Os holofotes estavam todos virados para ele: Neymar. Após uma semana conturbada, de negociações intensas, ele se transferiu oficialmente para o Barcelona, onde se apresenta hoje para cerca de 90 mil pessoas. Blindado, quase escondido pela comissão técnica, o craque só “falou” com os pés. Mas assim como nas entrevistas que dá, pouco “disse” no empate por 2 x 2 do Brasil com a Inglaterra, na reinauguração do Maracanã.
Foi um último ato discreto no País, diga-se de passagem. Luiz Felipe Scolari o escalou um pouco mais recuado, pela faixa central. Na primeira etapa, movimentou-se bastante, chamou o jogo e foi quem mais finalizou. No entanto, parecia ansioso para fazer um gol. Os arremates saíram de qualquer forma.
Inspiração
No intervalo, os telões do Maracanã exibiram cenas de Pelé atuando contra a Inglaterra, em amistoso disputado em 1969 – triunfo tupiniquim por 2 x 1 –, talvez numa tentativa de dar inspiração para o jovem atacante. O efeito, porém, saiu fora do planejado. Ficou a cargo de Fred fazer o primeiro gol oficial no Maior do Mundo.
O apito final deixou Neymar ofuscado pelo resultado e pelos companheiros. Foi sua despedida do Brasil rumo ao Barcelona. A partir de hoje, tudo deverá mudar para o garoto de 21 anos. Tomara que para o melhor – para ele e para a seleção brasileira.
Agora é contra a França
Desde novembro de 2009, a seleção não vence um adversário do primeiro escalão do futebol mundial. São nove jogos, com três empates e seis derrotas. A última vez que o Brasil bateu um time de tradição foi a própria Inglaterra, com Dunga.
A escrita negativa podia se encerrar ontem, mas o empate por 2 x 2 com o English Team frustrou os planos. “Tenho certeza que a gente vai ganhar no momento correto e temos agora a oportunidade contra a França”, disse o zagueiro – dentro de uma semana, na Arena do Grêmio, a seleção enfrenta a França.
A coletiva de Felipão teve um momento tenso. Questionado por um repórter se teria sido covarde nas substituições, o treinador ironizou. “Sim, esqueci o direito de tentar a virada para não perder o jogo”, disse Felipão, para completar: “Piada!”. Já sem o microfone, o profissional gritou que o técnico foi “medroso”. Depois, Felipão tentou colocar panos quentes na situação.