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Bastidores
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A ditadura dos algoritmos

Vladimir Porfírio

21/10/2026 5h38

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Meta, dona do Instagram, facebook e WhatsApp pediu uma reunião com o ministro Marco Aurélio Bellizze do TSE para apresentar provas de que não favoreceu candidaturas em 2026. A Meta, que faturou mais de R$290 milhões nesta campanha até agora, atendeu ao chamado do TSE mas as suspeitas não foram dirimidas.

Para quem encara a medida como atentado às liberdades, cabe esclarecer que até a ditadura militar estabeleceu regras públicas de padronização da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, para garantir igualdade de oportunidades.

Em 1976, o governo do general Ernesto Geisel criou a chamada Lei Falcão, que praticamente eliminou o discurso político dos candidatos na televisão, restringindo sua apresentação a fotografias, nomes, números e informações biográficas.

A medida previa igualdade formal imposta por uma legislação autoritária, acusada de favorecer o regime. Mas havia transparência, na medida em que todos conheciam as restrições e podiam verificar o formato da propaganda que era 100% gratuita para todos.

Hoje, numa democracia, mensagens e conteúdos das redes sociais custam mais de R$300 milhões mercantilizando o voto, segundo critérios escondidas atrás do segredo empresarial que responde pelo nome de algoritmo.

Uma ditadura privada que, aliás, só existe porque as redes sociais não estão sujeitas ao regime de concessão e suas regras disciplinadoras, como acontece com emissoras de rádio e TV.

Nessa pegada, caso confirmadas as suspeitas, a democracia brasileira pode estar sendo manipulada antes mesmo de o eleitor chegar à urna. Não pela adulteração dos votos, mas pelo controle silencioso daquilo que milhões de brasileiros podem ver, compartilhar e acreditar nas redes sociais.

Um analista de sistemas que já trabalhou para redes sociais, ouvido sob compromisso de sigilo, sustenta que a arquitetura dos algoritmos permitem estabelecer diferenças prévias para propagação de conteúdos. Algo como a alta propagação recente dos conteúdos com críticas ao STF.
A informação ainda depende de comprovação independente. Mas a fonte garante que as evidências são escandalosas.

Praticamente ninguém dispõe de acesso suficiente aos mecanismos internos para realizar uma auditoria independente e abrangente.

O caso recente envolvendo a inteligência artificial do WhatsApp pode ser apenas a ponta do iceberg. O A Justiça Eleitoral foi acionada depois que testes apontaram tratamento desigual na geração de materiais eleitorais. A ferramenta recusava pedidos de cartazes e bandeiras para Lula, alegando restrições automáticas, mas atendia a solicitações semelhantes para Flávio Bolsonaro. Algo que repete o sentido das denúncias da ex-gerente do Facebook Frances Haugen e do cientista da computação Jaron Lanier, pioneiro da internet, dezenas de outros ao redor do planeta.

A Meta atribuiu tudo a inconsistências e falhas técnicas e nega favorecimento político.

Trata-se das suspeitas dentro de um negócio gigantesco, sustentado por candidatos e partidos que não dispõem de instrumentos independentes suficientes para auditar aquilo que compram.

É a ditadura digital em sua expressão mais arrogante. O vendedor controla a mercadoria, estabelece as regras, mede o resultado e ainda reivindica o direito de esconder os critérios utilizados.

A Meta não estaria debaixo de Vara da Justiça Eleitoral caso já existisse auditorias independentes, transparência sobre alterações relevantes nos algoritmos, critérios verificáveis de distribuição da propaganda e mecanismos de responsabilização por eventuais favorecimentos.

O caso do WhatsApp pode ser apenas a parte visível de um problema muito maior. Mas está claro que com rede social paga em campanhas, o poder econômico prevalece.

Sem uma regulamentação que garanta transparência e isonomia nas redes sociais, a democracia brasileira troca a censura dos generais pela ditadura dos algoritmos.

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