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Os falsos dilemas sobre o BRB

A crise é real, mas o velório antecipado do banco serve a interesses que não são os do Distrito Federal

Vladimir Porfírio

09/09/2026 5h46

ph brb

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Há algo de podre na construção diária de uma espécie de velório antecipado do BRB. Mas não há defunto.

O banco está vivo, funcionando, tem controlador, patrimônio, ativos, clientes e uma solução financeira em negociação. Mesmo assim, prospera a ladainha da intervenção, da liquidação e do colapso.

A verdade é que a crise existe. E é grave. É consequência do preço monumental pago pelo BRB nas operações realizadas com o Banco Master durante a administração de Paulo Henrique Costa, envolvendo carteiras hoje no centro das investigações que levaram Daniel Vorcaro para a cadeia.

Mas uma coisa é investigar o desastre. Outra é transformar a crise numa profecia de destruição.

Na Bolsa, a ação ordinária BSLI3, que chegou a superar R$ 10, recentemente esteve na faixa de R$ 2,60. Uma desvalorização próxima de 74%. Isso soa como carniça de conveniência para abutres.

Mas afinal, a quem interessa transformar uma crise real numa profecia de destruição? Quem eventualmente pode querer comprar ativos na xepa, para controlar uma potência como o BRB?

Não existe prova pública de conspirações de privados para comprar o banco público, ou de operação coordenada para derrubar as ações do BRB. Mas seria ingenuidade ignorar essa possibilidade, depois que a PF demonstrou que Vorcaro pagava a um exército de influenciadores para detonar o banco central.

Estamos diante de rumores que produzem insegurança. Insegurança derruba preço e preço baixo cria oportunidade.

É nesse ambiente que surge a narrativa de que uma demora na liberação do empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos é sinal de desistência, para bancos financiadores que estariam preferindo uma liquidação do BRB.

Uma lorota que agride a lógica, e que é desmentida por uma conta simples.

O acordo homologado pelo STF abriu caminho para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC, com carência e remuneração. Portanto, dinheiro que sai para voltar.

Já uma eventual liquidação do BRB poderia impor ao FGC um impacto estimado em cerca de R$ 17 bilhões, que sairiam do bolso dos bancos que sustentam o sistema, conforme, inclusive, a percepção de Dario Durigan, ministro da Fazenda. Nesse cenário, o fundo seria chamado a honrar os depósitos e investimentos elegíveis, até R$ 250 mil, observados seus limites de garantia.

Portanto, não estamos falando de presente. Estamos falando de empréstimo bem remunerado. Muito diferente do potencial desembolso bilionário numa liquidação.

A demolição desses artificialismos de conveniência não significa que o empréstimo esteja pronto para cair amanhã na conta do BRB. Existem garantias, documentos, auditorias e condições a cumprir.

O problema está em querer, por razões inconfessáveis, transformar cada exigência em impressão de desistência. Cada prazo em sinal de ruptura e cada negociação em prenúncio de liquidação.

Quanto mais se fala em liquidação, maior a insegurança. Quanto maior a insegurança, maior a pressão sobre clientes, investidores e sobre o valor do próprio banco.

O BRB não é a parreira de uvas, descrita por Monteiro Lobato em Fábulas de Narizinho, numa releitura de Esopo. Ele é uma instituição estratégica para o Distrito Federal, operador de crédito, financiador de empresas, canal de acesso à casa própria, financiador de infraestrutura.

Por isso, cabe à Polícia Federal, Ministério Público, Banco Central e Justiça descobrir responsabilidades e, principalmente, recuperar o dinheiro das operações investigadas. Até porque, o STF já garantiu que os cofres do BRB serão destinos prioritários desse dinheiro, no caminho de volta.

O BRB precisa de capitalização, liquidez, transparência, balanços confiáveis, governança e punição para quem produziu o desastre. Precisa explicar também como seus controles permitiram tamanho comprometimento com o Master.

O que não precisa é de coveiro especulando com o preço do enterro.

Porque uma coisa é investigar quem quase destruiu o BRB. Outra, muito diferente, é aproveitar a destruição para tentar comprar um banco estratégico pelo preço da sucata.

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