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Líder da banda Lupa, Múcio Botelho quer unir arte e política no DF

O músico é o convidado desta edição do JBr Entrevista e fala sobre sua carreira, desafios dos artistas da cidade e da sua pré-candidatura à Câmara Legislativa

Suzano Almeida

29/06/2026 5h00

Atualizada 26/06/2026 13h11

Múcio Botelho/ Foto: Rodrigo Lima

Múcio Botelho/ Foto: Rodrigo Lima

O convidado desta edição do JBr Entrevista é o líder da banda Lupa e pré-candidato a deputado distrital pelo PSB, Múcio Botelho. Advogado e servidor público da Câmara Legislativa, o músico falou sobre sua carreira e de suas futuras propostas para a cultura do Distrito Federal. Múcio fala, ainda, sobre como vê a política local e conta um pouco da experiência na Casa de Leis do DF.

Conta um pouco de quem é você.

Eu sou artista, vocalista da Lupa. Sou advogado, formado pela UnB. Sou servidor público da Carreira Legislativa. E a minha vida sempre foi essa confusão gigante entre cultura e política. Desde pequeno, fui apaixonado pelas duas áreas. O meu avô, que era meu melhor amigo e faleceu na pandemia, sempre me falava uma frase que me marcou. Ele dizia assim: “Se você quiser ser bom, ninguém pode servir a dois deuses ao mesmo tempo”. O que ele estava querendo dizer era que se eu quisesse ser bom na música, eu ia ter que abandonar a política. E se eu quisesse mandar bem na política, ia ter que abrir mão de ser músico. Só que eu sou aquariano, sou uma pessoa complicada de obedecer a ordens. E, graças a Deus, eu não obedeci.

E como foi essa “desobediência”?

Ao mesmo tempo em que a gente começou uma banda do zero e ela se tornou uma das bandas mais queridas da cidade — rodamos esse Brasil tocando, inclusive no Rock in Rio, e nossa música foi a segunda mais ouvida na rádio de São Paulo —, eu me formei em Direito na UnB, fiz pós-graduações, coordenei mandatos (coordenei os mandatos do João Campos, do Tadeu Alencar e agora estou no mandato do Rollemberg), passei no concurso da Câmara, ajudei a reformar o quadro de servidores de lá e, na última eleição, eu quase ganhei. Faltaram mil votos para a gente conseguir garantir a nossa vaga como distrital. E foi uma campanha linda, uma campanha que envolveu muito a galera da cultura, porque é um setor completamente defasado de representação. Foi muito bonito, porque fizemos uma campanha sem grana, super curta, que anunciamos no dia zero da eleição. Então, tivemos 45 dias, sem dinheiro, sem base, sem padrinho, para fazer o que desse — e deu. Tivemos 9.956 pessoas que decidiram confiar na gente. Foi uma coisa maravilhosa que mudou muito a minha percepção sobre o que esta cidade precisa e no que as pessoas acreditam. Quanto mais eu cresço nas duas áreas, mais vejo que ambas se comunicam e, no fundo, são a mesma coisa; elas operam do mesmo jeito. Para mim, são os dois setores que mais conseguem transformar a vida de qualquer pessoa por aqui.

Como surgiu a sua carreira artística e a Lupa?

Na minha família, as pessoas não sabem nem bater palma. O gene musical não existe lá em casa. A gente criou isso do zero, a partir de muita vontade. Todo mundo lá em casa sempre ouviu muita música. Eu cresci em volta de discos e em uma família de servidores públicos — todo mundo era concursado na esfera federal. A minha visão de adulto era sempre a de alguém de terno, bonitinho, organizado, de cabelo curtinho. Eu lembro que a primeira memória da minha vida é do meu pai me levando à Discoteca 2001. Para você, criança, que está assistindo a isso daqui, saiba que existia um tempo, antigamente, em que havia lojas onde você podia ver os CDs existentes. Eu lembro do meu pai me pegando, eu miudinho, e me levantando para eu folhear os CDs. Eu bati o olho e achei o disco do Iron Maiden, aquele The Best of the Beast, que é uma coletânea. Eu vi aquele encarte e falei: “Meu Deus, o que é isso?”. Meu pai disse: “Filho, você não vai gostar desse, esse é pauleira”. No meu primeiro dia de aula, fui ouvindo esse disco e me apaixonei. E o que era mais massa é que o encarte dele tinha as fotos deles vivendo, fazendo turnê, encontrando os fãs. Eu vi aqueles adultos em um lugar completamente fora da realidade que eu achava que era possível. Vi que tinha outro caminho que se poderia seguir. Dali para a frente, não teve erro: guitarra na mão, aprendendo a tocar e crescendo.

