Exótica desde a entrada em campo no Estádio do Mineirão, a seleção do Tahiti encantou o público brasileiro. Enfileirados como manda o protocolo da Fifa, os azarões da Copa das Confederações pisaram no gramado portando colares característicos do país, os quais foram doados aos jogadores adversários.
A goleada sofrida por 6 x 1 seria o suficiente para fugir aos padrões da competição composta pelos campeões continentais. Mas o que protagonizou o primeiro duelo de Nigéria e Tahiti pelo Grupo B foi a empatia entre os torcedores e o escrete da maior ilha da Polinésia Francesa.
O rótulo de “time a ser goleado” do torneio recebeu um adjetivo mais carinhoso: “Patinho feio, porém simpático.” Isso explica o grito precoce vindo das arquibancadas logo no minuto inicial da partida. Surpreendentemente, Alvin Tehau foi o autor do primeiro chute a gol.
Com três minutos, o público de 20.187 já gritava olé a cada toque do Tahiti. A farra dentro do estádio foi amenizada aos quatro minutos, quando o lateral Echiejile abriu o placar para a Nigéria.
O gol assustou a seleção da Oceania. Pouco tempo depois, Oduamadi, aos 9 e aos 25 minutos, esticou o placar para 3 x 0, e encaminhou uma goleada histórica.
Herói
O resultado do primeiro tempo esfriou um pouco a torcida brasileira pelo Tahiti, mas só até o início da segunda etapa.
Jonathan Tehau foi o responsável por inflamar de vez as arquibancadas do Mineirão ao fazer história por sua seleção. Aos nove minutos, em cobrança de escanteio na área, ele subiu mais alto que toda a zaga nigeriana na segunda trave e surpreendeu o goleiro Enyeama.
O gol solitário foi o momento de êxtase. Os 11 jogadores foram se abraçar e exibiram ao mundo com uma ensaiada coreografia seu esporte favorito: a canoagem.
Vilão
O mesmo Jonathan Tehau marcou contra as próprias redes aos 22 minutos, ao tentar desviar cruzamento da esquerda. Aos 31, Oduamadi aumentou a contagem e a goleada foi selada aos 34 com outro gol de Echiejile.
Aos nigerianos, valeu o saldo de gols que poderá ser decisivo na disputa por uma vaga na semifinal. O time africano deve brigar pela segunda colocação do Grupo B contra o Uruguai, justamente seu próximo adversário, quinta-feira, na Arena Fonte Nova, em Salvador.
Técnico cheio de orgulho
Os seis gols sofridos diante da Nigéria não abalaram o ânimo do Tahiti. Emocionado, o técnico Eddy Etaeta disse ontem estar orgulhoso do desempenho de sua equipe na estreia na Copa das Confederações. A seleção chegou a marcar o seu primeiro e sonhado gol em uma competição deste nível.
“Eu estava muito emocionado, quase chorando”, admitiu Etaeta. “Nós assistimos a jogos da Copa do Mundo pela TV. E hoje (ontem) nós fomos os protagonistas. O Tahiti estava nos assistindo. Nosso presidente nos mandou uma mensagem e suspendeu uma reunião para nos assistir”, revelou.
O técnico exaltou o segundo tempo da equipe. “Os últimos 15 minutos foram muito difíceis para nós, em termos físicos, porque nunca tivemos um jogo tão duro como esse”, disse o treinador.