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Futebol

Três clubes chegam à rodada final tentando escapar do Z-4. Ser mandante não garante nada

Arquivo Geral

02/12/2014 9h21

A presença na zona de rebaixamento ou até mesmo a proximidade dela costuma causar calafrios em jogadores e também torcedores. O mau momento, porém, pode gerar um fenômeno contrário: o aumento da paixão do fã pelo time.

Exemplos recentes são comuns, como o grito “eu nunca vou te abandonar”, criado pela torcida do Corinthians à época da queda para a Série B. Outro, mais extremo, foi o torcedor que ameaçou se jogar da marquise de São Januário no dia do primeiro rebaixamento do Vasco.

Jogar em casa, portanto, pode ser uma carta na manga das equipes que ainda não têm um lugar garantido na Série A em 2015. Ou não! Desde o início da disputa do Brasileiro por pontos corridos (2003), nada menos do que 21 clubes caíram à Segundona jogando dentro dos próprios domínios. 

Vale ressaltar que desde 2003, 42 clubes foram rebaixados. Ou seja, metade dos times que caíram de divisão jogaram em casa.

Como se não bastasse entrar em campo com a corda no pescoço, precisando vencer, e, em alguns casos, torcer por tropeços de outros rivais, houve também quem acabasse goleado em casa. 

No primeiro ano dos pontos corridos, foi justamente o Cruzeiro, campeão de tudo naquele ano, quem iniciou a “sina” de mandantes goleados. A vítima foi o Bahia que, jogando na Fonte Nova, foi impiedosamente goleado pela raposa por implacáveis 7 x 0. 

Os ameaçados

Este ano, são três os ameaçados de queda: Palmeiras, Vitória e Bahia. Dos três, somente o último tem compromisso fora de casa na rodada derradeira. Veja a seguir a situação de cada um.

Situação mais confortável

Só o Palmeiras depende apenas de si para se safar da degola justamente no ano em que retornou à Série A. Os comandados de Dorival Junior recebem o Atlético-PR. O duelo, inicialmente marcado para o Allianz Parque, ainda pode sofrer mudança de local para evitar possíveis depredações à moderna arena alviverde.

Além de jogar com o apoio da torcida, o Palmeiras pode ter outras boas notícias no decisivo duelo contra o Furacão. O meia chileno Valdívia se recupera de um edema na coxa esquerda, que o impediu de atuar na derrota para o Internacional, a quinta consecutiva do alviverde. 

Ele, porém, pode estar em campo no domingo. O técnico Dorival Júnior não esconde que espera contar com o jogador, mas alerta que a resposta só deve vir no meio de semana.

“Não tenho ainda como falar (sobre o possível retorno de Valdivia). Ele está entregue ao departamento médico. Vamos aguardar até o meio da semana para ver que posição teremos. Esperamos contar com um jogador de tamanha qualidade”, aponta. 

Importância do coração

Em muitos momentos, quando não se é possível alcançar um resultado por meio da disciplina tática ou da técnica, a vontade, e o coração pode falar mais alto. É justamente nesse fator que o técnico do   espera chamar a atenção para o jogo de domingo.

“O que tem acompanhado o futebol brasileiro ultimamente é essa falta de coração, de o atleta vivenciar um pouco mais o clube. Não é um fator que desequilibra o Palmeiras, desequilibra a maioria das equipes do futebol brasileiro. Temos que mudar esse fator, o coração será fundamental no jogo de domingo”, indica.

Além do coração dos 11 que estiverem em campo, a paciência  de quem for acompanhar o duelo no estádio será fundamental, aponta o comandante. 

“Que o torcedor tenha paciência e saiba do que representa o jogo e da importância do torcedor durante os 90 minutos. O torcedor será fundamental nesse processo de recuperação“, crava.

