O Sindicato do Futebol lançou nesta segunda-feira, em evento realizado em São Paulo, a quarta edição de seu Anuário do Futebol Brasileiro. A publicação, organizada em três idiomas, tem como principal objetivo coletar todos os dados possíveis das competições realizadas no país entre julho de 2007 e julho de 2008, e organizá-las de maneira clara para informar seus leitores.
O Anuário de 2008 conta com os campeões, as finais, os destaques e os artilheiros de todos os campeonatos estaduais disputados neste ano no Brasil. De queba, o livro reúne ainda informações de grandes equipes brasileiras, além de dar destaque para os 50 anos da conquista da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, e para a organização da Copa do Mundo de 2014, que será em solo brasileiro.
A cerimônia de lançamento foi liderada por Mustafá Contursi, presidente do sindicato e ex-presidente do Palmeiras, que se mostrou satisfeito com o produto final de 2008. “É uma sensação de missão cumprida, uma publicação que o futebol brasileiro precisa ter. A quarta edição mostra que o anuário já é uma edição consolidada”, explicou Mustafá, que destacou a Copa de 58 como a mais importante já conquistada pelo Brasil. “A primeira mostrou que era possível.”
A relação de Mustafá Contursi com o Palmeiras – do qual ele não comentou – ainda criou um pequeno constrangimento ao ex-dirigente. Ao dar seu depoimento à respeito do desempenho no Mundial da Suécia, Mustafá agradeceu aos ex-jogadores do Brasil que estiveram presentes ao lançamento do livro, e “que ajudaram a colocar o Palmeiras entre as grandes equipes mundiais”. Corrigido, ele se saiu com uma resposta bem humorada: “é, também”.
Apesar da confusão, o evento e o lançamento foram considerados um sucesso por seus organizadores. Capitão da equipe que conquistou o primeiro título brasileiro em Copas do Mundo, o ex-zagueiro Bellini recebeu uma placar pelo feito, entregue das mãos do ex-governador paulista José Maria Marin, atual vice-presidente da CBF. Assim como Bellini, outros jogadores também foram homenageados, como Pepe, Zito, Orlando Peçanha, Dino Sani, Vavá, Gilmar e Mauro – os três últimos, representados por familiares.
Atual presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero entregou uma das homenagens ao filho do ex-goleiro Gilmar dos Santos Neves. Segundo o dirigente, a homenagem aos jogadores e o lançamento da quarta edição do Anuário do Futebol Brasileiro atendem à mesma função: manter viva a memória do futebol.
“A história tem que ser gravada em páginas, em videotape, em DVD. Em cem anos, as pessoas poderão reler o que aconteceu. Lá na Federação Paulista, temos documentos da década de 10, de 20, e as pessoas vão lá pesquisar. Isso é muito importante”, destacou Marco Polo.
O presidente da FPF disse já ter recebido seu exemplar da publicação, mas admitiu ainda não tê-la lido. “Vou ler. Mas, se seguir a mesma linha, a mesma qualidade das edições anteriores, a tendência é a de que se mantenha ótimo, e até melhore”, elogiou.
Da escalação que entrou em campo na final da Copa de 58, que tinha Gilmar; Djalma Santos, Nilton Santos e Zito; Bellini e Orlando, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo, apenas três puderam comparecer às homenagens desta segunda-feira. O ex-santista Zito foi um deles, mas se mostrou pouco confortável para fazer um discurso. “Meu negócio era apertar jogador dentro de campo”, alegou, sorridente.
A obra – O Anuário do Futebol Brasileiro atende oficialmente pelo nome de “Brasil, o País do Futebol – O Mais Completo Anuário do Futebol Brasileiro”. Publicado pela B2 Comunicação e pela Soccer News, responsáveis pela coordenação editorial, o livro tem 266 páginas e é organizado pelo jornalista Arnaldo Branco Filho, que compõe a diretoria editorial ao lado de Hélvio Borelli, Henrique Daniel de Freitas Branco e Lucas Neto.
Para reunir informações de todos os estaduais, a organização do anuário entra em contato com jornalistas e federações de cada um dos 26 estados e do Distrito Federal, que apontam destaques dos torneios. Para Arnaldo Branco Filho, a produção do material é “um orgulho”, apesar das dificuldades iniciais para tocar o projeto.
“A idéia era fazer um produto para congregar todas as federações estaduais. Assim, queremos dar o mesmo espaço para o futebol de São Paulo e o futebol do Acre, sem demérito de ninguém”, disse Branco, que comemora o apoio das federações estaduais, da CBF e do Clube dos 13.