Em meio a uma rotina marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos e pela dificuldade de se desconectar, a Suíte Atlas Origem propõe uma pausa. Projetado pela arquiteta Palloma Meneghello para a CASACOR Brasília 2026, o ambiente de 70 metros quadrados coloca o descanso no centro da experiência e transforma o quarto em um refúgio de bem-estar, contemplação e reconexão.
O espaço foi apresentado no JBr Talks dedicado aos ambientes da mostra, conduzido pelo apresentador Marcelo Chaves. Durante a conversa, Palloma e a empresária Cristiane Coelho, da Atlas Colchões, explicaram como arquitetura, iluminação, mobiliário e escolhas sensoriais podem influenciar a qualidade do sono e contribuir para uma rotina mais equilibrada.
A cama ocupa o centro do projeto e chama a atenção logo na entrada. Com dimensões ampliadas, a estrutura foi desenhada pela arquiteta e produzida especialmente para a suíte. Dois colchões queen, com características construtivas diferentes, formam a composição e reforçam uma das ideias centrais do ambiente: embora duas pessoas possam compartilhar o mesmo quarto e a mesma vida, as necessidades relacionadas ao sono são individuais.
“Antes de pensar na parte estética, a gente tem que pensar no porquê e na intenção de cada coisa que foi colocada aqui”, afirmou Palloma. Segundo a arquiteta, a posição de destaque dada à cama não tem apenas função visual. Ela representa o espaço em que as pessoas se afastam das exigências externas, recuperam a energia e se preparam para enfrentar um novo dia.
A parceria entre o escritório Palloma Meneghello Arquitetos Associados e a Atlas Colchões nasceu justamente da intenção de ampliar o olhar sobre o descanso. Em vez de tratar o quarto apenas como um espaço bonito ou reservado para o período noturno, o projeto apresenta o ambiente como parte ativa do cuidado com o corpo e com a mente.
Um quarto para desacelerar
Mais do que um lugar para dormir, a Suíte Atlas Origem integra áreas destinadas à leitura, à prática de ioga, ao banho de imersão e à contemplação. Apesar das diferentes funções reunidas no mesmo espaço, o projeto mantém uma atmosfera de unidade, sem comprometer a sensação de calma e acolhimento.
A proposta é permitir que o morador encontre, dentro do próprio quarto, condições para desacelerar e se afastar por alguns instantes da agitação cotidiana. Para Palloma, a arquitetura pode ajudar nesse processo quando cada elemento é escolhido de acordo com a experiência que se pretende provocar.
Pedra, madeira natural, fibras e tecidos de textura suave compõem a materialidade do ambiente. Os elementos foram selecionados pela capacidade de transmitir aconchego e estabelecer uma conexão mais próxima com a natureza. A pedra utilizada no projeto, por exemplo, recebeu um acabamento mais rústico, que preserva e evidencia as características próprias do material.
“A gente quis fazer com que a pessoa, quando chegasse em casa, se desconectasse do que está lá fora, esquecesse um pouco o celular e se reconectasse consigo, com a natureza e com a própria origem”, explicou a arquiteta.
As escolhas também seguem conceitos ligados à arquitetura sensorial e à biofilia, que valorizam a presença de elementos naturais nos espaços. No projeto, texturas, cores, iluminação e materiais atuam em conjunto para criar uma experiência que não se limita ao aspecto visual. A intenção é que o acolhimento seja percebido pelo visitante desde os primeiros passos dentro da suíte.
Cristiane Coelho ressaltou que o cuidado com o sono não começa apenas no momento em que alguém se deita. A forma como o dia é conduzido, os estímulos recebidos e o ambiente preparado para a noite também interferem na capacidade de relaxar.
“Você começa a se preparar desde o momento em que acorda. O ambiente influencia a gente e pode ajudar na manutenção dos bons hábitos, que fazem parte da higiene do sono”, destacou a empresária.
Luz, temperatura e silêncio
A iluminação foi um dos pontos trabalhados com maior atenção. Com luzes indiretas e distribuídas, o projeto evita o ofuscamento e cria uma atmosfera mais serena. A escolha permite que o corpo comece a reconhecer a transição entre a agitação do dia e o momento de descanso.
O ambiente também recebeu um sistema de automação. Por comando de voz, é possível apagar as luzes e preparar a suíte para a noite. Para Palloma, soluções tecnológicas podem contribuir para o bem-estar quando inseridas de maneira discreta e funcional, sem quebrar a proposta de simplicidade do espaço.
Além da iluminação, climatização, umidade e controle de ruídos aparecem como fatores importantes para uma noite de sono de qualidade. Durante o JBr Talks, Cristiane explicou que a experiência do descanso depende de um conjunto de elementos, que vai da temperatura do quarto à escolha do colchão, dos travesseiros e da roupa de cama.
