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A derrota de Flávio e a vitória de Lula

O presidente Lula tem tudo para sair dessa disputa reeleito. Mas a derrota de Flávio Bolsonaro está longe de traduzir uma vitória de Lula.

Vladimir Porfírio

05/08/2026 5h00

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Foto: Daniel Ramalho/AFP

Lula precisará de mais que vantagem eleitoral para um desfile que, na rampa do Palácio do Planalto, ostente os fartos louros que coroavam generais vencedores e campeões em jogos olímpicos da Grécia antiga.

Em Brasília, todos reconhecem que o filho 01 surgiu no horizonte como adversário sob medida para reeleger Lula. Antes mesmo da descoberta do áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava do banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro em cifras bilionárias, o PT já comemorava a chance de uma disputa eleitoral na matemática da candidatura menos rejeitada.

Portanto, a responsabilidade política da presumível reeleição de Lula recairá sobre a pré-candidatura do senador fluminense.

Isolado, Flávio Bolsonaro arrasta o PL para o abismo de uma eleição em que não poderá contar com partidos robustos numa coligação nem, ainda, com um nome de expressão para o cargo de vice na chapa. A 24 horas do prazo final, sem um nome de outro partido para a composição, o anúncio de um vice do PL para Flávio Bolsonaro tem tudo para ser um sanduíche de pão com pão.

Por uma ironia do destino, nesta demanda por um vice, Michelle Bolsonaro talvez seja a única opção que agregue valor numa chapa puro-sangue do PL. Justo Michelle, que confessou ter vivido maus momentos nas mãos de Flávio Bolsonaro.

Desde o caso das rachadinhas, a imagem do 01 jamais conseguiu cunhar a aparência de novidade. O passivo do pré-candidato do PL foi ampliado pela proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, com dinheiro para o projeto do filme sobre seu pai, agravado pelo desgaste que resulta do efeito contrário apurado na propaganda em cima da proximidade da família Bolsonaro com o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, que, agora, avança sobre os ganhos dos exportadores brasileiros.

Com o filho 01 na disputa polarizada, a eleição de 2026 confirma a natureza plebiscitária, tendo Flávio Bolsonaro como beneficiário da rejeição da parte do Brasil que não tolera Lula. Mas, de outro lado, com vantagem para o candidato petista, a gigantesca rejeição a Flávio Bolsonaro funciona como senha para a vitória eleitoral do PT.

Jogo feito, com as cartas da mesa de hoje, Lula não perde. Mas também não ganha. Num quarto mandato sem sustentação parlamentar sólida, Lula segue amargando derrotas, tendo as decisões do Supremo Tribunal Federal como tábua de salvação eventual.

Os louros da vitória dependem da capacidade criativa de Lula para desenrolar situações ameaçadoras, como aquela que trava a produtividade, o crescimento e a renda do Brasil com uma taxa Selic de 14,25% ao ano. Algo que, em pouco tempo, pode comprometer a capacidade do governo de honrar seus compromissos discricionários.

No governo Itamar Franco, que trouxe o redentor Plano Real, o estoque da dívida pública era incomparavelmente menor em termos nominais e relativos, com aproximadamente R$ 63,3 bilhões. Esse mesmo endividamento hoje supera a casa dos R$ 10 trilhões, deixando o governo descalço em cima de uma cama de pregos.

Em números redondos, estamos falando de cerca de R$ 1 trilhão do governo para o pagamento dos juros nominais só em 2025. Uma soma 2,4 vezes maior do que toda a folha de pagamento da União, que custa cerca de R$ 416 bilhões por ano.

É dinheiro suficiente para lembrar que cada ponto percentual de aumento no custo da dívida representa menos capacidade de investimentos, geração de empregos, renda, infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Mas, para um inédito cavalo de pau nesse caso, Lula teria de enfrentar o mau humor da avenida Faria Lima.

O fato é que a vitória eleitoral do PT na eleição presidencial de 2026 não garante os louros de uma vitória política ampla. A reeleição sempre será lembrada pela fragilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Mas também é verdade que uma eventual derrota de Lula, sentado no cargo de presidente, para um candidato como Flávio Bolsonaro, seria a total desmoralização.

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