E o que te inspirou?

A gente veio de uma época em que as bandas de Brasília estavam muito fortes. Viemos do final dos Raimundos, nos anos 90, entrando no rolê de crescimento gigante do Móveis Coloniais de Acaju, que, para mim, foi a última grande banda de Brasília que conseguiu dominar o cenário nacional, e é a banda do meu coração. Foi a banda que me fez querer ter uma banda.

Eles voltaram e estavam fazendo poucos shows, mas arrasando e lotando as casas.

Exatamente, eles são incríveis. É uma galera de muito coração e muito amiga minha. Eu lembro que, sendo um molequinho de 15 ou 16 anos, já sabendo tocar, começando a ter umas bandinhas de cover, eu fui parar quase por acaso no show do Móveis, no Porão do Rock, na edição do Mané Garrincha, onde tocaram The Hives e Móveis. Lembra? Aquele show foi incrível. De repente, sobe o Móveis no palco. Tinham umas 12 pessoas em cima do palco, ninguém achava que ia tocar rock. E o que eu achei mais incrível é que as bandas que eu estava acostumado a ver na TV e nos clipes da MTV eram todas cisudas, subiam ao palco bravas. Mas a galera do Móveis subiu em uma alegria que eu nunca tinha visto. De repente, começaram a mexer com a galera, abriram uma roda, todo mundo pulando, e eu falei: “Meu Deus do céu, como é que é isso? Como alguém consegue fazer isso?”. Nesse dia eu parei e pensei: que loucura, os caras são de Brasília e estão encantando milhares de pessoas aqui que talvez nem os conhecessem — porque eu nem sabia o quão grande o Móveis era naquela época. Eu olhei para aquilo e falei: “Jesus, talvez seja isso que vai me deixar mais feliz na minha vida”. A partir daquele momento, decidi que queria montar uma banda para escrever as nossas próprias músicas. Montei minha primeira banda, a Effective Biscuits, e, depois dela, no meio da UnB, a gente criou a Lupa. A Lupa era formada por várias pessoas que vinham de projetos espalhados por Brasília, e a gente nem tinha um cantor originalmente. Não tinha. Eu não sabia cantar.

Você ainda não era o cantor?

Eles não sabiam que eu seria o cantor. Eu estava usando uma estratégia para conseguir fazer a banda andar, porque eu não conseguia colocar a voz para fora. Compunha tudo, escrevia, achava as coisas lindas, mas não conseguia cantar mesmo. Fui enrolando eles, enrolando, e comecei a cantar, até que chegamos a este ponto. Então, se você não sabe cantar, não desista, dá tudo certo! Inclusive, vou dizer outra coisa: você pode ser como o vocalista do The Strokes, que muitos dizem ser mais um intérprete do que um cantor clássico, e mesmo assim funciona.

E isso tudo foi instantâneo?

Outra coisa que eu acho muito massa, e que sempre fico feliz em falar, é que muita gente acha que o rolê de banda é entrar e, de uma hora para a outra, vai dar certo e as pessoas vão gostar de você. Eu acho que ter uma banda é um exercício de resiliência muito grande. Tanto que, se você parar para pensar nesta última geração de bandas, quais foram as duas que cresceram, fizeram fãs e são queridas em Brasília inteira? A Lupa e a Dona Cislene (onde toca um dos meus melhores amigos, uma das pessoas que eu mais amo nesta cidade). E o que é mais engraçado? Quando as duas bandas começaram, elas eram motivo de piada entre as outras bandas.

O Bruno da Dona CIslene está aqui acompanhando.

Isso é uma coisa muito legal, porque quando a gente estava começando, e quando a Dona Cislene estava começando, eram as bandas que os meninos zoavam: “Ah, é banda de playboy”. A Lupa era a mesma coisa, a banda esquisitinha, a gente de rosa falando de amor. Aí o que aconteceu? Seguindo, persistindo, persistindo… e nos tornamos duas das maiores bandas da cidade, que encantam a juventude e formam a identidade da galera. Eu acho isso bonito pra caramba, sabe? Mexer com música é um exercício de perseverança. Isso realmente testa as pessoas, e nós fomos testados e aprovados. Tenho um orgulho danado disso.

