A Espanha conquistou o título da Copa do Mundo pela primeira vez no último domingo, ao vencer a Holanda por 1 a 0, na prorrogação. E apesar da equipe receber vários elogios da crítica esportiva, os números da Fúria no Mundial não empolgam.
O comentado ‘futebol ofensivo’ da Roja marcou apenas oito gols nos sete jogos que participou, uma média de 1,14 gol por jogo. O Barcelona, por exemplo, teve média de 2,5 gol/jogo no último Campeonato Espanhol e o Real Madrid teve um número próximo de 2,7 gol/jogo. Se comparado com as equipes do Campeonato Brasileiro de 2010, a Espanha só teve desempenho ofensivo melhor só do que Palmeiras, Vitória e os lanternas Vasco e Atlético-GO.
Na Copa do Mundo, o melhor ataque foi da Alemanha, que marcou 16 tentos (média de 2,3). La Roja ficou apenas com a sexta melhor produção ofensiva, atrás de Brasil (nove gols) e Argentina (10 gols), que foram eliminados ainda nas quartas de final.
Se por um lado a equipe teve um ataque mediano, a defesa foi quase impecável. Foram apenas dois gols sofridos (para Suíça e Chile) em sete partidas, média de 0,28 gol por jogo, desempenho superior ao de Barcelona (0,63) e Real Madrid (0,92). No atual Brasileirão, apenas o Ceará (sofreu um gol em sete jogos) teve um desempenho superior.
Na Copa, apenas Portugal, que saiu nas oitavas de final, e Suíça, eliminada ainda na primeira fase, foram melhores que a Fúria, ao sofrerem apenas um gol.
Quando foi para o ataque, o time ibérico mostrou imprecisão. A Espanha arriscou 121 finalizações e acertou o alvo apenas 46 vezes, um aproveitamento de apenas 38%. Um reflexo disto é que Villa marcou cinco gols da equipe, 62% do total. Os outros artilheiros, Muller marcou 31,2% dos gols da Alemanha, Sneijder foi responsável por 41,6% dos gols da Holanda e Forlán fez 45,5% dos gols do Uruguai.
Considerado um dos principais cérebros da Copa e comparado com Zidane por Carlos Alberto Parreira, Xavi teve um desempenho apenas mediano neste Mundial nos números. Acertou ao todo 81% do passes, mas deu apenas duas assistências e não marcou nenhum gol. O camisa 8 teve desempenho superior em jogadas de pouca importância: concluiu 86% de passes médios e curtos, mas acertou apenas 59% dos lançamentos e 33% dos cruzamentos.