Thiago Henrique de Morais
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Quando a folha salarial do Ceilandense foi divulgada – cerca de R$ 20 mil – muitos descartaram de imediato a possibilidade de o time brigar por posições de honra no campeonato. Mas, passadas as duas primeiras rodadas, a humildade tem superado as adversidades e dado um prêmio ao “primo pobre” da competição. O Rubro-Negro lidera o Grupo A, com a pompa de ser o único a não sofrer gols.
As vitórias sobre Unaí e Botafogo-DF, entretanto, ainda são vistas com desdém por outros clubes, o que faz o gestor de futebol, Ari Vieira, ir além. “Nunca pensamos em ser coadjuvantes. Montamos um time para chegar e vamos continuar surpreendendo, jogo a jogo. Contra o Luziânia, vamos para ganhar”, avisa o confiante dirigente.
Hoje, a condição financeira não é das melhores. Dono da menor folha salarial do torneio, o Ceilandense vive à base de parcerias com um hotel e uma academia, além de sofrer constantemente com o campo de treino alugado e encharcado devido às chuvas.
Patrocínio é uma palavra rara ou até inexistente. Na camisa aparece somente o BRB, que bancou R$ 150 mil por todo o campeonato. O restante das finanças fica a cargo de Ari Vieira, executivo de uma concessionária. “Tenho muita amizade com pessoas do Bahia e do Vitória, que nos cederam jogadores. São caras de nível e que têm virado uma atração”, explica o dirigente.
O responsável pelo êxito inicial do clube é Luciano Reis. Com vasto conhecimento das categorias de base dos clubes baianos, o treinador apostou em jogadores jovens e esquecidos. “Vários deles foram tratados como craques na adolescência, mas não tiveram chance no profissional. Foi nesses que investi”, disse.
Paredão sonha alto
Único time a não sofrer gols nas duas primeiras rodadas do Candangão, o Ceilandense tem como um de seus principais destaques o goleiro Edson. Revelado pelo Guarani, o jovem de 21 anos tem fechado o gol rubro-negro e curtido como nunca o bom momento como profissional.
Para aumentar o moral, na partida contra o Botafogo-DF ele pegou um pênalti complicado, o que rendeu elogios de todos no clube. “Tem sido uma grande experiência esses primeiros dias como titular em um time profissional. O pênalti é um momento complicado, mas a sorte esteve ao meu lado. Tudo isso é fruto de um trabalho”, vibra.
Sonhando alto
Embora some seis pontos e exiba a melhor campanha do torneio até aqui, o camisa 1 não esconde que os primeiros jogos poderiam ter sido melhores. “É um elenco que está há pouco tempo junto. Ainda temos que melhorar, e temos ciência disso. Estamos pensando alto e positivo. Claro que queremos o título. Não podemos pensar negativo”, destaca o goleiro do Ceilandense.