Olho nele

O goleiro Fernando Prass sabe o que é disputar a Série B. Aos 36 anos, o arqueiro, que corre o risco de ser suspenso por declarações de ter recebido mala branca em outras ocasiões, foi o responsável por defender a meta do Vasco em 2009. Ele também esteve debaixo das traves em grande parte da campanha da Segunda Divisão com o Palmeiras, no ano passado. A série de jogos só foi freada por lesões que o impediram de entrar em campo. Ele é um dos jogadores de confiança do técnico Dorival Junior para o jogo de domingo, contra o Atlético-PR. Uma boa atuação de Prass pavimenta a manutenção do Palmeiras na Série A, já que uma vitória simples do alviverde mantém o clube na elite.

Crença e esperança
 
A situação mais complexa, sem dúvidas, é a do Bahia. O Tricolor precisa superar o Coritiba e sua fanática torcida no Couto Pereira, além de ficar na expectativa de ver o Palmeiras perder e o arquirrival Vitória ao menos empatar.
 
O belo gol de falta de Rafael Galhardo na vitória sobre o Grêmio na última rodada, porém, melhorou o ambiente do clube. A animação com o triunfo foi tanta que nos bastidores, o discurso inclusive é o de acreditar na salvadora combinação de resultados.
 
Para Rafael Miranda, a atuação contra o Grêmio, quando o time já podia ser rebaixado, foi fundamental para que a arrancada rumo à permanência na elite do futebol brasileiro tenha um final feliz no domingo, contra o Coritiba, mesmo fora de casa.
 
“O primeiro tempo foi brilhante. O segundo tempo foi no sufoco, mas o triunfo veio e estamos vivos. A esperança é a última que morre. Quem sabe a gente não repete o Avaí, que dependia de dois resultados”, aponta o volante, relembrando a inesperada subida de divisão do clube catarinense.
 
O atacante Jeam, que joga na vaga deixada por Willian Barbio, também demonstra otimismo na permanência do tricolor na elite. 
 
“Com certeza eu acredito. Vocês veem, ultimamente, estamos jogando bem, mas não estamos conseguindo sair com a vitória. Graças a Deus, fomos iluminados. Eu acredito muito”, opina. 
 
Olho nele
 
Mesmo   dependendo de outros resultados, será do atacante Kieza a expectativa do Bahia fazer a parte dele no Couto Pereira. Vale ressaltar que o tricolor baiano precisa vencer e torcer por uma derrota do Palmeiras e pelo menos um empate do Vitória. 
 
Rubro-Negro menos pior
 
O caso do Vitória é, pelo menos, um pouco melhor do que do arquirrival, Bahia. O rubro-negro recebe o Santos no Barradão. Uma vitória, aliada a um tropeço do Palmeiras, tiram o Leão da segunda divisão em 2015. 
 
Um novo descenso significaria nada menos do que a terceira queda desde o início da era dos pontos corridos. Os demais rebaixamentos ocorreram em 2004 e 2010. 
 
Desfalques
 
Como se não bastasse a situação delicada, o Vitória não terá força máxima para a decisão com o Santos. 
Dinei cumprirá, justamente na 38ª rodada, suspensão automática depois de levar o terceiro cartão amarelo.
Além do atacante, quem também não estará em campo será Escudero. Na goleada sofrida no duelo de rubro-negros, ele acabou expulso de campo e não enfrenta o Santos. 
 
DM cheio

A lista no departamento médico do clube é ainda mais preocupante. No total, são nada menos do que cinco jogadores que, por razões médicas, não estarão à disposição do técnico Ney Franco no domingo. 
 
O lateral Nino até entrou em campo contra o Flamengo, mas deixou o gramado antes do fim da partida e será submetido a exames.
 
Uma pancada no atacante Marcos Junio e uma queda sobre o ombro do também atacante William Henrique fez com ambos ficassem em observação. 
 
Completam a lista de “dores de cabeça” de Ney Franco o goleiro Wilson e o volante Luiz Gustavo, que já apresentavam lesões antes e eram baixas esperadas. As boas notícias para o treinador ficam por conta dos retornos de Edno e Vinícius.
 
Olho nele
 
Depois de reclamar da arbitragem na derrota
por 4 x 0 contra o Flamengo, o volante Richarlyson afirmou que encerraria a carreira no domingo. O jogador afirmou que estava fazendo o jogo da vida e a fuga do rebaixamento pode ser uma motivação a mais.

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