Hélio Doyle

Os dois lados se preparam para a guerra anunciada

Por Arquivo Geral 06/10/2016 7h00
Divulgação/Sinpro-DF

O governo e os sindicatos de servidores intensificaram os preparativos para o choque há tempos previsto: em breve os servidores serão formalmente informados de que não serão pagas agora as parcelas dos aumentos salariais concedidos pelo então governador Agnelo Queiroz.

Essas parcelas deveriam ter sido pagas em 2015, mas o governador Rodrigo Rollemberg, depois de greves generalizadas, prometeu que pagaria agora em outubro. Só um milagre que multiplique a arrecadação ou que faça o governo federal liberar recursos para os estados garantirá o cumprimento da promessa feita pelo governador.

Greve é sempre a primeira alternativa

Os sindicatos analisam as possibilidades de uma greve geral ou da maioria das carreiras. As que têm mais impacto na vida da cidade e mais incomodam a população são a dos professores e as dos servidores da saúde. Mas a paralisação de outras carreiras não é minimizada.

Alguns dirigentes sindicais, porém, temem que o governo se mantenha inflexível e os leve a manter uma greve longa, o que sempre é perigoso, pelo risco de desgaste e esvaziamento. No meio sindical prevalece a máxima de que para um dirigente é fácil começar uma greve, difícil é terminar com ela.

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Os últimos movimentos deram errado

Os mais preocupados com a estratégia dos sindicatos mostram como exemplos negativos as greves dos metroviários e dos empregados da Caesb – o governo não cedeu e o pouco conseguido pelos funcionários foi por decisão judicial.

Esses dirigentes citam também o movimento dos policiais civis que, com toda a mobilização e força do segmento, não conseguiram o compromisso do governo de manter a paridade com os policiais federais.

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Há, entre os servidores, os que estão convencidos de que o máximo que poderão conseguir, e mesmo assim com muita dificuldade, é uma nova data para o pagamento. Mas nem isso o governo se sente em condições de oferecer. E quem vai acreditar em nova promessa?

A disputa é pela opinião pública

O governo quer mostrar à população e aos funcionários que não tem mesmo dinheiro e que, sem o aumento, a folha salarial já representa quase 81% das receitas do Estado. Sobram menos de 20% para o custeio e investimentos. Quer mostrar também que o problema ocorre em todo o país.

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No Buriti há os que defendem a inflexibilidade diante de uma paralisação dos serviços, por não haver o que barganhar, e outros que advogam um processo de negociação para que o clima não fique tão pesado.

Tanto o governo quanto os sindicatos maiores têm como levar essa briga à televisão, comprando tempo para anúncios. E sabem que quem ganhar a opinião pública para seu lado levará a melhor.

Hospital da Criança é vítima da luta contra OSs

O Hospital da Criança José Alencar e seu diretor, o médico Renilson Rehem, têm sido vítimas dos que se opõem à implantação das organizações sociais no sistema de saúde de Brasília. Como o hospital é o único de Brasília que é administrado por organização social, os que são contra as OSs procuram desqualificá-lo, assim como a seu diretor.

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Pesquisas mostram que, como o Sarah, o Hospital da Criança é considerado exceção positiva no terrível quadro da saúde em Brasília. Se for comprovado que, apesar do bom atendimento que presta, há irregularidades e ilegalidades na administração, vale jogar pedras e punir a organização social e o diretor. Até lá, parece que é tudo apenas manobra para falar mal de OSs e desacreditar o que está dando certo.

Doações não pegaram nada bem

O governador Rodrigo Rollemberg não desistiu de implantar as organizações sociais, apesar da cerrada oposição dos sindicatos da saúde, da maioria do Conselho de Saúde, dos ministérios públicos de Justiça e de Contas e de boa parte dos deputados distritais.

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O baque maior que o governo sentiu foi a notícia de que três organizações sociais que querem se instalar em Brasília doaram R$ 610 mil para a campanha de Rollemberg. As três pertencem ao médico e empresário Mouhamad Moustafa, acusado pela Polícia Federal de desviar mais de cem milhões de reais do Fundo de Saúde do Amazonas.

Quem intermediou as doações de Moustafa foi o empresário Sílvio de Assis, apresentado a Rollemberg, antes do início formal da campanha,
pela deputada Celina Leão.

Governo não tem opção

A área jurídica do governo entende que não há obstáculo legal à implantação das OSs, mesmo diante da posição do Tribunal de Contas do DF de considerar que contratações feitas por elas incidem nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Também não são óbices, segundo o governo, as restrições que vêm sendo aprovadas na Câmara Legislativa.

O secretário de Saúde, Humberto Fonseca, tem as OSs como caminho para provocar uma mudança radical na atenção básica à saúde, e, no futuro, melhorar todo o sistema. A área econômica acha que as OSs reduzirão os gastos com pessoal e custeio, tornando-os mais racionais.

E, no fim das contas, o governo não tem plano B para a melhorar o atendimento à população que busca os serviços de saúde.






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