Desde que aceitou a candidatura à presidência do Palmeiras pelo grupo de oposição, Arnaldo Tirone carrega a sombra de Mustafá Contursi. Ele nunca escondeu que considera importante o apoio do antigo mandatário, mas insiste em colocar que não será um fantoche. “Ele é ex-presidente e vai ficar na sua condição de ex-presidente”, avisa.
Nesta quarta-feira, Arnaldo Tirone recebeu a reportagem da GE.Net nas dependências da Sociedade Harmonia de Tênis para responder as perguntas formuladas por torcedores. Dono de uma fala tranquila, o empresário do ramo imobiliário, de 60 anos, passa a impressão de que foge ao estereótipo do palmeirense mais fervoroso e não se empolga até com o fato de ser considerado, neste momento, o favorito à vitória.
Antes da entrevista, Tirone demonstrava serenidade mesmo com a série de compromissos na agenda. Questionado sobre o grande número de perguntas enviadas por torcedores criticando a sua ligação com Mustafá Contursi, ele não balançou. “Não tem problema, pode perguntar o que quiser”, desafiou o candidato.
Ao citar a atual administração de Luiz Gonzaga Belluzzo, Tirone fez o papel de oposição na crítica dos gastos excessivos, mas também surpreendeu ao elogiar o empenho do economista no tratamento das categorias de base do clube – principalmente com o início da construção do Centro de Treinamento de São Roque.
Sócio alviverde desde 1955 e conselheiro a partir de 1976, Tirone ainda adota uma postura cautelosa quando analisa a chance de eleições diretas no Palestra Itália. Ele considera importante a discussão do assunto de forma cuidadosa.
Veja a entrevista de Arnaldo Tirone:
Anderson Amaral (via twitter @AndersonAmarall) – Tirone, qual será o papel do Mustafá Contursi no seu mandato?
ARNALDO TIRONE: Olha, deve ser muito bem colocado que o Mustafá é ex-presidente, como muitos outros no clube, como temos o Carlos Facchina, o Afonso Della Monica, o próprio Luiz Gonzaga Belluzzo entra agora nessa condição de ex-presidente. A diferença é que o Mustafá critica muito os números do clube, são números que não fecham. Nossa relação é muito boa. Mas ele é ex-presidente e vai ficar na sua condição de ex-presidente.
Márcio Camollez Júnior (via comentários) – Arnaldo Tirone, por que a oposição no Palmeiras sempre quer aparecer mais do que a situação?
ARNALDO TIRONE: Acho que a oposição é válida, eu convivo nesse clube faz quase 40 anos na condição de conselheiro. No clube, sempre existiu oposição, isso faz parte da história. Crítica ou menos crítica. Na época em que o Mustafá Contursi era presidente, a oposição também era severa contra ele e a gente soube aceitar naquele momento.
Marcus do Guarujá (via comentários) – Qual a proposta para resolver a dívida do clube?
ARNALDO TIRONE: A dívida do Palmeiras é muito preocupante, foi feita, em sua maior parte, de dois anos para cá. E ainda por cima, é uma dívida desorganizada. Então, o momento é complicado, não há dinheiro no caixa, as receitas de 2011 já estão comprometidas. Temos de analisar friamente essa dívida e renegociar.
Maurício (via comentários) – Quais os planos para o programa do sócio-torcedor? Seria possível dar direito a voto aos integrantes do projeto?
ARNALDO TIRONE: Não é o caso de dar direito a voto, seria necessário ter um avanço grande no estatuto do clube. O próprio sócio só vota para o Conselho Deliberativo, não participa da escolha do presidente. O Projeto Avanti está no começo, eu acredito no seu sucesso, precisa desenvolver com o tempo. Também precisamos montar um time competitivo para alavancar esse projeto.
Pop João Paulo (via comentários) – Por que não aproveitar esse momento político para renovar o estatuto? (mudança na data da eleição e voto direito)
ARNALDO TIRONE: Eu não vejo problema em mudar a data da eleição, acho que seria benéfico mudar a eleição para o mês de outubro. Com relação ao sócio votar para presidente, precisa ver se é viável para o clube. Vejo o voto como algo democrático. Se um dia o associado tiver de votar, vamos procurar participar ao lado de todos para a votação para presidente. Você também não pode mudar muito o funcionamento do Conselho Deliberativo. Precisaria fazer uma adaptação no estatuto. O voto da parte do torcedor pode acontecer um dia, mas ainda precisa caminhar um pouco mais para acertarmos detalhes.
Emeas11 (via comentários) – Gostaria de saber dos senhores candidatos como eles pretendem trabalhar a base do Palmeiras?
ARNALDO TIRONE: As categorias de base vêm recebendo, de um tempo para cá, um trabalho mais competente, tem o Biazotto que entrou agora no departamento, há um trabalho mais organizado. Estão sendo feitos alguns investimentos, o projeto do CT de São Roque, queremos analisar e tocar para frente, dar uma atenção maior. As categorias de base, em minha ótica, devem ser vistas como o futuro patrimônio do clube. De lá, você consegue revelar jogadores para o time e consegue obter produto para vender e ganhar dinheiro no caixa. Eu vou dar uma grande atenção às categorias de base.
André Ferreira (via comentários) – Seria um sonho muito grande tornar o Palmeiras campeão mundial em dois anos?
ARNALDO TIRONE: Acho que, de uma hora para outra, você pode montar um time e ser campeão. Futebol é uma coisa que você, com poucos investimentos, às vezes você pode montar um time competitivo.
Lucas (via comentários) – O que você acha dessa parceria com a Traffic? É vantajosa depois do que aconteceu no caso Ronaldinho?
ARNALDO TIRONE: A parceria com a Traffic é produtiva e viável, precisamos apenas rever algumas posições. Acho que a Traffic deve ser tratada com carinho, devemos aprimorar o acordo, buscar melhores resultados. Foram feitas algumas tentativas com alguns jogadores. O melhor jogador que veio foi o Henrique e acabou vendido. A gente deve considerar a parceria com a Traffic e com outros interessados em fazer negócio com o Palmeiras.
Kleiton (via comentários) – Existe algum projeto do futuro presidente pensando no centenário?
ARNALDO TIRONE: Acho que não, devemos ver essa questão do centenário apenas daqui dois anos. Agora, não acho o momento. Nos dois anos seguintes a essa próxima gestão, a gente precisa pensar em alguma coisa. Mas o centenário será apenas em 2014.
Caio Felipe D’Andrea (via comentários) – É possível fazer uma estátua do Marcos ajoelhado com os braços para cima no Palestra?
ARNALDO TIRONE: Isso já tem até uma ideia, vamos analisar o momento para fazer uma homenagem ao Marcos. Se vamos ter um novo estádio, haverá muito espaço para uma homenagem. Não vamos esquecer o Marcos nesse quesito.
Alex Araújo (via comentários) – Gostaria de saber sobre a política dos candidatos em relação aos outros esportes como basquete e futsal?
ARNALDO TIRONE: Acho o seguinte: o presidente do Palmeiras tem que cuidar de um clube inteiro. Nossa prioridade é o futebol, mas temos 100 mil metros quadrados dentro de São Paulo. Temos um clube social e um clube com esportes amadores. Agora, para desenvolver os esportes amadores precisamos trazer parceiros para desenvolver essas modalidades. O primeiro passo é organizar a parte financeira, acabar com o desequilíbrio para poder planejar esse outro lado do Palmeiras. Se tivermos parceiros para patrocinar, vamos colocar em prática.