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JBr Saúde #005 – Trabalho em empresa não sairá mais de casa

Nada do que acontecerá após o final da pandemia será igual. Por um lado, choraremos para sempre a perda dos nossos entes queridos

A covid-19 é sem dúvida um marco na história da humanidade. Nada do que acontecerá após o final da pandemia será igual. Por um lado, choraremos para sempre a perda dos nossos entes queridos. Por outro, porém, processos que já estavam em curso se viram acelerados pela contaminação planetária do novo coronavírus. E um desses processos é o aumento da realidade virtual. Afastadas do contato físico mais próximo pelo risco de contágio, as pessoas passaram a interagir mais virtualmente com o uso das novas ferramentas que a internet dispõe. Seja no plano pessoal, mas também no plano profissional. A pandemia institucionalizou o home office.

E institucionalizou de tal forma que algumas corporações já tomaram a decisão de que não mais voltarão ao modelo anterior de escritório físico mesmo quando todos estiverem imunizados e isso se tornar seguro. Uma das empresas que já tomaram essa decisão é a Bancorbrás. A empresa trabalha no ramo de consórcio, turismo e seguros, com sede no Distrito Federal e filiais nos estados de Minas Gerais, Ceará, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Tem cerca de cinco mil funcionários. Durante a pandemia, a empresa, como todas as demais, se viu obrigada a estabelecer de um dia para o outro um esquema de trabalho remoto para a sua equipe. No caso, deu tão certo que agora será seguido.

É o que revelou a coordenadora de Recursos Humanos da Bancorbrás, Cleonice Maccori, na edição desta semana do JBrSaúde, programa semanal feito em parceria pelo Jornal de Brasília com o grupo Imagem&Credibilidade, que vai ao ar todas as quintas-feiras com apresentação de Estevão Damázio.

Segundo Cleonice, o sistema de home office adotado pela Bancorbrás deu resultados tão positivos que vai se tornar definitivo na empresa. Hoje, 80% dos funcionários da Bancorbrás estão trabalhando em regime não presencial. “Nossa expectativa é que 90% desses 80% continuarão trabalhando de suas casas”, diz ela.

“A verdade é que nós passamos para esse sistema sem qualquer preparação prévia”, diz ela. “Ninguém estava preparado para isso. Não existia um plano de ação”. No dia em que foi declarada, porém, a pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 21 de março do ano passado, a empresa identificou seus funcionários em grupo de risco, os demais, estagiários e aprendizes e estabeleceu o home office. “E, desde então, tem funcionado muito bem. E vai ficar em defitivo”.

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Segundo a coordenadora de Recursos Humanos, o que a empresa verificou de forma surpreendente foi um grande aumento da produtividade da sua equipe a partir do momento em que os funcionários passaram a trabalhar de casa. Mais próximos da família, organizadas as suas rotinas, o trabalho, com o uso das novas ferramentas que a tecnologia hoje permite, passou a fluir melhor.

“Essas tecnologias já existiam há muito tempo, mas parece que a gente só descobriu agora”, diz ela. Segundo Cleonice, mesmo à distância, ela considera que o nível de comunicação entre as seções melhorou. O trabalho agora, segundo ela, é conseguir sentir o mesmo calor da aproximação física mesmo à distância. “Estamos agora fazendo treinamentos, workshops, para manter a todos unidos”.

Medo e ansiedade

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Nem tudo, porém, é positivo, reconhece Cleonice. O home office surgiu agora como uma necessidade em meio a uma tragédia planetária. Que gera medo e ansiedade às pessoas, e isso não foi diferente dentro do corpo funcional da Bancorbrás. O home office mistura a rotina profissional à rotina pessoal. E há toda a sensação de medo gerada pela doença, a dor que se tornou rotineira pela perda de entes queridos, parentes e amigos, para a doença.
“No início do segundo semestre do ano passado, fizemos uma pesquisa, que chamamos ‘Termômetro da covid-19’, para identificar diversos padrões de comportamento”, conta. Segundo ela, os resultados não ficaram longe do que ela esperava. Boa parte da equipe estava psicologicamente impactada pela pandemia de alguma forma. A Bancorbrás criou, então, um projeto, chamado “Conte Comigo”, uma linha direta na qual os funcionários conversam com profissionais da área de psicologia sobre seus medos e ansiedades. A partir daí, problemas são identificados e, dependendo do caso, recomenda-se a continuidade de um tratamento mais aprofundado.

O padrão macabro da doença

Desde fevereiro ou março do ano passado, o Brasil vive um tenebroso efeito sanfona. Ondas de contaminação levam ao fechamento de lojas, empresas e serviços e diminuem a circulação de pessoas nas ruas. Quando a situação parece melhorar, tudo volta a ser aberto. Para levar a uma segunda leva de contaminação e mortes. Esse padrão tem sido revelado pelos dados colhidos por Breno Adaid, coordenador da área de Mestrado e Administração do Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb).

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Desde o começo da pandemia, Adaid tem se ocupado de compilar e organizar os dados sobre a covid-19. “Agora, não parece mais haver novidade sobre eles em termos de comportamento”, afirmou Adaid, na edição desta semana do JBrSaúde.

“Depois de um ano de pandemia, não é mais novidade que se aglomerar gera óbito”, diz ele. “Precisamos construir um futuro diferente. Abre, sobem os casos. Fecha, diminuem. A gente tem que sair desse ciclo”, alerta.

Com base nas informações que vêm sendo disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, pelas Secretarias de Saúde e pela imprensa, Adaid vem construindo estudos e tabelas sobre a evolução da doença, que projetem os números e dão alguma previsão. A última tabela construída por ele projeta o quadro da infecção até o próximo dia 15 de abril. A tabela projeta o cenário esperado, o pior e o melhor cenário a partir dos dados mais recentes.

Segundo a tabela, no pior cenário, o Distrito Federal chegará no dia 15 de abril a 1.313 infectados por dia. O cenário esperado é de 969 infecções. E o melhor cenário, 873. “Os cenários dependem do comportamento da população”, diz ele. Ele observa para a ocorrência da Semana Santa no início do mês, que pode repetir as situações de pico que foram observadas nas festas de fim de ano e no carnaval.

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Comparando as tabelas desde março, quando começou a compilar os dados, Breno observa que as novas ondas da doença têm se tornado mais violentas e cruéis que as primeiras. “Da primeira onda para a segunda onda, a doença tornou-se muito mais preocupante”, afirma. “Em termos de números, houve uma aceleração agressiva. Também ficou maior o tempo de internação das pessoas. E a pancada das variantes de vírus. Nada disso aconteceu na primeira onda”, considera. Breno também aponta para outro dado preocupante: embora a doença tenha se tornado mais agressiva, a preocupação das pessoas parece ter diminuído, passado um ano do início da pandemia. “Na primeira onda, houve o impacto da notícia, e o nível de temor parecia maior. Agora, houve um relaxamento”.






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