Quando foi chamado, em 2003, pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa para comandar a diretoria de futebol, Juvenal Juvêncio assumiu um time com problemas e cuja própria torcida tachava os jogadores como “amarelões”. Na madrugada desta quinta-feira, mesmo depois de perder o título da Libertadores para o Internacional, a delegação do Tricolor pôde passar pelo saguão do Aeroporto de Guarulhos sem ser ofendida ou ironizada.
A rima que outrora era usada com a palavra “pipoqueiro” ganhou tom de homenagem: “guerreiro, guerreiro, guerreiro, time de guerreiros”, gritaram os 30 torcedores que aguardaram a chegada dos jogadores são-paulinos vindos de Porto Alegre. Apesar do vice-campeonato sul-americano, o Tricolor segue na liderança do Brasileirão e continua com toda a confiança das arquibancadas graças às recentes conquistas e à vibração dos atletas em campo.
“É claro que eu queria ter ganho este título, porém esta manifestação dos torcedores, às quatro da manhã, chamando o time de guerreiro, não deixa de ser um tipo diferente de consagração”, disse Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo e grande responsável pela mudança de perfil da equipe de 2004 para cá.
Em 2003, ele assumiu a diretoria de futebol em frangalhos, cortou as despesas, se negou a pagar um salário milionário para o técnico Tite e bancou uma comissão técnica caseira e barata, formada por Roberto Rojas e Milton Cruz.
Mesmo com um time modesto, o Tricolor se classificou naquele ano para a Copa Libertadores, acabando assim com um hiato de dez anos longe da competição mais importante da América. Em 2004, o time caiu nas semifinais, se reforçou e conquistou o torneio no ano seguinte. No Japão, bateu o Liverpool no Mundial de Clubes.
Segundo Juvenal Juvêncio, o planejamento vitorioso vai continuar apesar do tropeço no Beira-Rio. Lugano (Fenerbahçe) e Ricardo Oliveira (Betis) já se despediram do elenco. O foco do presidente são-paulino está agora nas renovações de Mineiro e Danilo.
“Com exceção desses dois, os outros todos têm contrato. Não quisemos conversar com o Danilo e o Mineiro nesta reta final de Libertadores para não atrapalhar a equipe, mas vamos tentar a renovação de ambos”, revelou Juvêncio, que já está pensando em como voltar a disputar a competição sul-americana em 2007.
Apesar de ter falhado no Beira-Rio, Rogério Ceni foi um dos mais festejados pelos torcedores no aeroporto. Lugano foi muito abraçado. “Vocês deram o sangue em campo, isso é o que importa. Agora vamos conquistar o Brasileiro”, disse um torcedor, emocionado, segurando uma lata de cerveja na mão direita. Até o técnico Muricy Ramalho, que às vezes é alvo de alguns corneteiros, foi ovacionado na chegada à capital paulista.