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Bastidores
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Lulinha paz, amor e segurança

Lula sabe que a esquerda não pode seguir perdendo o jogo do discurso da segurança para a direita por W.O.

Vladimir Porfírio

19/08/2026 5h00

lula sus

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Quando prometeu criar o Ministério da Segurança Pública e recuperou a figura de Romeu Tuma, Lula não estava apenas remexendo o baú sentimental da própria biografia. Estava fazendo política.

E política eleitoral, nas mãos competentes, não desperdiça palavras.

Lula sabe que a esquerda não pode seguir perdendo o jogo do discurso da segurança para a direita por W.O. Pesquisa Ipsos-Ipec de março apontava o tema como principal preocupação dos brasileiros e registrava 49% de avaliação ruim ou péssima do governo nessa área.

Em São Bernardo, Lula voltou a prometer o Ministério da Segurança Pública, condicionado à aprovação da PEC 18/2025. Foi uma mudança de vocabulário.

Nem a velha ideia de que escola, emprego e renda resolveriam a violência, nem a receita resumida a polícia, cadeia e aumento de pena.

Lula tenta ocupar o espaço com ações objetivas, como a Carbono Oculto, mas sem dizer que “bandido bom é bandido morto”.

Quer polícia e universidade. Presídio e escola. Inteligência policial e política social.

É aí que Tuma reaparece.

Em 1980, Lula estava preso no Dops quando sua mãe, Dona Lindu, morreu. Tuma permitiu que a visitasse e depois comparecesse ao velório e ao enterro. Décadas depois, Lula reconheceria o tratamento digno recebido do delegado.

A referência tem endereço político.

É o eleitor conservador que jamais virou petista, mas também não considera obrigatório aderir ao bolsonarismo.

Flávio Bolsonaro também colocou segurança no centro da campanha, como esperado, embora pareça meio sem noção do possível. Ele defendeu a ampliação de presídios federais sem indicar fontes financeiras, a redução da maioridade penal e até a castração química.

Daí a comparação entre universidade e prisão. Lula tirou da manga que um estudante de universidade federal custaria cerca de R$ 20 mil por ano e contrapôs esse valor ao gasto com presos.

Os números variam conforme curso e estabelecimento prisional, mas, politicamente, a comparação rouba o discurso do combate ao crime.

É a velha tese da esquerda com uma novidade. Enquanto a educação não impedir o crime, alguém terá de prender o criminoso.

Parte da esquerda acordou e descobriu que a criminalidade não distribui democraticamente seus prejuízos. O rico compra condomínio, câmera, seguro e segurança particular. O pobre espera o ônibus no escuro, perde o celular comprado em prestações e fecha o comércio quando a facção chega.

Para fazer o ministério do combate ao crime em plena campanha eleitoral, Lula precisa de Alcolumbre para movimentar a PEC da Segurança. E isso já está encaminhado.

Ele sabe que, inclusive, enfraquece o discurso intervencionista dos EUA com uma guinada no combate ao crime.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro carrega vulnerabilidades. Admitiu ter procurado Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, cobrando dinheiro. Segundo a Agência Brasil, a negociação mencionada chegava a R$ 134 milhões.

Flávio diz que se tratava de patrocínio privado para o filme do pai, e o episódio estava sob investigação.

Somam-se a isso a divulgação fajuta de uma pós-graduação que Flávio não havia realizado, atribuída pela campanha a erro de comunicação, e o desgaste das investigações sobre as chamadas “rachadinhas”, sempre distinguindo acusações, decisões judiciais e condenações definitivas.

Ele não precisa transformar nenhum conservador em lulista. Precisa apenas convencer uma parcela desse eleitorado.

Entretanto, tudo corre dentro de uma operação delicada. Se caminhar demais para a direita, desfigura-se. Se ficar parado, entrega de bandeja, novamente, uma das maiores aflições do eleitorado brasileiro.

No discurso de largada da campanha, Lula apostou numa frase calculada, trazendo a lembrança do delegado de direita que, diante de um preso político cuja mãe morria, resolveu enxergar primeiro o homem e depois o prontuário.

Na política polarizada, pode parecer gratidão. Mas, em campanha eleitoral, até gratidão tem o endereço do voto.

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