Assim como Wanderley Luxemburgo, Emerson Leão desencorajou a idéia de confronto pessoal no clássico entre Santos e Palmeiras, neste domingo, mas por outro motivo além de valorizar o duelo entre as equipes. Ele considera injusta a comparação com o desafeto, diante da disparidade de investimentos dos dois clubes.
“Falar sobre esse confronto é tudo o que os jornais querem”, sorriu Leão. “Mas isso é uma coisa normal quando se enfrentam duas pessoas que não se agradam, mas convivem na mesma profissão, são taxadas como boas e devem dar retornos aos seus clubes. Não analisam o momento, mas os nomes dos personagens. Nada fora da rotina”, chiou.
Quando substituiu a pessoa que não o agrada no Santos, Leão fez diversas críticas à gestão do departamento de futebol do antecessor – que dizia já planejar o clube para um eventual próximo treinador meses antes de acertar com o Palmeiras. No Parque Antártica, Luxemburgo encontrou o que exigia para seguir na Vila Belmiro: altos investimentos.
“Com respeito ao verde, está com grana para comprar o que quiser”, Leão evitou citar o nome de Luxemburgo, mais uma vez incomodado com o fato de o Santos ter dificuldades financeiras para se reforçar. Segundo o treinador, contudo, seu mérito reside justamente em saber trabalhar sem muito poder de compra.
“Estou pegando um time para o futuro, pois tenho esse conhecimento. Ganhei mais do que títulos nos últimos anos. Dei permanências a clubes, e isso enche o meu ego. Só fico triste porque os jogadores que revelei foram rapidamente vendidos [Willian, do Corinthians, por exemplo]. Até quando viveremos disso?”, perguntou Leão.
Após mais uma vez criticar o fato de Luxemburgo não dar espaço a pratas-da-casa no Santos, o técnico questionou a badalação em torno do rival. “Não vejo técnicos top, mas de trabalho. Muitos estão fazendo um bom papel e ninguém diz nada. Não falam do técnico da Portuguesa só por ele ser baixinho, gordinho e de perna torta?”, gargalhou Leão, elogiando bastante Vágner Benazzi, cuja equipe derrotou o Santos na estréia do Campeonato Paulista.
Mas também há lugar para os treinadores mais consagrados entre os bem-quistos por Leão. “O Muricy [Ramalho] é um excelente treinador e meu amigo. Ele pegou um time pronto há dois, três anos. O sucesso do São Paulo pode não ter vindo com o Muricy, mas também com ele, que soube fazer a manutenção de um trabalho”, exaltou. O santista, por sinal, faturou um Campeonato Paulista pelo São Paulo antes de o clube ganhar títulos brasileiros, continental e mundial nos últimos anos.
Como Luxemburgo no Palmeiras, Muricy Ramalho conta com caixa para reforçar bem o São Paulo. Para Leão, portanto, não é possível fazer comparações entre os três. “Quando eu era goleiro, também estamparam uma vez: ‘Leão contra Valdir Perez’. Mas a diferença que o meu time era um bagaço. Então, ele tinha muito mais chances de vencer. Isso não importa para o jornal”, enfezou-se.
Mesmo que desta vez, conforme Leão deu a entender, o “bagaço” seja o Santos, o duelo com Luxemburgo também não está perdido. “Quando os grandes se enfrentam, sempre há possibilidade de vencer”, avisou. O treinador só não especificou se “os grandes” referem-se às equipes que farão o clássico deste domingo ou aos seus comandantes.
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