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Estilo de Vida

“Espaço Entre” transforma galeria em ambiente para viver arte na CASACOR Brasília

Assinado por Alex Claver e Wilker Medeiros, ambiente aposta na integração entre arquitetura, design e obras de arte

Isabele Mendes

02/09/2026 8h00

alex claver e wilker medeiros

Foto: Bruno Alpino/Jornal de Brasília

Entre observar uma obra e realmente conviver com ela, há um espaço que a arquitetura pode preencher. Foi a partir dessa ideia que o arquiteto Alex Claver e o designer de interiores Wilker Medeiros criaram o “Espaço Entre”, ambiente apresentado na CASACOR Brasília 2026 e tema de mais uma edição especial do JBR Talks, apresentado por Marcelo Chaves, gravada diretamente na Casa do Candango.

Concebido como uma galeria de arte, o ambiente foge, no entanto, da imagem tradicional de espaços expositivos marcados por paredes brancas, iluminação uniforme e certa distância entre visitante e obra. No Entre, a proposta é justamente o contrário: fazer com que as pessoas permaneçam, sentem, conversem e percebam como a arte pode fazer parte de um espaço cotidiano.

“A gente vem com um ambiente mais como um ambiente de casa. Fazemos questão de ambientá-lo para que o visitante consiga sentir a obra instalada como se fosse na sua própria casa”, explicaram os profissionais durante a entrevista.

A proposta conversa diretamente com o tema da CASACOR 2026, “Mente e Coração”. No projeto, razão e emoção aparecem na combinação entre arquitetura, mobiliário, iluminação, artesanato e obras de arte. A dupla, que trabalha junta desde 2012, conta que a relação profissional construída ao longo dos anos fez com que arquitetura e design de interiores passassem a se misturar de maneira natural no processo criativo.

Uma galeria que não quer ficar “congelada”

Um dos principais pontos defendidos pelos criadores é que a arte não precisa ficar restrita às paredes nem ser percebida como algo distante da vida cotidiana. Sofás, poltronas, mesas, objetos e obras foram posicionados para formar uma composição única, aproximando o ambiente de uma casa habitada.

Para Alex e Wilker, um projeto residencial também não deve terminar quando o trabalho do arquiteto ou do designer acaba. A identidade de quem vive no espaço precisa aparecer aos poucos, seja por meio de um quadro, um tapete, uma peça afetiva ou um objeto escolhido pelo próprio morador.

“A gente até fala para os nossos clientes que o projeto não finaliza com a gente, porque senão fica aquele apartamento decorado ou aquela casa decorada. O quadro, por exemplo, precisa ter sentido para você”, destacaram.

Essa ideia também se estende à programação do Entre. O ambiente recebe oficinas conduzidas por artistas locais, com atividades como cerâmica e aquarela. Com grupos reduzidos, de cerca de oito participantes, os encontros ajudam a transformar a galeria em um espaço de produção, e não apenas de exposição.

“A gente tira um pouco essa coisa da galeria congelada. A arte começa a ganhar vida dentro daquele espaço”, resumiram os profissionais.

Luz e sombra também fazem parte do projeto

A iluminação foi outro elemento pensado para romper com a configuração convencional de uma galeria. Em vez de uma luz homogênea sobre todo o ambiente, o projeto aposta em pontos de destaque, diferentes intensidades e sombras para conduzir o olhar do visitante.

Segundo a dupla, a intenção desde o início era evitar uma iluminação “chapada”. O resultado é uma luz mais cenográfica, capaz de destacar determinadas obras e, ao mesmo tempo, criar profundidade no percurso.

A escolha acompanha uma arquitetura propositalmente mais limpa. Piso, paredes e tons terrosos formam uma base neutra para que obras e mobiliário assumam protagonismo. “As obras já têm muita informação. Então, a gente quis deixar que elas tivessem um ambiente mais leve e se destacassem”, explicaram.

De Di Cavalcanti a Picasso

A arte, naturalmente, ocupa papel central. O acervo apresentado no espaço reúne nomes consagrados da produção brasileira e internacional, além de trabalhos de artistas e artesãos contemporâneos. Durante o JBR Talks, foram citadas obras de Di Cavalcanti, Cícero Dias, Manabu Mabe e Carlos Araújo, além de trabalhos atribuídos a Pablo Picasso.

As obras pertencem à galeria responsável pelo ambiente e dividem espaço com peças de artesanato escolhidas pelos próprios profissionais. Nesse ponto, as origens da dupla também aparecem no projeto. Alex é brasiliense, enquanto Wilker nasceu em Caicó, no Rio Grande do Norte, e mantém forte relação com o artesanato nordestino.

“Acho que acaba mesclando um pouco essa coisa de eu ser de Brasília e o Wilker do Nordeste. Isso imprime muito nos nossos projetos, essa coisa de ter um pouquinho de artesanato, um pouquinho da cultura nordestina com essa Brasília muito mais monumental”, contou Alex.

No mobiliário, o desenho brasileiro também ganha espaço. Entre os nomes mencionados durante a conversa estão Jader Almeida, Samuel Lamas e Felipe Zorzetto, além de peças de antiquário. A seleção, segundo os autores, reflete tanto referências consolidadas quanto profissionais que eles admiram e acompanham.

Um trabalho amadurecido ao longo dos anos

A participação deste ano também carrega um significado particular para a dupla. Alex e Wilker estão juntos profissionalmente há 14 anos e chegaram à sexta participação na CASACOR. A estreia ocorreu em 2015, experiência que os dois ainda apontam como uma das mais marcantes da trajetória.

Naquela edição, recordam, decidiram incorporar o grafite ao projeto em um período em que a arte urbana ainda aparecia com menos frequência dentro de residências e mostras de arquitetura. Mais de uma década depois, observam como essa linguagem passou a ocupar casas, restaurantes, estabelecimentos comerciais e diferentes espaços da cidade.

Se a primeira participação guarda o peso da descoberta, o Espaço Entre representa, para os dois, o amadurecimento do escritório. Menos elementos arquitetônicos competem pela atenção e mais espaço é dado àquilo que consideram essencial: arte, mobiliário, memória e personalidade.

No fim, é justamente nessa combinação que está a síntese do projeto. “Eu diria que o Espaço Entre é uma celebração da arte e da arquitetura, caminhando juntas”, definiu a dupla.

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