Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Hélio Doyle

Calma, gente, não adianta gritar

Por Arquivo Geral 10/06/2016 7h00

As notas aqui publicadas sobre a licença-prêmio e seu pagamento em dinheiro aos que se aposentam provocaram algumas reações iradas e outras grosseiras mesmo. Alguns comentários fazem pensar: mas esta pessoa que escreve é mesmo uma servidora pública? Uma pessoa presumivelmente bem formada, que passou em um concurso público para prestar serviços à população?

Não fica bem para qualquer cidadão, ainda mais para um servidor público, fugir do debate com argumentos superficiais, quando há argumentos, e xingamentos aos que têm opinião diferente da dele.

O debate, sempre, deve ser feito com seriedade e tem de ser qualificado. Gritos e palavras de ordem podem cair bem em manifestações.

Servidores não têm culpa

Segundo texto publicado no site de um dos sindicatos da área de saúde sou “porta-voz” e “garoto de recados” do governador Rodrigo Rollemberg. É um texto panfletário, sem um só argumento, e baseado em uma premissa falsa: a de que quero culpar os servidores pelo “caos”, “mazelas da falta de gestão” ou pela “incompetência criminosa dos mandatários”. Não, não quero. É óbvio que os servidores não são culpados – só são culpados os que não trabalham, não cumprem a jornada, apresentam atestados médicos fraudados, aceitam suborno, marcam consultas no meio da jornada para faltar o dia inteiro. Ou seja, só são culpados os que pensam que passar em concurso público significa nunca mais ter de trabalhar duro.

Uma minoria bem pequena, portanto.

Culpados são os que governam

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Os servidores não são culpados pelo absurdo que é ainda existir a licença-prêmio em Brasília e pelo escândalo que é o pagamento em dinheiro ao servidor que não a goza. Não têm mesmo qualquer culpa nisso.

Os culpados por essa privatização do dinheiro público, com “pecúnias” de até R$ 600 mil, são os sucessivos governadores que, com medo dos servidores e de seus sindicatos, não extinguiram a excrescência.

Entre eles, o atual, Rodrigo Rollemberg. De quem não sou porta-voz já há um ano e que não tem nenhuma responsabilidade pelas minhas opiniões.
E nem eu tenho pelas dele.

Questão de bom senso

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Para ficar mais claro: nada contra os direitos constitucionais e legais dos servidores públicos. Nada contra as reivindicações por melhores remunerações e condições de trabalho, de modo geral. Há muitas injustiças no serviço público que precisam ser reparadas.

Mas isso não quer dizer que o Estado deva existir em função dos servidores, e não da população, e que 80% do arrecadado do contribuinte para prestar serviços públicos seja para pagar servidores.

Nem que toda reivindicação possa ser atendida, ainda mais em meio a uma grave crise que leva o país à recessão e a enorme índice de desemprego.

Ajustes e ajustes, a diferença

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A crise atinge toda a sociedade e não será superada sem sacrifícios de todos. Ajuste fiscal não é capitalista ou socialista, é necessidade para que a sociedade possa se desenvolver. A questão é que tipo de ajuste é feito.

O que diferencia os ajustes e as saídas para as crises como essas é a definição de quem

pagará mais por elas. Quase todos os governos optam por penalizar mais os pobres e os trabalhadores, em vez de exigir uma cota maior de perdas para os ricos e os que têm mais.
A briga dos trabalhadores e dos mais pobres é essa. Não a defesa de privilégios, que fazem de alguns segmentos do serviço público uma casta diferenciada que passa ao largo da crise graças à estabilidade no emprego, ao salário garantido e à aposentadoria integral.

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Exatamente por terem esses benefícios legítimos, é que os servidores, especialmente os mais bem remunerados, deveriam ser mais sensíveis aos sofrimentos pelos quais passam os desempregados e os trabalhadores na iniciativa privada.

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E entender que não dá para onerar mais ainda o Estado em detrimento da população.

Aliança parlamentar-corporativista

É sintomático que os segmentos de servidores alheios à crise e à situação pela qual passa o povo recorram às casas legislativas em defesa de aumentos salariais, mais benefícios e privilégios. Aqui, batem nas portas da Câmara Legislativa.








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