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JBr Entrevista
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Celina Leão é a segunda sabatinada no JBr Eleições

Governadora busca a reeleição e falou sobre temas como BRB, Operação Drácon e a ampliação da malha do transporte público

Suzano Almeida

02/09/2026 5h00

Atualizada 01/09/2026 18h19

Celina Leão em sabatina do Jornal de Brasília/ Foto: Bruno Alpino

Celina Leão em sabatina do Jornal de Brasília/ Foto: Bruno Alpino

A segunda entrevistada do JBr Eleições, de ontem, foi a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Candidata à reeleição, a chefe do Executivo local falou sobre suas propostas para caso permaneça no comando do DF, como melhorias no transporte, ampliação da rede de saúde, realização de novos concursos e a revisão de contratos com as empresas do sistema de transporte público, para a implantação da tarifa zero. Celina anunciou ainda a ocupação do Centro Administrativo, a partir de 4 de setembro.

A senhora pretende rever os contratos com as empresas de ônibus?

Quando eu assumi o governo, a primeira coisa que determinei à Secretaria de Mobilidade que fizesse uma portaria suspendendo qualquer tipo de reequilíbrio econômico aos contratos vigentes e determinei uma auditoria em todos. Hoje o formato que temos nesses contratos traz inviabilidade financeira ao Governo do Distrito Federal. Foi feito no governo Agnelo Queiroz (PT) e todos os governos fizeram esse reequilíbrio. Fui a única governadora que determinei a paralisação deles. Pedimos a auditoria para saber como esses contratos podem ficar de pé sem trazer tantos gastos aos cofres públicos.

E como a senhora pretende melhorar o transporte para o usuário?

Hoje trabalhamos para implementar a tarifa zero, pois o custo é tão alto que a minha perspectiva é que, com esse custo, consigamos pagá-la. Os estudos ainda não foram finalizados e eu ainda não tenho essa resposta. A auditoria ainda está em curso, porque precisamos verificar, pois o contrato em si é questionado em várias instâncias judiciais, a autora de algumas delas fui eu, quando ainda era deputada distrital, e por parte do Estado é impagável.

A CLDF está questionando o projeto com R$ 500 milhões para as empresas de ônibus. Por quê?

O orçamento estava sendo feito de forma errada, com falta para a parte orçamentária. Não estou falando da parte financeira, que é o pagamento em si, mas a parte orçamentária não tinha. Então você fez um orçamento que não era verdadeiro. Ano passado ele já custou R$ 2 bilhões. Como é que eu só tinha R$ 1 bilhão para este ano? Então faltava orçamento para a gente custear aquilo que está no contrato. Eu não posso descumprir contrato; eu teria um caos hoje no transporte público, a paralisação desse serviço público. Nós estamos repondo a parte orçamentária.

A compra de um embrião junto com o dono de uma das empresas compromete a relação com essa prestadora?

Eu acho que os meus adversários não têm o que falar de mim. Porque foi uma compra pública, feita em um leilão público. Eu não comprei de nenhum empresário. Pode procurar em qualquer junta comercial se eu sou sócia de algum empresário de transporte. A compra está na minha prestação de contas, no meu Imposto de Renda: R$ 200 mil para pagar em 30 meses. Eu não estou recebendo, não estou vendendo para alguém ter comprado de mim; eu estou comprando. Paguei com o PIX do meu celular, está lá. Então eles não têm o que falar, é criar uma polêmica em cima daquilo que não é verdadeiro. Não tem essa história, essa lenda que eles querem colocar como verdadeira, como várias outras que têm feito contra a gente.

Quais políticas para as mulheres o DF ainda pode avançar?

Acho que a primeira coisa em que precisamos trabalhar é para que as mulheres procurem ajuda para sair do ciclo de violência. Pesquisa aponta que 25% das mulheres entrevistadas ainda viviam sob violência com seus companheiros. E por quê? Autonomia financeira; foi a resposta que achamos. Queremos que essas mulheres tenham, no nosso governo, uma alternativa para ter autonomia financeira e sair da violência. Estamos com cursos como o Renova e o Qualifica, nos quais hoje 70% da permanência é de mulheres. Mas eu quero também ampliar um pouco mais para o mercado feminino, com formação na área da beleza; estamos com o nosso projeto também para a construção da Cidade da Beleza.

Como essas mulheres podem se emancipar?