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Múcio Botelho/ Foto: Rodrigo Lima

Quando você olha para o Múcio agente cultural, e olha para o cenário da música em Brasília, o que pode melhorar a partir das políticas públicas?

A gente pensando nisso, criou um projeto para ajudar com essa questão, que é o Amplifica. Brasília tem talento pra caramba. Se você balançar qualquer árvore em Brasília, vão cair seis artistas maravilhosos. O que a gente não tem é estrutura e oportunidade. Por quê? Porque para o governo do Distrito Federal, para quem está com mandato e em posição de poder, a cultura não é prioridade. Nunca foi. Você quer saber o que é prioridade para um deputado ou para um governador? Veja para onde o orçamento está indo e se existem políticas estruturantes para o setor. Não existem para a cultura. Brasília acha que a noite é um problema, não uma oportunidade — inclusive uma oportunidade econômica, pois perdemos muita grana e muitos talentos. Pensando nisso, bolamos o Amplifica, um projeto que eu gostaria tanto que tivesse nascido dez anos atrás, quando estávamos começando, porque teria impedido a gente de quebrar muito a cara e de gastar muita grana onde não precisava. Qual é a nossa grande ideia? Estamos criando um grande ecossistema entre artistas, produtores, a galera da área técnica e as casas de show, para conseguirmos ajudar todo mundo — desde a pessoa que está começando e querendo aprender um instrumento até quem já está na estrada.

E como o Amplifica funciona?

São três problemas pelos quais todo mundo que se dedica à arte já passou, está passando ou ainda vai passar: “Gostaria muito de trabalhar no setor, mas não tenho ideia de como começar”: Não sei como montar uma banda, como começar a trabalhar com bandas ou como produzir eventos. Para essa galera, estamos oferecendo qualificação técnica e qualificação artística, com oficinas, mentorias e palestras com profissionais incríveis, gabaritados e validados no país inteiro, não só aqui em Brasília. A segunda: “Já sei o que estou fazendo, estou mandando bem, mas simplesmente não consigo mostrar o meu trabalho”: As portas não se abrem, não consigo marcar shows. Para essa galera, vamos trabalhar com a inserção no mercado. Como estamos fazendo isso? Já temos três casas parceiras na cidade, que são polos de cultura e responsáveis pelas programações mais legais que existem hoje no centro. “Já estou tocando e consigo espaço nos lugares, mas não consigo fazer dinheiro”: Não tenho sustentabilidade financeira porque, basicamente, não consigo construir uma base sólida de fãs. Esse é o trabalho que quase ninguém faz ou sabe como fazer. Para esse grupo, vamos ensinar formação de audiência.

Qual é o principal gargalo?

Para mim, a formação de audiência é o grande gargalo hoje nas políticas culturais do Distrito Federal. Existem inúmeros instrumentos para você produzir material — temos o FAC (Fundo de Apoio à Cultura), temos o orçamento da Secretaria de Cultura para você gravar um disco, fazer uma peça ou gravar um filme. Agora, como você faz as pessoas ouvirem o seu disco? Como faz as pessoas frequentarem o seu festival? Como encher uma sala de cinema com gente querendo ver o seu filme? E é ainda mais difícil para a galera do teatro: como lotar as sessões? É muito difícil, e ninguém trabalha nisso. Não temos essa preocupação na política cultural aqui em Brasília, e para mim é o que mais falta. Então, estamos criando um sistema para ensinar essa galera a construir público. Estamos falando de locais que já têm uma movimentação natural de pessoas dentro de setores que antes estavam abandonados — diga-se de passagem, os artistas são os grandes responsáveis pela revitalização de muitas áreas desta cidade. A gente ajuda essa galera a entender como montar uma base de pessoas que torne o projeto viável.

E como dar certo?

