O convidado desta edição do JBr Entrevista é o radialista, apresentador de televisão e deputado federal Fred Linhares (Republicanos-DF). Tendo dedicado sua vida a área de comunicação, o parlamentar que deverá confirmar sua tentativa de reeleição nos próximos dias, fala sobre como levou sua experiência do contato com a população para as atividades no Congresso Nacional.
Linhares fala, ainda, sobre as especulações em torno de seu nome, que chegou a ser ventilado para a disputa de cargos majoritários e sua atuação parlamentar na segurança e na saúde do Distrito Federal e do Entorno.
Antes da política, você se dedicou à comunicação. Como se deu isso?
São poucos os que não me conhecem, mas gosto sempre de me apresentar como o filho do Silvio Linhares. Meu pai esteve aqui em Brasília por 30 anos como radialista, e eu herdei o jornalismo dele. Meu pai faleceu em 2011 e, de lá para cá, assumi o programa de rádio dele, fui para a televisão e, da televisão, vim para a política.
O que o senhor pode levar da TV e do rádio para o seu mandato?
Eu comecei tudo isso com o meu pai. Ele apresentava um programa de rádio na rádio chamado Na Polícia e nas Ruas, que é o mesmo que faço até hoje. Lá no programa, ele tinha uma atuação comunitária muito forte, diariamente. Era gente pedindo consulta médica, remédio, cama, cesta básica, tudo o que você possa imaginar. A gente fazia um trabalho social imenso. Acompanhando aquelas duas horas de programa, eu pensava: “Falta algo em Brasília.” Precisávamos ajudar a cidade na área da saúde, que é extremamente problemática, e na área de segurança pública. O povo acha que Brasília é muito difícil hoje, mas quando comecei, há 20 anos, a cobrir a área policial no Distrito Federal, era muito mais difícil.
E como foi manter o legado?
Quando meu pai faleceu, continuei esse trabalho social na rádio com doações, na medida do possível. Como a fila na rádio era gigante todos os dias, organizei o processo: toda quarta-feira passamos a ler cartas. A pessoa traz sua história e suas necessidades, eu leio ao vivo e peço ajuda aos ouvintes. Várias clínicas — de ortopedia, nefrologia, cardiologia — e pessoas comuns ajudam com exames e doações. Quando atingimos a liderança de audiência no rádio, percebi que precisava de outro veículo para alcançar mais gente. Em 2012, fui para a televisão justamente com esse objetivo. Na TV, consegui enxergar ainda mais de perto as necessidades de Brasília.
Na sua visão, qual sua principal bandeira nos meios de comunicação?
A segurança pública é o meu legado, é o que faço com muita vontade. Investi mais de R$ 20 milhões na segurança do DF: comprei viaturas para a Polícia Civil, Polícia Militar e PRF (incluindo viatura blindada), armamentos e fuzis para a PRF, e até equipamentos para a Marinha cuidar do Lago Paranoá. Mas, na TV, vi que a saúde também era um problema gravíssimo. Passei a me dedicar muito a ela. Como parlamentar, indiquei R$ 80 milhões para a saúde do DF no final do ano passado e, até julho de 2026, destinei mais R$ 36 milhões. É no jornalismo que vou descobrindo essas demandas.
Qual área ainda o incomoda hoje no Distrito Federal?
O que mais incomoda hoje no DF não é a estrutura da segurança, da saúde ou da educação em si, mas a falta de pessoal. Se você reparar, temos grandes hospitais. O hospital de bairro, o de Santa Maria, o do Gama, todos salvam muitas vidas. O que nos debilita é a falta de médicos e de profissionais. E por que faltam profissionais? Muitas vezes por baixa remuneração. Existe um teto e uma média nacional para pagar o funcionário público da saúde. Por mim, acabaríamos com essa limitação para pagar salários melhores. Hoje faltam médicos na rede pública porque poucos querem trabalhar por essa remuneração, em locais onde às vezes faltam insumos e onde se vê pessoas morrendo todos os dias. Não há dinheiro que pague o desgaste de ver a morte de perto diariamente sem ter condições de trabalho.
O senhor tem uma história pessoa sobre isso.
Passei alguns meses na UTI acompanhando meu pai quando ele teve câncer. Parecia uma esteira de produção [de óbitos], dá até arrepio: era o meu pai internado e ao lado saindo corpos. Como trabalhar assim sem uma boa remuneração ou sem qualidade de trabalho?
E quais outras áreas o senhor destaca?