O que preciso hoje é que a mulher tenha coragem de denunciar. As mulheres que sofrem o crime mais brutal da violência, que é o feminicídio, muitas vezes têm medo de denunciar. Nós saímos de 15 para 30 equipamentos, além de quatro Casas da Mulher Brasileira. Tenho um programa de aluguel social: se a mulher estiver convivendo com o agressor e com medo de sair de casa por conta das crianças.

Em um próximo governo, como será tratada a saúde?

Quero falar para a população que estou mudando a forma de se olhar para a saúde. Se continuarmos fazendo tudo o que os ex-governadores fizeram em todas as campanhas, nada muda. Quero relembrar o começo do governo Arruda: ele tinha uma fila de 15 mil cirurgias e, depois de dois anos, continuava com a mesma fila estampada na capa do jornal do Distrito Federal. Abri a fila de cirurgias, tínhamos 33 mil acumuladas. Contratamos 20 mil cirurgias no setor privado para agilizar essa fila. Estou com quase 9 mil pessoas já operadas em menos de quatro meses de gestão. Eu não trabalho com a ideia de “zerar a fila”, porque a fila é dinâmica e cresce todo dia; eu trabalho com a redução do tempo de espera. Estamos trabalhando, para deixar os hospitais públicos voltados para a alta complexidade. Por isso mandei o projeto de lei do SUS Candango para a Câmara, que possibilita realizar cirurgias de média e baixa complexidade na rede privada, pois são mais baratas, liberando nossas unidades públicas para a alta complexidade, urgência e emergência.

A senhora sabe quanto vai custar aos cofres do DF?

Temos uma previsibilidade: custaram mais ou menos R$ 100 milhões estas cirurgias e consultas que estamos realizando. Ao todo, são 200 mil procedimentos, consultas e exames, o que diminui o tempo de espera. Não estou entrando no mérito do modelo de gestão, mas no controle da gestão. Terei um sistema que vai monitorar desde a Unidade Básica de Saúde (UBS), que é onde de fato começa a saúde pública. A pessoa não pode ter que buscar uma UPA sendo que poderia ter o médico perto de casa. Contratei 114 médicos para as UBSs. Estamos construindo sete novas UPAs, entregando cinco este ano. Quando ampliamos essa estrutura, poderemos atender mais 700 mil pessoas. Entregaremos UPAs em locais que não tinham, como Taguatinga, Água Quente, Sol Nascente, Estrutural e Arapoanga (esta última entrego no ano que vem).

O DF teve o pior índice de educação do país. Como reverter esse quadro?

O ocorrido no IDEB foi uma falta de planejamento de aprendizagem, e é isso que vamos reverter. Troquei o comando da Secretaria de Educação e trouxe um perfil técnico para essa missão. Outra meta do meu governo é a escola em tempo integral. Como já conseguimos zerar a fila das creches, podemos avançar para a etapa da escola integral, investindo diretamente na aprendizagem. Também estou substituindo professores temporários por concursados: mais de 2.600 profissionais serão trocados neste momento, e abriremos um novo concurso público em setembro para docentes efetivos. Não troco todos de uma vez porque não há banco de reserva suficiente, motivo pelo qual faremos o concurso.

O que será feito para a recuperação do ensino?

Vamos investir pesado em aprendizagem. Tenho recebido os profissionais no Palácio, escutado as demandas, investido na infraestrutura das escolas e no reforço pedagógico para que os alunos estejam preparados nas avaliações. O Distrito Federal é rigoroso: reprova-se o aluno que fica em duas matérias. Não adianta estar em primeiro lugar no IDEB aprovando alunos sem conhecimento. Queremos que nossos estudantes realmente aprendam e, consequentemente, melhorem a nota no IDEB.

Os seus adversários ainda usam a Operação Drácon contra a senhora. Como tem lidado com isso?

Aquela acusação começou porque eu abri uma CPI para investigar o governo [Rodrigo] Rollemberg (PSB), após o vazamento de uma gravação do vice-governador afirmando que o governador pedia 30% de propina. Fui retaliada pelo governo da época, sofri um processo e fui absolvida em primeira instância. Sou a única política gravada dizendo que não queria nada e que ainda assim sofreu processo. Minha preocupação com a Operação Drácon é zero. Fui absolvida em primeira instância; o processo seguiu seus trâmites e a absolvição se mantém. Essa narrativa dos opositores é uma falácia.

