A presença na zona de rebaixamento ou até mesmo a proximidade dela costuma causar calafrios em jogadores e também torcedores. O mau momento, porém, pode gerar um fenômeno contrário: o aumento da paixão do fã pelo time.
Exemplos recentes são comuns, como o grito “eu nunca vou te abandonar”, criado pela torcida do Corinthians à época da queda para a Série B. Outro, mais extremo, foi o torcedor que ameaçou se jogar da marquise de São Januário no dia do primeiro rebaixamento do Vasco.
Jogar em casa, portanto, pode ser uma carta na manga das equipes que ainda não têm um lugar garantido na Série A em 2015. Ou não! Desde o início da disputa do Brasileiro por pontos corridos (2003), nada menos do que 21 clubes caíram à Segundona jogando dentro dos próprios domínios.
Vale ressaltar que desde 2003, 42 clubes foram rebaixados. Ou seja, metade dos times que caíram de divisão jogaram em casa.
Como se não bastasse entrar em campo com a corda no pescoço, precisando vencer, e, em alguns casos, torcer por tropeços de outros rivais, houve também quem acabasse goleado em casa.
No primeiro ano dos pontos corridos, foi justamente o Cruzeiro, campeão de tudo naquele ano, quem iniciou a “sina” de mandantes goleados. A vítima foi o Bahia que, jogando na Fonte Nova, foi impiedosamente goleado pela raposa por implacáveis 7 x 0.
Os ameaçados
Este ano, são três os ameaçados de queda: Palmeiras, Vitória e Bahia. Dos três, somente o último tem compromisso fora de casa na rodada derradeira. Veja a seguir a situação de cada um.
Situação mais confortável
Só o Palmeiras depende apenas de si para se safar da degola justamente no ano em que retornou à Série A. Os comandados de Dorival Junior recebem o Atlético-PR. O duelo, inicialmente marcado para o Allianz Parque, ainda pode sofrer mudança de local para evitar possíveis depredações à moderna arena alviverde.
Além de jogar com o apoio da torcida, o Palmeiras pode ter outras boas notícias no decisivo duelo contra o Furacão. O meia chileno Valdívia se recupera de um edema na coxa esquerda, que o impediu de atuar na derrota para o Internacional, a quinta consecutiva do alviverde.
Ele, porém, pode estar em campo no domingo. O técnico Dorival Júnior não esconde que espera contar com o jogador, mas alerta que a resposta só deve vir no meio de semana.
“Não tenho ainda como falar (sobre o possível retorno de Valdivia). Ele está entregue ao departamento médico. Vamos aguardar até o meio da semana para ver que posição teremos. Esperamos contar com um jogador de tamanha qualidade”, aponta.
Importância do coração
Em muitos momentos, quando não se é possível alcançar um resultado por meio da disciplina tática ou da técnica, a vontade, e o coração pode falar mais alto. É justamente nesse fator que o técnico do espera chamar a atenção para o jogo de domingo.
“O que tem acompanhado o futebol brasileiro ultimamente é essa falta de coração, de o atleta vivenciar um pouco mais o clube. Não é um fator que desequilibra o Palmeiras, desequilibra a maioria das equipes do futebol brasileiro. Temos que mudar esse fator, o coração será fundamental no jogo de domingo”, indica.
Além do coração dos 11 que estiverem em campo, a paciência de quem for acompanhar o duelo no estádio será fundamental, aponta o comandante.
“Que o torcedor tenha paciência e saiba do que representa o jogo e da importância do torcedor durante os 90 minutos. O torcedor será fundamental nesse processo de recuperação“, crava.
Olho nele
O goleiro Fernando Prass sabe o que é disputar a Série B. Aos 36 anos, o arqueiro, que corre o risco de ser suspenso por declarações de ter recebido mala branca em outras ocasiões, foi o responsável por defender a meta do Vasco em 2009. Ele também esteve debaixo das traves em grande parte da campanha da Segunda Divisão com o Palmeiras, no ano passado. A série de jogos só foi freada por lesões que o impediram de entrar em campo. Ele é um dos jogadores de confiança do técnico Dorival Junior para o jogo de domingo, contra o Atlético-PR. Uma boa atuação de Prass pavimenta a manutenção do Palmeiras na Série A, já que uma vitória simples do alviverde mantém o clube na elite.
Crença e esperança
Rubro-Negro menos pior