Não é de hoje que alguns treinadores e dirigentes reclamam da situação mercadológica do futebol no Brasil. Nos últimos anos, alterações na lei mudaram a relação dos clubes com seus jogadores, facilitando a saída de muitos atletas para o exterior e obrigando os times a formular melhores contratos para negociar com seus reforços.
Mesmo as equipes mais jovens, e que teoricamente se beneficiavam mais com as novas diretrizes do esporte, vêm tendo dificuldades para lidar com este cenário. O técnico do São Caetano, Oswaldo Alvarez, por exemplo, não esconde sua insatisfação com o bastidores do futebol – que, para ele, se tornou um grande balcão de negócios.
“O futebol hoje é um comércio. Cobram muito, que o time tem de jogar bonito, mas o bastidor é feio, é puro negócio. O treinador hoje precisa ter muito equilíbrio emocional”, afirmou Vadão, em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, lamentando os relacionamentos cada vez mais breves dos clubes com seus profissionais – incluindo os treinadores.
“Quando estive no Goiás, no início deste ano, fizemos um acordo em que não haveria multa em caso de quebra contratual. O time estava bem e, na ocasião, recebi a proposta de um grande clube, e eles sabiam. Como tinha um compromisso com o presidente do Goiás, recusei tal convite e continuei no clube para cumprir minha palavra. Só que, 15 dias depois, fui demitido. No futebol, quem tem palavra não é honesto. Para não se corromper no seu caráter, você tem de ser firme”, desabafou.
Entre os jogadores, o treinador citou um exemplo do próprio São Caetano que o deixou chateado: o atacante Caiuby, que veio do Guaratinguetá para ser negociado com o Wolfsburg-ALE em pouco tempo. “O Caiuby, por exemplo, atuou aqui em seis jogos e foi embora. A gente fabrica e exporta jogador. É como o café. Exportamos o bom e ficamos com o café ruim”, comparou. “Logo teremos que procurar jogador na maternidade, porque os procuradores levam logo embora.”
Ainda assim, Vadão olha com otimismo alguns dos jogadores que o Azulão vem trabalhando para 2009 para reforçar o elenco – que deve sofrer baixas ao final de 2008. É o caso do zagueiro Mário, dos meias Léo e Diogo e dos atacantes Amoroso e Patrik.
“O Amoroso, o Patrik e o Mário me chamam a atenção. Esses três hoje estariam preparados”, assegura o treinador. “Ainda vou discutir com a diretoria o planejamento para o Paulista. Mas há ainda outros dois jogadores nos quais estamos apostando, os meias Léo e Diogo. Os dois têm bom nível técnico”, afirma.