Em quais áreas a senhora pretende realizar concursos e efetivar nomeações?

Já temos vários concursos em andamento com cadastro de reserva, mas queremos investir fortemente na segurança pública: chamar mais policiais civis e policiais penais, pois quero colocar 100% da mão de obra dos presídios para trabalhar. Também queremos chamar mais profissionais da saúde. Devo enviar um projeto à Câmara Legislativa para prorrogar o concurso dos enfermeiros devido às restrições do período eleitoral. Todas as áreas essenciais — Saúde, Segurança e carreiras típicas de Estado — receberão reforços, pois precisamos desses profissionais para melhorar a arrecadação e a gestão. Os servidores públicos podem ficar tranquilos, pois temos o compromisso de prestar o melhor serviço ao cidadão.

Qual é a situação do déficit dos cofres do DF?

Quem não sabe o valor correto do déficit são os meus adversários, que falam sem conhecimento. Bastaria ler o Diário Oficial e consultar o Portal da Transparência, onde todos os dados são públicos. A previsão é encerrarmos o ano com R$ 3 bilhões de superávit, se mantivermos o ritmo atual. Precisei fazer cortes porque assumi com R$ 5 bilhões de desequilíbrio, mas cortei o custeio da máquina pública e contratos de prestação de serviços, sem aumentar impostos. Publiquei três decretos de adequação orçamentária para priorizar as áreas essenciais.

A senhora vai ocupar o Centro Administrativo? Quando?

No dia 4 vamos começar a ocupar o Centro Administrativo (CAD). Vamos economizar mais de R$ 160 milhões em aluguéis. Fizemos reformas para ocupar os 30% permitidos pelo alvará atual, enquanto executamos os projetos básicos de dois viadutos para liberar a ocupação de 100%. A ida do CAD para lá vai reaquecer o comércio de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, além de contar com acesso direto ao metrô.

A senhora fará investimentos no metrô?

Abrimos uma licitação para a compra de 15 novos trens — o que não ocorria desde a criação do metrô —, com encerramento previsto para o dia 15. Mas apenas a compra dos trens seria insuficiente, pois o sistema operacional, os softwares e a parte de energia são antigos e precisavam de modernização total. Hoje mesmo abrimos a licitação para a modernização de todo o sistema do metrô, um investimento de R$ 1,7 bilhão. Somando aos R$ 900 milhões dos novos vagões, são investimentos históricos. Na prática, o usuário terá trens novos, menor tempo de espera e um sistema confiável. Aumentamos os recursos para a manutenção da malha e mantemos um diálogo franco com os metroviários. Além disso, finalizamos as licitações de R$ 1,2 bilhão para a expansão do metrô: duas novas estações em Ceilândia (3 km) e a expansão em Samambaia (2,5 km).

A senhora fará a expansão para outras regiões?

Concluímos o estudo de viabilidade técnica da Linha 2, que sairá da Asa Sul passando por Candangolândia, Riacho Fundo 1 e 2, Recanto das Emas, Gama e Santa Maria, com capacidade para transportar 700 mil pessoas. Na Região Norte, devido à topografia, a opção técnica adotada será o BRT.

O BRB corre o risco de ser liquidado?

O BRB não corre risco nenhum de ser liquidado. Temos várias alternativas e estamos trabalhando para mantê-lo 100% público. Estamos estruturando operações de captação junto a bancos com base no acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF). O período eleitoral acaba gerando especulações desnecessárias, mas o BRB sairá ainda mais fortalecido dessa crise. É um banco fundamental para a população do DF: administra nossos programas sociais, a previdência dos servidores (Iprev) e conta com 12 milhões de correntistas. Todos podem ficar tranquilos. Dialogamos constantemente com o Banco Central e, no Supremo, cobramos mais agilidade do Governo Federal no cumprimento dos termos pactuados.

O que será feito para conter o avanço do crime organizado no DF?

Não podemos retroceder na segurança pública. Abrimos delegacias, contratamos pessoal, reestruturamos as carreiras salariais e estamos construindo novos quartéis e delegacias. Temos o programa DF 360, desenvolvido pela nossa própria Secretaria de Segurança, com mais de 15 mil câmeras monitoradas. Alcançamos os melhores índices de segurança do país entre as capitais. Não estou acomodada, pois ainda há furtos e ocorrências a combater, mas trabalhamos para reduzir ao máximo a criminalidade no Distrito Federal.

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