Na segurança, nossa Polícia Militar é uma das mais bem treinadas do Brasil. O pessoal do Rio de Janeiro e de São Paulo vem treinar com o nosso BOPE, e o esquadrão antibombas do DF é o melhor do país. Na educação, a questão também é remuneração e pessoal. Vários colégios foram reformados e estão bem estruturados. Em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, colocamos computadores em várias escolas. No entanto, faltam professores. E faltam porque a profissão está difícil: a garotada não respeita mais, e há muitos professores afastados com problemas psicológicos e psiquiátricos. A gestão pública precisa cuidar das pessoas. Não adianta construir uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Itapoã, no Del Lago, no Paranoá, em Santa Maria ou no Gama se não houver profissionais para trabalhar dentro delas. Temos que investir nas pessoas.
O senhor chegou a ser ventilado para o Governo do Distrito Federal. Em algum momento o senhor teve esse desejo de ser governador?
Eu tenho muita vontade de atuar no Executivo, mas acho que tudo tem o seu momento. Não adianta assumir o Executivo sem bagagem e experiência. Hoje, faço questão de explicar em todas as comunidades que visito: sou um deputado federal, pertenço ao Poder Legislativo e faço leis para o país inteiro. Muita gente confunde o papel do deputado com o do gestor local. Quero chegar ao Executivo, mas prefiro fazer isso com mais experiência, para realmente entregar soluções. Fiquei feliz em ver meu nome ser lembrado nas pesquisas, mas não me empolgo com isso. Continuo trabalhando focado no meu mandato de deputado federal. Se no futuro as pessoas lembrarem do meu nome, ótimo, mas agora não é o momento.
Quando o nome de vice do Republicanos ainda era uma dúvida, não chegou aquele “bichinho da política” sugerindo que aceitasse?
Muita gente dizia: “Fred, vem para governador” ou “Fred, vem para o Senado”. Mas não funciona assim. Nós pertencemos a um partido que possui diretrizes nacionais. Não podemos pensar apenas no Distrito Federal, mas sim no contexto do Brasil: onde o Republicanos vai apoiar determinado candidato à Presidência, aos governos estaduais ou ao Senado.
Recentemente saiu uma pesquisa em que, sem o nome da Michelle Bolsonaro, o meu aparecia em primeiro lugar.
Fico orgulhoso, mas também preocupado, porque o eleitor pode se confundir. Eu quero continuar como deputado federal, mas não decido sozinho. Não posso chegar ao partido e exigir legenda para governador, vice ou senador. Isso depende de uma composição nacional. Hoje, o Republicanos tem a minha candidatura consolidada para deputado federal. Na política as coisas mudam rápido, mas estou disposto a seguir a orientação partidária. Isso. Até o dia 5 de agosto, os partidos precisam oficializar as candidaturas de deputados federais, distritais, senadores, governadores e vices. Até o dia 16 do mês seguinte ainda podem ocorrer ajustes jurídicos, mas os nomes principais são definidos até o dia 5.
Se sobrar uma vaga na chapa majoritária, o senhor aceita o desafio?
Olha, você vai ter que ir lá no partido conversar com eles sobre isso! (risos)
O governo federal enviou ao Congresso um projeto para aumentar impostos sobre os mais ricos, e o senhor votou contra. Qual foi a orientação do seu partido e a sua posição pessoal nessa votação?
No Congresso, temos as orientações partidárias. Em determinados momentos, o partido fecha questão e o voto do líder representa a bancada. Naquela votação, discutiu-se muito sobre a tributação dos mais ricos versus a dos mais pobres. Fala-se muito da classe trabalhadora com renda até R$ 5 mil, mas precisamos olhar para os empregadores. Em Brasília temos um funcionalismo público forte e vários ministérios, mas no restante do Brasil os empregos estão na iniciativa privada. Se sufocarmos o empresário com mais impostos, ele não consegue manter os postos de trabalho e acaba substituindo mão de obra por tecnologia. Pensamos muito em proteger quem gera empregos ao definir essa posição.
O senhor condenou veementemente a destruição dos prédios públicos no 8 de janeiro, mas, em seguida, defendeu a anistia. Por que desses posicionamentos diferentes?
