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Futebol

Vários times pelo mundo disputam outras ligas

Arquivo Geral

11/01/2013 8h40

Thiago Henrique de Morais

thiago.morais@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Não há no Brasil caso parecido com o que acontece no futebol de Brasília. De todos os 27 campeonatos estaduais, somente no Distrito Federal clubes de outros estados têm o direito de participar do campeonato local. No torneio deste ano, os “forasteiros”, apelido esse que nenhum torcedor desses times é adepto, são o Luziânia-GO, atual vice-campeão e um dos representantes locais na Copa do Brasil, e o Unaí-MG, campeão da Segunda Divisão candanga. 

 

A justificativa da Federação Brasiliense de Futebol (FBF), já há alguns anos, é devido à distância dessas cidades do centro futebolístico, como é o caso das equipes citadas e também do Formosa-GO, recentemente rebaixado para a Série B candanga. 

 

Mas, apesar de ser algo não muito comum no Brasil, pelo mundo afora isso já acontece já há algum tempo. Para alguns clubes, a justificativa chega a ser parecida com o argumento da FBF, mas em outras ocasiões, deve-se simplesmente pela não existência, na época, de uma federação naquela região. 

 

Isso acontece necessariamente na Inglaterra. Vários clubes do País de Gales foram criados antes mesmo da fundação da federação futebolística daquele país. Como desejavam entrar em atividade, se filiaram à federação inglesa. Por isso, times como Swansea – que nessa semana bateu o Chelsea, na partida de ida das semifinais da Copa da Liga Inglesa – e o Cardiff City – campeão da FA Cup, o torneio mais antigo do mundo, em 1927 – participam de torneios ingleses. Tais clubes têm a opção de jogar a liga de seu país, mas devido à visibilidade e, principalmente, pelo dinheiro da televisão, continuam na Inglaterra.

 

Vice-Europeu

Mas há situações em que os clubes são obrigados a disputar campeonatos em outro país. É o caso do Monaco. O time é do principado que leva o mesmo nome, local com apenas 36 mil habitantes. Assim, devido à proximidade com a França, o clube disputa tal campeonato. 

 

Atualmente, o clube está na Segunda Divisão, o que não tira os sete títulos nacionais e o vice-campeonato da Liga dos Campeões da Europa em 2005, quando perdeu para o Porto na decisão. Mesmo sem contar com um torneio próprio, o principado conta com uma seleção, mas que não é gerida pela Uefa. Assim, é impossibilitado de disputar torneios internacionais.

 

Mudança apenas política

A insistente luta por parte da região da Catalunha em se separar da Espanha não afetaria os clubes locais. E quem agradece é o Campeonato Espanhol. Isso porque o Barcelona, um dos maiores clubes do planeta, faz parte da região que visa a separação federativa. Assim, o mundo perderia o clássico entre Barcelona e Real Madrid.  

Os próprios dirigentes do Barça defendem a decisão do povo da catalunha – que conta até mesmo com um dialeto próprio -, mas já confirmaram que, em nenhum momento, cogitam a possibilidade de abandonar a Liga das Estrelas.

 Em caso de separação, o novo país teria condições de contar, ao menos, com uma divisão, com 12 equipes, com exceção do próprio Barça. A força futebolística do pequeno território seria justamente o Espanyol, rival dos blaugrana.

 

Inédito

Em caso de separação, a permanência do Barcelona ou de qualquer outro time da região na Liga Espanhola seria um fato inédito. Times da antiga União Soviética, Tchecoslováquia e Iugoslávia sequer cogitaram a disputar um campeonato por outra região que não a de sua nova delimitação geográfica. Isso, entrentanto, enfraqueceu, e muito, as ligas desses países.

 

Um exemplo disso é que somente nos últimos anos foi que a liga da Rússia conseguiu voltar ao cenário do futebol mundial, tendo seu campeonato e seus jogadores voltando a ter repercussão. O mesmo vale para o futebol da Ucrânia, grande importador de brasileiros. 

 

Ao contrário dos jogadores iugoslavos, que desde a separação da Croácia, sofreu com o desmembramento geográfico e perdeu talentos para seus herdeiros Sérvia e Montenegro.

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