“Pato novo precisa nadar em lagoa rasa ou pode se afogar. Foi o que aconteceu”. A frase de Emerson Leão referindo-se à primeira experiência de Marcelo Vilar como treinador interino do Palmeiras foi sarcástica, mas de certa forma serviu como dica para o novo técnico do Verdão em sua segunda chance.
De ‘pato’, Vilar não tem nada. Sua autoconfiança continua grande e ele segue pensando alto. Desta vez, no entanto, ele está mais cuidadoso. Criticado por ter colocado as asinhas de fora rapidamente da primeira vez, o técnico palmeirense adotou postura inversa.
Por este motivo, ele segue se colocando humildemente na condição de interino apesar de os dirigentes terem garantido sua permanência até o final do ano no cargo. Porém, o momento político no Palmeiras é conturbado e, por isso, está mais fácil ousar dentro de campo do que fora dele.
“Oficialmente, não me passaram nada sobre a efetivação, mas eu tenho um projeto de minha vida profissional. Quando vim para cá, pensava em um ano dar um vôo. Talvez isso possa ser antecipado”, conta Vilar.
Enquanto prepara a equipe nos dez dias que terá para treinar até o jogo contra o Grêmio, o técnico do Palmeiras também mantém a atenção em tudo o que ocorre fora de campo para não patinar pela segunda vez.
Desde que assumiu o cargo interinamente em abril, o treinador contratou a mesma assessoria de imprensa pessoal que cuida da carreira de Luiz Felipe Scolari e, na época, formulou um projeto ousado para quem ainda não tinha certeza de que permaneceria no cargo. Pediu para trabalhar com a psicóloga Susy Fleury e com o fisiologista Paulo Zogaib (este continua no clube até hoje).
“Essa foi uma das coisas que eu deixei de bom naquele primeiro trabalho. O Tite prosseguiu a psicologia com a Regina Brandão. A reestruturação que planejávamos, o Tite fez muito bem. Agora é hora de conseguirmos os resultados”, analisou Vilar.
Acumulando a função de coordenador das categorias de base do Palmeiras, o treinador revela que ficou triste com a recente polêmica com Emerson Leão. O atual técnico do Corinthians chegou a insinuar que Vilar tenha criticado seu trabalho para se auto-afirmar.
“A má condição física era um fato (no Palmeiras). Eu nunca quis entrar no mérito. O que eu fiz foi tentar elevar o astral do grupo, mostrar que os jogadores estavam mal não por culpa deles próprios, mas pelas circunstâncias”, concluiu Vilar.