Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Hélio Doyle

Secretaria de Cidades será só um aparelho político

Por Arquivo Geral 06/09/2016 7h00

O governo de Brasília está criando mais uma secretaria, a de Cidades. O objetivo declarado da nova secretaria é o de coordenar as administrações regionais. Mas, segundo a coluna Do Alto da Torre, deste Jornal de Brasília, “a nova Secretaria de Cidades nascerá com o objetivo de dar mais visibilidade aos projetos do governo Rollemberg”.
O futuro secretário Marcos Dantas, diz a coluna, quer que “a pasta seja a ponte entre a população e todos os serviços que a gestão Rollemberg tem à disposição” e “buscará estreitar laços com associações comunitárias, igrejas e empresários”.
Ou seja: a Secretaria de Cidades vai repetir atribuições da Casa Civil, que tem uma subsecretaria para cuidar das relações institucionais e outra para articular os movimentos sociais, e da coordenação de comunicação vinculada ao gabinete do governador. E ainda vai ocupar espaços que teriam de ser de cada administração regional.
O que o governo está fazendo, na verdade, é construindo um aparelho político para o PSB, o partido do governador, e para seu ex-presidente Marcos Dantas.

Coordenação do incoordenável

As administrações regionais sempre tiveram um órgão para coordená-las tecnicamente, nunca politicamente. Com denominações e níveis diferentes: secretarias, subsecretarias ou coordenadorias. O atual governo optou, por motivos políticos, em dividir essa coordenação entre o vice-governador, a Secretaria de Gestão do Território e Habitação e a Secretaria de Infraestrutura. Como se esperava, não funcionou.
Mas, antes de criar uma estrutura burocrática para fazer essa coordenação, o governo deveria é definir com clareza o que o novo secretário vai coordenar, exatamente. Porque tudo indica que, nada mudando na estrutura das administrações regionais e com os seus titulares indicados por políticos – e de outros partidos –, o secretário e seu adjunto, ambos do PSB, não vão coordenar nada.
Até porque, tecnicamente, nenhum dos dois tem perfil para isso.

Redundância cara e dispensável

É óbvio que todos os órgãos da administração devem se preocupar em dar visibilidade aos projetos do governo. Para isso existem os secretários, os administradores regionais e os dirigentes de empresas e autarquias, com seus assessores de comunicação, além da própria área de comunicação e interação social do governo. Não é preciso um secretário de Cidades para isso.
A “ponte” entre a população e os serviços prestados pelo governo deve ser cada administração regional, e não uma secretaria situada acima delas. Cada administração regional é que também deve estreitar laços com a sociedade – e para articular isso já existe uma área específica na Casa Civil.
O governo de Brasília já tem secretarias demais e vai criar mais uma para fazer o que outras já fazem.

Infla um e esvazia o outro

A criação da Secretaria de Cidades é uma decisão política com dois objetivos: fortalecer o PSB e seu ex-presidente Marcos Dantas e enfraquecer o PSD e o vice-governador Renato Santana.
Por razões mais que justas e compreensíveis, o governador não confia mais em seu vice e quer esvaziar e enorme e inútil estrutura por ele montada, com 177 servidores no gabinete, ao custo mensal de cerca de R$ 900 mil. Mas o que deveria fazer é simplesmente extinguir a maioria desses cargos, deixando o vice-governador com uns 15 assessores, mais do que suficientes para dar a ele algum suporte. E não transferir esses servidores para a nova e dispensável secretaria.

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O tempo de TV está na origem

O governador Rodrigo Rollemberg disse, na entrevista ao Correio Braziliense (em que disse não considerar que o impeachment foi um golpe), que o vice-governador Renato Santana foi escolha do PSD.
A pergunta: E a escolha do vice foi sua?
A resposta: Foi do PSD.
É verdade, Renato Santana foi escolhido para o cargo pelo presidente do PSD, agora deputado federal Rogério Rosso. Mas o governador, como qualquer candidato ao governo faz, poderia ter recusado a indicação, ou proposto outro nome do partido.
Rollemberg, porém, aceitou sem relutar, com apoio do então candidato ao Senado, José Antônio Reguffe. Ambos tinham muito medo de perder os dois minutos de televisão que o PSD levava para a coligação.

A família em primeiro lugar

Antes de indicar Santana para o cargo de vice-governador, Rosso apresentou o nome de sua mulher, Karina. Rollemberg, os dirigentes dos demais partidos da coligação e o comando de sua campanha não gostaram da sugestão – poderiam surgir insinuações de nepotismo, embora tecnicamente não fosse, e Karina daria um tom muito socialite à chapa.
Diante dos argumentos, Rosso recuou e indicou Santana. Mas Karina não desistiu da carreira política e tem planos para 2018.

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E se o golpe for aqui?

O deputado Chico Vigilante (PT), não gostou, como seria de se esperar, da afirmação do governador Rodrigo Rollemberg de que o impeachment não foi um golpe. E foi direto:
— Se fizerem com ele aqui na Câmara Legislativa o que fizeram com a Dilma no Congresso, quero ver ele dizer que não é golpe.
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