoje um pouco mais sobre a Mangueira, atual campeã. O carnavalesco da escola, Leandro Vieira, vive hoje o pré-Carnaval mais tenso em sua passagem pela Verde e rosa. A falta de tranquilidade não tem a ver com cobranças por resultado ou o andamento dos trabalhos no barracão da Cidade do Samba: lá dentro tudo corre bem, ao contrário do mundo aqui fora.

A Mangueira se tornou alvo de manifestações públicas de grupos religiosos que discordam da ideia da escola de contar sob uma nova perspectiva a vida de Jesus Cristo no enredo “A verdade vos fará livre”. Leandro, autor da ideia, recebe frequentemente demandas registradas em abaixo-assinados contrários à proposta. O maior deles foi lançado há duas semanas, já soma 105,5 mil assinaturas e ainda quer coletar outras 45 mil.

A maioria das reclamações vem de representantes e fiéis de igrejas evangélicas. Com a Igreja Católica — lembrada no carnaval por episódios de censura como o do chamado “Cristo Mendigo” da Beija-Flor em 1989 — o clima é ameno: a Arquidiocese do Rio está dialogando com a Liga das Escolas de Samba e com a agremiação sobre o desfile e, até aqui, não houve oposição ao que Leandro planeja. No desfile, Jesus deve assumir várias faces representadas por personalidades convidadas pelo carnavalesco.

Na visão de Leandro, segundo ele mesmo disse à Coluna Leo Dias, a face que Jesus assumiria hoje, se voltasse à Terra, seria semelhante a dos mais de 20 mil moradores da favela em que nasceu a escola de samba na qual ele trabalha. “Se Jesus voltasse hoje, ele seria preto, pobre, ativista, morador do Morro da Mangueira e provavelmente morreria assassinado”, afirma o artista.

As declarações de Leandro têm sido calculadas por ele para não inflamar os ânimos sobre o enredo. Assim como todos os anos, há detalhes do desfile que só serão conhecidos na Sapucaí — dessa vez, no entanto, parte do segredo tem como objetivo evitar represálias.

Na semana passada, o temor dos sambistas diante de uma eventual retaliação criou até notícia falsa. Com o recente ataque à produtora de vídeos Porta dos Fundos, em dezembro, surgiu o boato de que o barracão mangueirense havia sido atacado na surdina, durante uma madrugada de fim de semana. A suposição era mentirosa, mas aparentemente não assustaria ninguém se fosse verdadeira.

Com colaboração de Lucas Pasin

O conteúdo publicado nesta Coluna não corresponde necessariamente à opinião ou à postura do Jornal de Brasília, de forma que o jornalista subscritor é inteiramente responsável pelo teor da matéria.


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