
Descontração e forte chuva marcaram o primeiro treino da seleção feminina de futebol em Brasília. Focada na estreia do Torneio Internacional de Brasília, amanhã, às 21h50, contra o Chile, Marta experimentou o gramado do Iate Clube, mas não escondeu a ansiedade em pisar no tapete do Mané Garrincha.
“O gramado daqui está muito bom, mas quero aquele lá do estádio”, admite a atacante que atualmente defende o Tyresö, da Suécia.
Com nuvens escuras, era questão de tempo para a chuva cair. Logo nos primeiros minutos de treino, a água tomou conta do lugar. Otimista, Marta não deu bola para o tempo fechado na capital.
“Se tratando de futebol, que é o que mais gostamos de fazer, não tem tempo ruim. Deus mandou uma chuva, quem sabe, para dar sorte”, acredita. O técnico Márcio Oliveira também não se preocupou com o forte temporal. “É até bom porque refresca.”
Esta é a quinta edição do Torneio. A seleção brasileira foi campeã em 2009, 2011 e 2012. A sequência foi interrompida em 2010 – o título ficou com o Canadá
Descontração
Diferentemente dos treinos habituais, com jogadas ensaiadas e de muita força física, o da tarde de ontem foi marcado pela descontração. Um deles contou com a famosa brincadeira do pique-e-pega.
“Elas (atletas) estão vindo do Campeonato Brasileiro e a carga física está muito grande. A gente tenta amenizar isso com exercícios menos pesados.”
Fãs comparecem ao treino
Amantes do futebol brasileiro, os jovens Cezar Pinheiro, Juliana Andrade e Bruno Diniz se espremiam no canto do gramado para observar a equipe feminina.
Única mulher do grupo, Juliana também tentou se aventurar pelo futebol, mas desistiu por falta de patrocínio. “Aqui é muito difícil. Tinha uma menina que treinava aqui no Iate e foi para os Estados Unidos. A gente não tem apoio”, confessa a estudante de 16 anos.
Os amigos também desabafaram. “Acho que o Brasil precisa valorizar outros esportes. A nossa seleção é uma das melhores do mundo e olha como está”, critica Cezar.
Com os olhos vidrados no campo, os três tinham um desejo em comum: falar com Marta. Cada um esperava o momento ideal para tietar a atleta.
“Sou goleiro e prefiro a Andréia”, elegeu Cezar. “A Taisinha joga muito”, escolheu Juliana. “Cristiane é a melhor. Depois da Marta, claro”, conserta Bruno.
Correria
Assim que souberam da chegada da delegação, eles não demoraram a correr para vê-las.
“A gente não precisa viajar para ver, ainda mais no clube que somos sócios. Quando soube, vim correndo”, disse a empolgada Juliana.
Fotos e autógrafos era o objetivo, mas Bruno queria somar as experiências das jogadoras às suas.
“Quero completar a minha camisa com autógrafos e pegar muitas dicas, né? Quero jogar melhor do que jogo hoje”, brinca. (K.M.O.)