Existe uma visão muito deturpada sobre o que é “dar certo” para uma banda. Hoje, em Brasília, você já deu certo se tiver cem fãs reais que consomem seu produto, compram seu merch, vão aos seus shows e divulgam suas coisas. Mas a gente conta nos dedos quantos artistas de Brasília têm 100 fãs de verdade. A internet nos deu a ilusão de que dar certo é ter 50 milhões de seguidores, algo inalcançável e que não se sustenta. Quem faz a identidade da cidade e mantém a cultura viva não são os megaeventos. Os grandes eventos vêm e vão, e geralmente importam cultura de fora — trazem artistas de São Paulo ou atrações internacionais. O que mantém a cidade viva é o circuito de pequenos e médios artistas, pequenas e médias casas e eventos que estão no cotidiano de todo mundo. É aí que estamos mirando. A partir do momento em que criamos uma cena estruturada e sólida que conversa entre si, geramos uma economia circular e movimentamos o mercado da cidade. Esse é o grande objetivo do Amplifica.

Vamos falar de gestão agora. Qual é a percepção que você tem da política hoje, vivenciando o dia a dia da Câmara Legislativa?

Eu acho que a Câmara Legislativa é o maior tesouro que a gente tem no Distrito Federal, mas que não é explorado. Quando passei no concurso, tive a honra de ser presidente da comissão dos aprovados e representar a nossa categoria. Meu maior papel foi conhecer absolutamente todo mundo que estava dentro da Casa, desde a guarita até a presidência. Para mim, foi a coisa mais legal que eu poderia ter feito, porque hoje pouca gente conhece a Câmara Legislativa tão a fundo e estruturalmente como eu. A gente enxerga o potencial e os poderes institucionais que temos ali, onde a maioria das pessoas não vê. A Câmara ainda é um dos órgãos mais mal avaliados do Distrito Federal, o que é um absurdo, porque é um lugar onde se concentram competência e poder como em nenhum outro lugar do Brasil, além de um orçamento gigante. Estamos a poucos passos do Executivo local e muito perto do Poder Federal. Como não fazemos dela um grande órgão articulador que, de fato, entregue políticas públicas de qualidade para a população? Esse discurso de que “a Câmara tinha que acabar” ou “ninguém lá presta” é raso e muito equivocado. Pelo contrário, temos pessoas boas lá dentro, deputados dispostos em todo o espectro político, inclusive, e faço questão de defendê-los. E temos servidores maravilhosos. Uma coisa que gosto de dizer sempre é que os deputados passam — ficam 4 ou 8 anos, alguns até 30 —, mas quem fica lá e faz as coisas acontecerem de verdade são os servidores. Acho que a maior contribuição que nós, como servidores, podemos dar é criar uma estrutura que funcione muito bem para Brasília, independentemente de quem esteja eleito.

Quais problemas você pode apontar?

Hoje, a maior falha do legislativo local é não exercer o seu principal papel, que é ser um agente fiscalizador do Executivo. E fiscalizar não significa ser oposição. Existe uma concepção errada, inclusive dentro do Palácio do Buriti, de que se você está fiscalizando, é porque quer atrapalhar. Não é isso. Fiscalizar é zelar pelo interesse público. É querer ver um programa do governo que já é bom se tornar ainda melhor. Por exemplo, o Cartão Prato Cheio é um programa maravilhoso, feito por uma gestão que não é alinhada comigo ideologicamente, mas é bom e tem que ser ampliado. O papel do legislativo é ver quais lacunas ainda existem para melhorá-lo. Por outro lado, há programas muito ruins, e temos que ter a capacidade de apontar o dedo e falar: isso daqui não funciona. Às vezes não porque a ideia seja ruim, mas porque a implementação é completamente deficiente. Então, para mim, o que eu mais poderia contribuir lá dentro é ajudar a criar uma estrutura permanente de fiscalização que atravesse todas as áreas do governo.

E quem fiscaliza?

Teoricamente, as comissões deveriam fazer isso, mas o que elas viraram? Viraram espaços para lotear cargos para servidores e extensões de gabinetes que não estão preocupados com esse trabalho técnico. Meu grande sonho é que as comissões, junto com as consultorias e os demais setores da Casa, funcionem como um núcleo permanente de diálogo com a academia, com o setor privado e com o próprio Executivo, porque é assim que se constrói algo que entrega resultado de verdade.

Muitas vezes há servidores que ficam 20 anos na mesma comissão porque quem entra de fora para ajudar não tem a expertise técnica necessária.

