Entre os bolsonaristas do Congresso Nacional prevalece a tese da inevitabilidade da vingança contra o Xandão do STF, por ter comandado o processo que resultou na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os mais raivosos, já se fala até em uma nova invasão seguida da ocupação da Mesa Diretora do plenário do parlamento brasileiro, para forçar a imediata tramitação do pedido de impeachment que apearia o ministro Alexandre de Moraes da Suprema Corte Brasileira. Os mais cerebrais, não menos vingativos, defendem que aumentar a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, agora, resultaria em desgaste, com repercussão no processo eleitoral.
Pela percepção desses parlamentares mais comedidos, o impeachment não prosperará enquanto Lula ocupar o cargo de presidente da República. Portanto, estaria fadada ao insucesso qualquer tentativa de confronto com o Presidente do Senado, David Alcolumbre, que já sinalizou desinteresse aos pleitos da oposição contra o STF ou seus ministros.
Pela tese do suposto bolsonarismo cauteloso, todas as baterias devem ser carregadas para o embate previsto para os últimos meses do ano, logo depois do segundo turno da eleição, contando, claro, com uma derrota de Lula na eleição presidencial.
Para os defensores de Alexandre de Moraes no Congresso Nacional, contudo, a questão está controlada. Esse grupo, majoritariamente governista, aposta que Lula será reeleito, não havendo risco da instalação de um processo de impeachment para o Ministro Alexandre de Moraes. Mas, reservadamente, todos admitem que uma eventual derrota de Lula resultaria numa profusão de atos de instalação de processos de impeachments de ministros do STF no Senado.
Mesmo para aqueles que não aceitam a hipótese da derrota de Lula, está claro que uma vitória de Flavio Bolsonaro tem tudo para iniciar a derrubada de Alexandre de Moraes e Dias Tóffolli no STF, ainda este ano. Os bolsonaristas, inclusive, segundo rumores, teriam fechado uma lista ampliada de processos de impeachments para ministros do STF na próxima legislatura, contando com a confirmação da eleição de 20 novos senadores pelo PL, o que garantiria ao partido de Valdemar Costa Neto a maior bancada do Senado. Segundo fontes do PL, o bolsonarismo patrocinaria uma ampla reforma na Suprema Corte, na medida em que, com o afastamento de ministros em processos de impeachment, Flávio Bolsonaro teria a oportunidade de nomear até 4 Ministros em um eventual mandato presidencial.
O Senado hoje acumula pedidos de impeachments contra o ministro Alexandre de Moraes, protocolados desde 2021. O pedido mais emblemático e robusto da oposição foi entregue em 9 de setembro de 2024, ao então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, com o apoio de mais de 150 deputados federais, além de assinatura de dezenas de senadores. O pedido baseou-se em alegações de abuso de autoridade, violação de direitos constitucionais e o uso não oficial de órgãos do TSE para embasar inquéritos no STF. Mas como Tudo isso aconteceu antes da notícia de que o escritório da esposa de Alexandre de Moraes tinha um contrato milionário com o banco Master, o Senado abriu esta semana com um novo pedido de impeachment contra Moraes. Essa versão, revista e ampliada, veio com base nas notícias de supostas trocas de mensagens e encontros entre o ministro do STF e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Neste turbilhão, com 35 assinaturas, o senador Alessandro Vieira protocolou pedido para abertura da “CPI da Toga” no Senado. Inserido dentro de uma agenda de cautela eleitoral, o presidenciavel Flávio Bolsonaro preferiu esperar pela confirmação do número mínimo de assinaturas necessárias para aderir à apresentação desse pedido de CPI, com a inclusão do nome do 29° senador no requerimento.
A oposição do Senado garante manter a fervura na alta, valorizando a posição do presidente do Senado, David Alcolumbre, que segue com a palavra final sobre os pedidos de impeachment e abertura de CPIs. Uma panela de pressão que tem tudo pra mudar de lado já em outubro, no caso de uma derrota do presidente Lula.