Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Hélio Doyle

Se denunciarem a extorsão, serão mais

Por Arquivo Geral 22/09/2016 7h00

Duas funcionárias da Administração Regional de Samambaia foram flagradas extorquindo um empresário em busca de alvará. Se todos os extorquidos em todas as cidades fizessem o mesmo, não ficaria apenas nas duas, pois há muitos anos as administrações regionais se especializaram em criar dificuldades para vender facilidades.

Há muita lentidão ainda na emissão de licenças e alvarás e, infelizmente, alguns preferem pagar propinas para liberá-los. Não foi só em nome da descentralização eficiente que houve forte pressão para que o governo de Brasília devolvesse às administrações regionais a tarefa de aprovar projetos.

Os maiores interessados eram os empresários que preferem o caminho da propina para obter liberação rápida e alguns deputados que são “donos” das administrações e servidores a eles ligados.

Tudo como dantes nas administrações

Embora com menos servidores do que nas gestões anteriores, as administrações regionais continuam sendo loteadas entre partidos e distritais e sem funções claramente definidas. Quase todos os funcionários são comissionados, de livre escolha dos políticos.

Com quase dois anos de mandato, o atual governo nada inovou em relação às administrações regionais. Não avançou sequer no cumprimento de um dispositivo da Lei Orgânica: a constituição, em cada região administrativa, de um conselho consultivo de representantes comunitários.

Eleição direta do administrador, ou pelo menos um processo mais democrático e aberto para que a comunidade seja ouvida na escolha, nem pensar.

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Manobra para autoproteção

A deputada distrital Sandra Faraj quer ser presidente da Câmara Legislativa no próximo biênio. Para arregimentar apoios, ela está propondo que sejam arquivadas todas as representações por quebra de decoro contra os suspeitos de receber dinheiro em troca da aprovação de emenda.

É prudente mesmo que se aguarde a conclusão das investigações que estão sendo realizadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para se tomar uma decisão sobre os parlamentares supostamente envolvidos. Até porque outros, além dos cinco suspeitos, podem ser denunciados.

Mas isso não significa enterrar as representações, como quer Sandra Faraj, e é bom lembrar que a Câmara Legislativa já cassou deputado por muito menos do que isso.

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A velha comunicação ataca

O governador Rodrigo Rollemberg foi a São Paulo para o 14º Congresso Brasil Competitivo. Até aí, tudo bem. Mas não precisava levar com ele três jornalistas da comunicação do governo, com gastos de passagens e diárias.

O modelo de promoção de governante, com releases e fotos exaltando o que faz e onde vai, está ultrapassado. Os tempos são outros, a maneira como a população vê isso é diferente. E, afinal, há uma crise financeira, não há?

Dinheiro sobrando no BRB

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O Banco de Brasília abriu pregão eletrônico para comprar cadernos personalizados, no valor de R$ 362.300,00. A comunicação publicada na imprensa não diz para que o BRB quer cadernos personalizados. O BRB também continua pródigo em seus patrocínios: R$ 80 mil para a Casa Cor, evento de decoração de interiores.

O BRB deveria ser obrigado a divulgar a justificativa para seus inúmeros patrocínios e depois um relatório mostrando que benefícios concretos obteve com eles. Mas não adianta falar genericamente em exposição da imagem e relacionamento com potenciais clientes. Isso é retórica vazia.

Muitos patrocínios parecem mesmo é ação entre amigos.

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Natal alegre, mas sem gastos

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É muito bom que o governo de Brasília, a Fecomércio, a Fibra e o Sebrae-DF estejam planejando dar mais animação às comemorações do Natal e do fim de ano. É ótimo também que haja colaboração entre o governo e as entidades empresariais em benefício da cidade. E é boa a ideia de levar a queima de fogos para a Torre de Televisão.

Uma ressalva, porém: o governo não tem de gastar um só centavo com decoração, espetáculos, ou seja, lá o que for. Basta o que gastou com os jogos de futebol olímpico e desfile de tocha sem nenhum retorno significativo para a cidade. E é preciso definir prioridades nos gastos, pois vivemos uma crise, não é?

O poder do dinheiro que destrói

Muita gente não sabia que Brasília deveria ter um outro lago artificial, o São Bartolomeu. Os problemas causados pela seca seriam bem menores, ou nem existiriam, se ele tivesse sido construído.

Mas não foi esse o único prejuízo que tiveram os brasilienses devido à especulação imobiliária e ao desmatamento irresponsável, que contaram com a conivência de sucessivos governos e dos poderes Legislativo e Judiciário. E a cumplicidade de cidadãos ávidos por lucrar.

Talvez um dos melhores exemplos seja a deterioração de Vicente Pires, região de chácaras que seus próprios moradores deixaram que se transformasse em área urbana sem nenhum planejamento e na marra. Os inúmeros problemas de Vicente Pires, que é apenas um de muitos exemplos em Brasília, decorrem da ganância de seus próprios habitantes originais. Hoje todos pagam pela irresponsabilidade dos especuladores.








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