Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Hélio Doyle

Os protetores protegem para serem protegidos

Por Arquivo Geral 30/09/2016 7h00

Todas as corporações protegem seus integrantes, e quanto mais mafiosa é a corporação, maior a proteção. Afinal, o que pega em um agora pode pegar em outro amanhã. Natural, assim, que a Câmara Legislativa tenha engavetado as representações contra os distritais que estão sendo investigados sob suspeita de terem recebido propinas.
Os engavetadores, com o presidente em exercício Juarezão à frente, alegam que precisam esperar as conclusões das apurações do Ministério Público e da Polícia Civil para tomar a decisão de punir ou não seus colegas de acordo com o Código de Ética.
Quem já conhece a Câmara, sabe os próximos passos: se os distritais forem indiciados pela PC, os deputados dirão que é preciso aguardar a denúncia. Se forem denunciados pelo MP, será bom esperar o julgamento. Se condenados pelo TJDFT, ainda faltará o trânsito em julgado.
E assim terminam seus mandatos, a não ser que sejam presos antes.

O critério é a falta de critério

A postura dos distritais para julgar seus pares depende de seus interesses e simpatias. O então deputado Benedito Domingos, preso na Papuda, estava condenado a nove anos de prisão e mantinha seu mandato. O então deputado Raad Massouh foi cassado quase que liminarmente apenas por estar sendo investigado.
O processo de cassação contra a deputada Liliane Roriz continua. E não só os cinco distritais que já se enrolaram por causa das gravações feitas por ela querem vê-la logo longe da Câmara.

O bom é investigar os outros

Os distritais se arvoram a constituir comissões parlamentares de inquérito para investigar os mais diversos fatos. A CPI da Saúde, em arroubo policialesco, chegou a pedir a compra de equipamentos de espionagem e viaturas para apurar irregularidades na saúde. A Câmara gasta muito dinheiro com esses arremedos de investigação que não chegam a lugar nenhum.
Mas investigar colegas, nem pensar. Nesse caso, os distritais acham melhor esperar as conclusões de quem sabe fazer isso de verdade: o Ministério Público e a Polícia Civil.

Filippelli já tem até agência para a campanha

O ex-vice-governador Tadeu Filippelli é assessor do presidente Michel Temer e tem gabinete no Palácio do Planalto. Ele vem se articulando intensamente para as eleições de 2018 em Brasília, buscando unir políticos tradicionalmente ligados aos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda.
Filippelli já tem equipe de comunicação, agência de propaganda e produtora de vídeo para fazer sua campanha. São os mesmos que trabalharam com Roriz, Arruda e, na segunda metade da gestão, com Agnelo Queiroz. De 1994 para cá, essa equipe ganhou três eleições para governador e perdeu três. Na última, não conseguiu levar Agnelo ao segundo turno.

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É só juntar as peças

Dois ministérios estão com licitações para contratar agências de publicidade em andamento: Saúde e Esporte. Em breve deve sair o edital da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
São contas bastante disputadas entre as agências e, principalmente, entre seus padrinhos. As do Ministério da Saúde e da Secom têm despertado especial interesse em gabinetes no Palácio do Planalto. Por isso o quebra-cabeças ainda está sendo montado.

Alta reincidência

Três menores são responsáveis por 69 infrações à lei em Brasília. Cada um deles reincidiu mais de 20 vezes. São apreendidos, liberados e voltam ao crime. Outros quatro menores infringiram a lei 70 vezes, tendo reincidido entre 15 e 19 vezes. Os menores que reincidiram no crime são 3.968, responsáveis por 12.112 atos infracionais.
Esses são alguns dos dados levantados pela Secretaria de Segurança e que dão algumas indicações sobre a criminalidade em Brasília. Explicam, em boa parte, porque aumentou tanto a sensação de insegurança na cidade. E mostram que alguma coisa não está dando certo nas políticas para crianças e adolescentes.

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Meninos que roubam mocinhas

Dos menores infratores, 37% reincidiram no crime e 63% não reincidiram. Menores de idade são majoritariamente responsáveis por furtos e roubos a transeuntes; uso, porte e tráfico de drogas; e uso e porte de armas brancas e de armas de fogo. Na faixa de 32 a 34 anos está a maioria dos que cometem contravenções e lesões corporais dolosas.
Dos menores que cometem crimes, 97% são homens. As vítimas de roubos a transeuntes são predominantemente mulheres de 18 a 24 anos.

Polícia prende e apreende, justiça solta

Dos roubos a transeuntes, que cresceram 26% em um ano e respondem por 58% dos crimes cometidos, 14% ocorrem em pontos de ônibus. O objeto mais roubado, com 53% de frequência, é o celular.
Nas audiências de custódia, na Justiça, 20% dos presos por roubos e 62% por furtos são liberados pelos juízes, que soltam também 12% dos acusados por homicídios e 30% dos acusados por tráfico de drogas.
Os policiais reclamam que enxugam gelo, pois os presos são logo soltos, nas audiências ou depois por habeas corpus, e boa parte volta logo a cometer crimes.

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