É curioso como rotulam projetos. Esse tema não chegou à Câmara formalmente batizado como “Projeto de Anistia”; esse nome ganhou força nas redes sociais e na imprensa. O que eu defendi desde o primeiro momento foi a dosimetria da pena. Não podemos punir da mesma forma quem estava apenas no gramado assistindo à confusão e quem de fato invadiu, quebrou salas, destruiu vidraças e depredou patrimônio histórico. Houve dezenas de pessoas condenadas a penas de 15 a 17 anos de prisão. De onde tiraram esse valor de pena para quem passou batom em uma estátua ou para quem estava na grama? Portanto, não defendi impunidade, mas sim a dosimetria justa, como funciona para qualquer outro crime. Se duas pessoas saem em um carro para cometer um homicídio, o motorista não recebe a mesma pena daquele que efetuou os disparos. Foi a individualização e proporcionalidade das penas que eu defendi.
Seu partido indicou neutralidade nas eleições presidenciais. Como o senhor avalia a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro?
O Flávio Bolsonaro vem se posicionando de forma muito forte há alguns meses como pré-candidato à Presidência. Como a direita estava sem um nome definido, ele assumiu essa liderança. Era previsível que sofresse forte oposição e tivesse sua vida devassada, que é o que acontece com quem se expõe na corrida presidencial. Cabe a ele definir suas estratégias daqui em diante. A intenção do Republicanos é se afastar de embates pessoais que não dizem respeito aos projetos do partido. Não queremos entrar na disputa pessoal entre candidaturas. Quando o debate for sobre ideologia e propostas para o país, o Republicanos sentará para conversar. O uso de inteligência artificial, ataques em redes sociais e relatórios policiais sobre impulsionamento não fazem parte da política que queremos praticar.
O senhor apresentou um projeto para aumentar as penas de quem picha ou afixa cartazes indevidos no DF. Esse projeto realmente soluciona o problema?
Eu defendo a punição quando a conscientização e a educação não funcionam. Hoje mesmo comentei na minha transmissão diária na internet sobre quatro casos de estupro (três envolvendo menores) e um feminicídio noticiados em um único dia. Na Câmara, batalhamos e conseguimos aumentar a pena máxima geral para feminicídio de 30 para 40 anos. O agressor já senta diante do juiz sabendo que cumprirá uma pena severa. Mesmo assim, os índices ainda são altos, o que mostra que a impunidade precisa acabar. No caso do patrimônio, gastam-se milhões de reais para reparar prédios públicos pichados. O pequeno e microempresário em Taguatinga, por exemplo, mal consegue manter as portas abertas; ele não tem recursos para ficar repintando fachada, comprando tintas ou contratando segurança privada porque picharam seu estabelecimento. Quem comete o ato precisa arcar com as consequências. Bandido é bandido por escolha, independentemente de ter nascido em uma comunidade ou no Lago Sul. Cometeu o crime, tem que cumprir a pena.
Fale sobre seu projeto focado na investigação de casos relativos a suicídios ou supostos suicídios de mulheres.
Muitas vezes, o feminicida comete o crime dentro de casa, onde só estão ele e a vítima. Ele altera a cena do crime, limpa os vestígios e alega que a mulher se suicidou. Nas delegacias, temos seções especializadas em crimes violentos que investigam homicídios e feminicídios. O aparato de investigação para feminicídio é muito mais amplo e detalhado. O meu projeto estabelece que, quando uma mulher for encontrada morta em casa e houver a alegação de suicídio, a polícia deve investigar obrigatoriamente sob o protocolo de feminicídio até que essa hipótese seja descartada. Tivemos recentemente o caso de um sargento da PM que tirou a vida da esposa, uma capitão da corporação, e alegou suicídio. A polícia investigou a fundo e provou que foi feminicídio. Ele está preso e pode pegar de 20 a 40 anos. O projeto garante que nenhum caso seja encerrado precipitadamente como suicídio sem uma apuração rigorosa.
Gostaria que falasse sobre o projeto da Faixa Azul para motociclistas. Ele realmente reduz acidentes?
Esse projeto é inspirado no modelo implementado em São Paulo, que já é utilizado nas grandes capitais e reduziu drasticamente o número de acidentes. Não é uma invenção sem critério; baseia-se em estudos técnicos. A Faixa Azul organiza o trânsito. Ela é instalada entre as faixas da esquerda e do meio nas vias de grande fluxo, como a EPTG e a Estrutural. Hoje, a maioria dos motociclistas anda no corredor, e muitos motoristas não têm a percepção do ponto cego por não pilotarem moto. A sinalização delimitada educa o motorista e protege o motociclista. O projeto tem o apoio dos motoboys e motociclistas do DF, e vou lutar até o fim para implementá-lo em Brasília e salvar vidas.