É exatamente isso. Não é que a pessoa não queira trabalhar, é que ela não tem a expertise para aquela função específica, e é completamente normal se perder quando você é colocado em um lugar que não domina. Outra coisa crônica é que a Câmara tem o péssimo costume de criar estruturas que não servem para nada. Por exemplo, as comissões. Hoje, criamos basicamente uma comissão para cada deputado. Por que isso acontece? É porque elas são essenciais para a cidade ou porque precisam existir devido à alta demanda de projetos? Não. É porque os deputados querem cargos. Isso para mim é um absurdo.

Qual o tamanho da estrutura deles?

Cada um dos deputados hoje já tem mais de R$ 200 mil para montar sua equipe de gabinete — mais do que na Câmara Federal, diga-se de passagem. Além disso, há as verbas das lideranças e blocos. E, o que muita gente não sabe, cada um deles indica cerca de R$ 70 mil em cargos na estrutura administrativa, muitas vezes em órgãos que não têm real necessidade de existir. Quando se cria uma comissão nova, não é porque há excesso de projetos travados na comissão original; é porque querem o que chamam de “kit comissão”: o cargo de secretário de comissão (que é um cargo alto), cargos de assessores e servidores à disposição. É um meio de abrigar aliados.

Então você enxugaria essas estruturas?

Enxugaria demais, não faz o menor sentido. E, para mim, não faz sentido os deputados poderem indicar pessoas para a estrutura administrativa técnica da Casa. A estrutura administrativa tem que funcionar de forma independente e profissional, trabalhando para viabilizar os mandatos de forma técnica. E repito: há muitas ideias boas vindo de todos os lados e de todos os espectros políticos. Eu não sou o tipo de cara que diz que o outro lado está sempre errado; acho isso uma redução infantilizada da política e não concordo com essa postura. Mas precisamos de independência para cumprir o papel fiscalizador com a dignidade que a população merece. Ser deputado e ocupar uma posição dessas deveria ser um lugar de muito respeito e importância, e me dá tristeza ver que a sociedade não valoriza isso porque sente a Câmara muito distante da realidade do povo.

Você teve quase 10 mil votos na última eleição. O que te moveu a tentar ser distrital novamente?

Eu tenho certeza absoluta de que vai dar certo, porque sei o bem que a gente consegue fazer lá dentro. Eu vi de perto a diferença que uma única pessoa boa e preparada é capaz de fazer em um ambiente político. Vi isso acontecer até na Câmara dos Deputados, que é um ambiente complexo com 513 parlamentares — lá dentro, um deputado focado faz uma diferença gigante. Em uma Casa com 24 distritais, somando com as pessoas legais que já estão lá dentro, podemos ser a gota d’água que falta para virar uma chave muito interessante para Brasília. Eu me sinto preparado de verdade. Nesses últimos quatro anos, vivi e aprendi muita coisa, conheci o DF ainda mais a fundo e estudei profundamente os problemas crônicos da nossa cidade. A nossa pré-campanha e a nossa última campanha, como vocês viram, não são feitas à base de gritaria. Você nunca vai me ver apontando o dedo de forma raivosa ou fazendo escândalo para ganhar cliques; é muito fácil fazer campanha assim. A gente faz política de um jeito que considero saudável: trabalhando em cima de diagnósticos e soluções para os problemas reais.

Qual sua maior contribuição para a cidade?

Acho que a nossa maior contribuição é conseguir entregar para a sociedade um olhar técnico e humano sobre o que as pessoas não estão enxergando. O meu trabalho é olhar em volta e perguntar: o que está na cara de todo mundo, afetando a vida de todos, mas que aparentemente ninguém na política está debatendo ou se propondo a resolver? Enquanto você vê muita gente fazendo pré-campanha apenas apontando culpados de forma simplista, eu não caio nessa armadilha. Acho isso uma infantilização, porque qualquer pessoa que conhece a fundo o Estado sabe que os problemas complexos não têm um único responsável. A culpa não é de uma gestão isolada, mas sim de uma sucessão de decisões erradas ao longo de vários governos — muitas delas, inclusive, tomadas na tentativa de acertar. Eu reconheço a dificuldade que é estar na posição de gestor e tomar decisões, e é por isso que o meu foco sempre será debater as soluções estruturais que Brasília precisa, com seriedade e espírito público.

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Múcio Botelho/ Foto: Rodrigo Lima

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