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Bastidores
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O cavalo de pau de Lula

Lula estaria se preparando para trazer o filho Lulinha de volta ao Brasil

Vladimir Porfírio

03/09/2026 5h00

brazil politics

Foto: EVARISTO SA / AFP

Nos bastidores, corre a história de uma operação de altíssimo risco político, que começa a ser desenhada no comando da campanha de Lula. Segundo a combinação de informações colhidas com fontes sob condição de sigilo, Lula estaria se preparando para trazer o filho Lulinha de volta ao Brasil.

Por essa versão, Lula, pessoalmente, traria o filho da Espanha para colocá-lo diante de um delegado da Polícia Federal, falando tudo sobre a relação com a lobista Roberta Luchsinger e Camilo Antunes, o Careca do INSS.

No Palácio e entre pessoas próximas de Lula e Janja, ninguém confirma uma vírgula. Ao contrário. Até fontes que costumam conversar reservadamente se fecharam em copas quando o assunto foi colocado sobre a mesa.

Mas uma pessoa próxima a Fábio Luís Lula da Silva na Espanha ouviu que o filho do presidente terá de retornar ao Brasil para ajudar o pai, que atravessa dificuldades na campanha eleitoral. Segundo essa fonte, Lulinha já teria, inclusive, desmarcado compromissos previstos para setembro na Espanha.

É neste ponto que o rumor começa a ganhar musculatura política.

A ideia em avaliação seria transformar aquilo que hoje representa uma vulnerabilidade de Lula numa ofensiva eleitoral.

Em vez de permitir que o filho permaneça na Europa enquanto as investigações da Polícia Federal ocupam o noticiário brasileiro, Lula assumiria pessoalmente a iniciativa de convencê-lo a voltar.

A estratégia pretende produzir a imagem de um presidente que não esconde o filho, não o mantém do outro lado do Atlântico e não cria obstáculos para que ele preste esclarecimentos à Polícia Federal.

Reservadamente, pesquisas encomendadas para avaliar os efeitos do caso estariam mostrando que a permanência de Lulinha na Espanha coloca Lula no mesmo patamar de Bolsonaro, que manteve o filho Eduardo nos EUA quando a barra pesou aqui no Brasil.

O raciocínio é devastadoramente simples.

O problema ganhou dimensão ainda maior depois das revelações sobre as relações suspeitas da lobista que fez pagamentos de despesas do ex-chefe de gabinete presidencial, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. O caso, entretanto, deixou de ser apenas policial. Virou um problema eleitoral.

É exatamente aí que estaria nascendo o cavalo de pau.

Lula já declarou publicamente que o filho deve ser investigado como qualquer cidadão. O passo seguinte, caso o plano avance, seria transformar essa frase numa imagem.

Uma foto que mostre Lulinha, de braços dados com o pai, desembarcando no Brasil e se apresentando para prestar os esclarecimentos formalmente exigidos pelas autoridades.

É uma operação de risco gigantesco.

Trazer Lulinha significa também trazer para dentro da campanha perguntas que hoje estão a milhares de quilômetros de Brasília. Significa televisão, aeroporto, Polícia Federal, advogados, depoimentos e uma multidão de repórteres acompanhando cada movimento do filho do presidente.

Mas mantê-lo na Espanha também cobra seu preço.

E este parece ser exatamente o dilema que chegou à mesa de Lula.

Oficialmente, vão dizer que esta história é chute ou delírio deste colunista. Mas são bem reais os relatos que chegam da Espanha e a reação de alguns palacianos.

É pouco para anunciar que a operação está decidida.

Mas é informação demais para ignorar que alguma coisa pode estar se mexendo.

Se Lula realmente decidir buscar o filho e colocá-lo diante da Polícia Federal, não estará apenas tentando resolver um problema familiar ou judicial.

Estará tentando uma virada de mesa nos números da eleição, que agora precisam de uma nova carta de navegação depois da consolidação do fator Augusto Cury.

O assunto é delicado porque envolve o filho do presidente da República, no contexto de um caso que tem tirado o sono e o humor de Lula. Talvez por isso, algumas pessoas abordadas tenham perdido a fala quando a pauta foi colocada na mesa.

Mas, se a ideia prosperar, essa operação tem tudo para ser lembrada no futuro como a jogada que garantiu a vitória de Lula nas eleições de 2026.

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