Ao anunciar a pretensão de se candidatar à presidência da Fifa, Zico defendeu a importância de ter pessoas ligadas ao esporte no comando da entidade. Listando apenas dois presidentes à frente da federação desde os anos 70, o Galinho aproveitou para destacar sua experiência como ex-jogador e técnico para ocupar o cargo.
“Tenho 62 anos e só lembro de dois presidentes da Fifa: o João Havelange e o Blatter. Só tem essas duas pessoas no mundo para comandar o futebol? É inadmissível essa continuidade, isso afasta as pessoas de contribuírem. E não falo só de ex-jogador, não. No futebol tem médico, técnico, presidente de clube, psicólogo, nutricionista… O cara que está a 20 anos no futebol não tem capacidade de administrar uma entidade? Mas ele tem que ter condições de se candidatar sem troca de favores e estar na mesma condição de todo mundo”, afirmou na última quarta-feira.
“Essa vida fora do campo me permite e me dá base para assumir um cargo como esse”, acrescentou o Galinho, que também teve uma breve experiência como Ministro do Esporte em 1991, no governo de Fernando Collor. Ídolo do Flamengo, o ex-jogador lamentou a falta de participação de atletas nas atuais questões políticas do futebol, apontando um questionamento sobre a veracidade dos resultados em campo – atualmente envolvidos nos escândalos de corrupção da Fifa.
“A gente vem gastando nosso suor dentro e fora do campo para dar o nosso máximo. Ficamos preocupados se tudo o aquilo que fizemos é fruto do nosso suor mesmo, e isso é lamentável para quem é do esporte”, comentou.
Sobre as investigações realizadas pelo FBI acerca da Copa 2018 e os motivos políticos que estariam por trás da decisão em deixar a Rússia como país-sede do Mundial, Zico defende que seja realizada uma nova escolha caso sejam descobertas fraudes no processo.
“Se ficarem comprovadas irregularidades tem que parar tudo e fazer uma nova escolha, só isso. A briga é saber se essas indicações foram feitas legalmente ou não. Se for legalmente, tudo bem. Se constatar corrupção não existe alternativa a não ser buscar uma nova indicação para que essa Copa seja feita com lisura”, disse.