A classificação às oitavas de final da Copa Sul-Americana multiplicou a esperança do Brasília neste segundo semestre. Ao surpreender e eliminar o Goiás em pleno Serra Dourada, o time do DF passou de dois a quatro jogos e ganhou pelo menos um mês a mais de treinamento, fora os dois já trabalhados quase que diariamente nos estádios do Serejão – e seu campo anexo – e Metropolitana.
No discurso após o grande feito, os jogadores se mostraram unidos. “Precisávamos classificar para trabalhar mais um mês”, destaca o goleiro Artur, que teve a fala repetida pelos laterais Dedê e Marquinhos. “Ouvi de pessoas próximas que só iríamos jogar duas vezes. Falamos sobre isso também. O grupo é muito bom, não tem vaidade.”
O próximo adversário do Colorado sairá do vencedor entre Atlético-PR x Joinville – que jogam hoje às 21h15 -, provavelmente em 22 e 30 de setembro. Até lá o técnico Omar Feitosa vai procurar outras formas de motivar o elenco. Na conversa com o grupo no hotel em Goiânia, ele exibiu um vídeo de uma senhora sendo resgatada de uma enchente no Rio de Janeiro, em 2011, agarrada a seu cachorro no terraço de uma casa que era levada pela água.
“Ele nos disse que quando o ser humano quer, por questão de sobrevivência, tira forças além do que ele mesmo imagina ter. Foi bom para nos motivar”, elogia Dedê.
José Carlos Brunoro, Diretor Executivo do Brasília, reconheceu que o grupo “sobreviveu a enchente” e condições adversas.
“Esses jogadores sempre acreditaram na Sul-Americana pela vida deles. Acreditaram no projeto. Tiveram uma condição de trabalho que não é a ideal e devolveram muito mais do que oferecemos”, destacou.
Já o presidente Luis Felipe Belmonte, que mora em Londres, não se importou em perder uma noite de sono para acompanhar o clube e seu feito histórico.
PROVOCAÇÕES INFLAMARAM
Fora das quatro divisões do Campeonato Brasileiro, o Colorado superou o status de “zebra” e as provocações de atletas do Goiás, da Série A. Para o grupo candango foi um motivo a mais para responder dentro dentro das quatro linhas.
“Um dos jogadores deles desrespeitou, mas não ligamos para isso e fizemos nosso trabalho. Acho que muito bem feito. Até a torcida deles estava cantando olé para nós”, lembra o lateral Marquinhos.
Dedê destacou os momentos de reflexão e não tirou algumas situações de sua cabeça. “Teve o lance deles de ‘vamos entrar e ganhar na hora que a gente quiser’. Isso que a gente sentiu. No túnel (para o campo) estávamos concentrados e eles brincando, farreando. Pensei que seria uma arma contra eles”, observou.
Saiba mais
O Brasília foi a segunda equipe a se classificar para as oitavas de final da competição. A primeira foi o River Plate, da Argentina, que entrou diretamente nesta fase por ser o atual campeão.
A participação do Colorado no torneio internacional é inédita parauma equipe do Distrito Federal.
Contra o Goiás, o Brasília acertou 90% dos passes – 229 de um total de 255 -, enquanto o Esmeraldino teve média de 88%.
Os donos da casa arriscaram mais a gol, só que faltou pontaria. Foram dez arremates, cinco deles para fora. O Brasília acertou o gol em duas das três tentativas. Apenas uma passou longe da meta do goleiro Renan.
Murilo e Paulo Santos foram os ladrões de bola do Colorado, com quatro recuperações cada na partida.
O lateral Dedê acertou todos os 28 passes efetuados.
“Tem que ser no Mané”
A falta de laudos do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária minaram o uso do estádio Mané Garrincha no confronto de ida contra o Goiás, que acabou transferido para o Bezerrão, no Gama. Nas oitavas de final o cenário deve ser diferente.
“Tem que ser no Mané Garrincha. Esse é o desejo e amanhã (hoje) vamos resolver a situação. Temos tempo e vontade”, observa José Carlos Brunoro.
Os jogadores, no entanto, se dividem quanto ao palco para enfrentar o vencedor de Atlético-PR x Joinville.
“No Serejão, já estamos acostumados. Treinamos lá e em dois anos só perdemos para no Náutico”, destaca o supersticioso goleiro Artur.
O lateral Dedê discorda do colega. “Prefiro o Serejão na questão de costume, mas o problema é que o gramado está horrível. Se continuar assim prefiro o Mané Garrincha. Esse é o momento de desfrutar a Sul-americana e um estádio á altura da competição,”
Marquinhos reforça o desejo pelo palco da Copa do Mundo. “Prefiro porque gosto de jogo rápido”.