Um dia após torcedores invadirem o Vasco-Barra e paralisarem o treino do time, cenas parecidas voltaram a acontecer na manhã desta quinta-feira em São Januário. Pouco depois de o técnico Renato Gaúcho encerrar um coletivo, o gramado do estádio foi invadido por 12 membros de facções das principais organizadas do clube, que partiram para conversar com os goleiros Roberto e Tiago e com o zagueiro Jorge Luiz. O restante do elenco já estava no vestiário e não viu o incidente.
Um torcedor chegou a assustar a todos levantando a camisa, batendo no peito e dando a impressão de que poderia estar armado. Policiais do terceiro batalhão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foram acionados, mas só chegaram ao local 30 minutos depois. A facilidade com que os torcedores entraram pelo portão principal de São Januário e pularam a grade que protegia o gramado chamou a atenção de todos os presentes.
Os jogadores do Vasco não quiseram gravar entrevistas, mas muitos conversaram com os jornalistas e demonstraram estar com medo do que pode acontecer nos próximos dias se o time não conseguir deixar a zona de rebaixamento ou se até mesmo a queda para a Série B do Brasileirão for confirmada. Coube ao presidente Roberto Dinamite se pronunciar.
“Eu vejo muito mais como uma manifestação das pessoas que estão preocupadas com a campanha da equipe e o grau de dificuldade do Campeonato Brasileiro. Mas não concordo da forma como foi feita. Temos que reagir dentro de campo porque assim é que vamos conseguir acabar com esses protestos – disse Roberto Dinamite.
O dirigente disse que não pretende proibir a presença de torcedores nos treinamentos do Vasco, mas reconheceu que medidas serão tomadas para impedir que cenas como as desta quinta-feira se repitam.
“O Vasco continua sendo um clube democrático, como passou a ser desde que assumi o clube há seis meses. Não vamos mudar essa forma de lidar com os outros, ouvindo e dialogando com todos. Mas vamos buscar uma disciplina e o respeito entre as partes”, disse o mandatário.
Roberto Dinamite disse que se a diretoria decidir por levar o elenco para fora do Rio de Janeiro nos próximos dias em nada terá a ver com as cenas desta quinta-feira.
“Não sei se isso vai resolver. Nada impede que as pessoas que queiram tirar a tranqüilidade do elenco peguem um avião ou um ônibus para acompanhar os jogadores em outra cidade. Respeito a paixão de todos os torcedores, mas tudo tem um limite”, afirmou Roberto Dinamite.
Depois do episódio, representantes de torcidas organizadas se reuniram com Dinamite e com Carlos Alberto Lancetta, coordenador do departamento de futebol, e fizeram alguns pedidos, como o afastamento de alguns jogadores. A diretoria não se posicionou sobre essas exigências.