Às 15h47, foi dado o pontapé inicial na Arena Pernambuco. Antes mesmo de a bola rolar, o que se viu foi um estádio 100% pronto. Diferentemente do ocorrido no Mané Garrincha, sábado, os banheiros estavam funcionando bem, inclusive suas descargas. O credenciamento da imprensa estava escrito Arena Pernambuco – primeiro evento teste, enquanto os jornalistas que cobriram a inauguração do Estádio Nacional na decisão do Candangão receberam ingressos, como se fossem torcedores, para trabalhar.
Daí já se percebe a diferença de organização entre as inaugurações. Entretanto, a Arena Pernambuco mostrou uma falha no evento. Os serviços de internet WiFi e 3G não funcionaram.
Um problema obscuro está no valor total gasto na construção. Após assessores empurrarem um para o outro, uma funcionária da assessoria da Arena foi atrás da informação. “O pessoal da Odebretch está dizendo que custou R$ 532 milhões com a data base de 2009”. A reportagem apurou que o valor está perto de R$ 1 bilhão, com o Banco do Nordeste e o BNDES como principais investidores.
Muito calor e 15 mil parentes de operários, centro das atenções no duelo entre eles, estiveram presentes no estádio. Mas o que se via eram provocações entre os torcedores de Náutico, Sport e Santa Cruz. O governador de Pernambuco, Eduardo Campo, fez uma concessão ao Alvirrubro, seu clube de coração, por 33 anos.
Rivalidade sadia
O locutor do estádio fez a brincadeira para ver qual era a maior torcida presente. Santa Cruz ficou em primeiro seguido de Sport e Náutico. “Ninguém sabe dizer por que isso aconteceu. Mas na minha opinião é porque a gente e o Sport já tem estádios grandes”, disse Josenildo Silveira, fã do Cobra Coral.
Cerveja rende polêmica
Assim como na Fonte Nova, uma empresa conhecida por fabricar cerveja, mas que também está na linha de produzir refrigerantes, a Itaipava fechou com a Arena Pernambuco e comprou o “naming rights”. Ontem, em um hotel de Recife, ocorreu uma coletiva em que foram esclarecidas algumas questões: por exemplo, o fato de o Governo de Pernambuco proibir a venda de bebida alcoólica nos estádios.
O diretor de marketing da Arena, André Sá e o secretário de imprensa do Governo, Evaldo Costa, divergiram a respeito do assunto. “Vi e participei de estudos que mostram que vetar bebida alcoólica nos estádios não diminui a violência. O pessoal fica bebendo até a hora de começar o jogo do lado de fora”, declarou André Sá. “A decisão de ter ou não bebida alcoólica no estádio é uma questão política”, completou.
No mesmo instante, Evaldo Costa, representando o governador Eduardo Campos, pediu a palavra: “Aqui é proibida a venda de bebida alcoólica no estádio. Mas houve uma flexibilização durante Copa das Confederações e Copa do Mundo. O governo proibiu achando que pode aumentar a violência. E aumenta mesmo. Não sejamos hipócritas.”
*O repórter viajou a convite da Itaipava.