Segundo ela, uma temperatura próxima dos 20 graus e a umidade mantida entre 40% e 60% ajudam a criar condições mais confortáveis. A empresária também chamou a atenção para os ruídos, que podem interromper as etapas do sono e comprometer a sensação de recuperação ao acordar.
“Tudo o que está por baixo e por cima do colchão precisa estar preparado para proporcionar uma boa noite de sono. É um conjunto, e a pessoa precisa olhar para todos esses elementos”, observou Cristiane.
A cama de grandes dimensões materializa esse conceito. Posicionada no centro da suíte, ela foi pensada para provocar impacto e levar o visitante a refletir sobre o espaço que o descanso ocupa na própria vida. Os dois colchões foram escolhidos para atender perfis diferentes, respeitando as particularidades de quem compartilha o ambiente.
Para Cristiane, o projeto também representa uma mudança na maneira como o mercado enxerga o quarto. O colchão permanece como elemento fundamental, mas passa a integrar uma estrutura mais ampla, formada por iluminação, mobiliário, tecidos, temperatura e hábitos pessoais.
Arte entre mente e coração
A Suíte Atlas Origem também abriga a coleção exclusiva “Jardins da Alma”, criada pelo artista Leonardo Nunes. As obras apresentam bordados realizados sobre folhas secas e conduzem o visitante por uma narrativa ligada à introspecção, à liberdade e ao encontro com a própria essência.
Palloma conheceu o trabalho do artista durante a Semana Criativa de Tiradentes, no ano passado, e o convidou a desenvolver peças especialmente para o ambiente. Em uma delas, um pássaro aparece saindo da mente de uma figura humana. A imagem estabelece uma relação direta com “Mente e coração”, tema da CASACOR Brasília 2026.
“Foi uma honra ter um artista que conheci em Tiradentes trazendo uma coleção feita especialmente para cá. Cada peça e cada folha bordada ajudam a falar da verdade da mente e daquilo que se sente no coração”, contou Palloma. Para ela, as obras completam a narrativa construída pela arquitetura e acrescentam outra camada de sensibilidade à suíte.
A presença da arte amplia a proposta de contemplação e reforça que o ambiente foi pensado para além da funcionalidade. Cada detalhe participa da construção de uma atmosfera voltada ao silêncio, à observação e ao cuidado pessoal.
Tradição brasiliense
Esta é a segunda participação de Palloma Meneghello na CASACOR Brasília. A estreia ocorreu em 2021. Ao comparar as duas experiências, a arquiteta avalia que retorna à mostra com mais maturidade e maior clareza sobre a intenção presente em cada decisão do projeto.
A Atlas Colchões, por sua vez, mantém uma relação de mais de duas décadas com a CASACOR, apoiando arquitetos e fornecendo produtos para diferentes ambientes. Esta, porém, é a primeira edição em que a empresa apresenta uma suíte própria.
De origem brasiliense, a marca foi fundada pelo avô e pelo pai de Cristiane. Atualmente à frente da empresa, ela acompanha o negócio há cerca de 30 anos. Segundo a empresária, a trajetória foi construída com foco na qualidade dos produtos e acompanhou a evolução dos conhecimentos relacionados ao sono.
No início, explicou, o mercado concentrava a atenção principalmente nas características ortopédicas dos colchões. Com o avanço dos estudos e a aproximação com profissionais ligados à medicina do sono, a empresa passou a observar também os hábitos, o comportamento e as condições do ambiente em que as pessoas dormem.
Ao unir arquitetura, design, arte e soluções voltadas ao descanso, a Suíte Atlas Origem traduz uma tendência que vem ganhando espaço nos projetos contemporâneos: a criação de ambientes capazes de influenciar positivamente a rotina e as emoções de quem os utiliza.
Para Palloma, uma arquitetura bem planejada pode interferir até mesmo na disposição e na produtividade ao longo do dia. Móveis, iluminação e materiais devem ter valor estético, mas também precisam fazer sentido para o usuário e atender às necessidades de quem vive naquele espaço.
Ao final da conversa, Palloma e Cristiane definiram o momento ideal de pausa como aquele reservado à família e à recuperação depois do trabalho. Para a empresária, a cama de grandes dimensões também pode se transformar em lugar de convivência, onde pais e filhos se reúnem para assistir a um filme e compartilhar o tempo.
“Seria o momento pós-trabalho, quando a gente chega em casa, reúne a família, pensa em tudo o que foi o dia e em como deseja que seja o próximo. É esse momento de reenergizar”, resumiu Palloma.