Dispensado do Criciúma na última semana com apenas quatro jogos no Campeonato Brasileiro – quatro derrotas – o técnico Toninho Cecílio quer voltar a trabalhar “o mais rápido possível” e já mira os estaduais de 2015. Sem mágoas do ex-clube, o treinador torce por uma reabilitação do Tigre na próxima temporada, quando disputará a segunda divisão, e exalta o experiente Paulo Baier, dispensado com ele e mais 12 jogadores pela diretoria. Toninho garante que poderia ter feito mais, mas não se culpa pelo rebaixamento da equipe – que venceu apenas sete das 36 partidas disputadas no Brasileirão em 2014.
“Uma equipe entra na zona de rebaixamento por uma série de fatores e eu não consegui evitar isso. Poderia ter conseguido, não gosto de falar sobre isso, prefiro seguir em silêncio. O mercado é assim mesmo. Vida de técnico… Achava que eu era capaz. Se eu tivesse conseguido, teria sido muito importante na minha carreira. Acho que até tenho o porquê. Fiz minha leitura, sei que é muito difícil absorver o que aconteceu de errado, para buscar um novo rumo à carreira. O grupo deu o máximo, tínhamos muitos problemas com lesões, ausências. É claro que posso ter errado em algumas coisas. Não deu”, disse à Gazeta Esportiva.
Mesmo chateado com o trabalho “de tiro curto” que realizou no clube catarinense, Toninho torce por uma recuperação no próximo ano. Segundo ele, não há fórmula mágica para voltar à elite do futebol nacional, mas trabalhando sério como os catarinenses, tudo poderá ficar mais fácil. As quatro derrotas que obteve no comando da equipe somam-se às outras 15 na competição. Mesmo rebaixado, ele garante que o Tigre em hipótese alguma pode ter vergonha de sua condição.
“Não tem fórmula. Eles têm o jeito deles, o presidente é um cara sério. O campeonato está muito difícil, Botafogo está caindo, Palmeiras periga, Vasco subindo agora. O orçamento para os clubes menores é muito justo. O Criciúma não pode de jeito nenhum ter vergonha. É um clube que paga em dia, o CT é bom, não pode se envergonhar. Já subiu uma vez, vai subir de novo. O que precisa é montar um elenco com perfil de Série B. Gostei muito do clube, gostaria de ter ficado e ajudado mais, mas não houve o convite. É claro que queria ter mantido onde encontrei”, afirmou.
Toninho foi dispensado ao lado de outros 13 jogadores. O nome de Paulo Baier foi o que o surpreendeu mais. Gallato, Cortez e Serginho também chamaram sua atenção. O treinador evitou falar em mágoas e ressentimentos, mas não escondeu sua decepção com as escolhas do novo diretor de futebol e aproveitou para enaltecer o experiente meio-campista.
“Sei que houve uma troca de comando do Departamento de Futebol. Era o Cláudio e passou a ser o Raimundo Queiróz bem na época das dispensas. Foi ele quem optou por isso, inclusive pela minha saída. Ele tem um nome importante. Se eu fosse ele, teria esperado por respeito aos jogadores, que estavam trabalhando, suando pelo clube. Não sei se foi falta de respeito, é complicado, mas o Paulo tem uma história bonita, uma carreira bonita, vai conseguir alçar bons voos ainda”.
De volta ao batente – Sem clube desde sua dispensa, Toninho Cecílio quer voltar a trabalhar “o mais rápido possível” e, por isso, projeta assumir alguma equipe no mês de dezembro, já de olho nos campeonatos estaduais. Ele garante que não tem preferência por estado, mas não nega o carinho mais do que espcial que sente pelo Paulistão. O treinador ainda ressalta que não rejeitaria escutar propostas da Série C do Brasileirão.
“Não é que não gostaria de trabalhar na Série C, não é isso. Naquela época (antes de ser contratado pelo Criciúma), queria esperar um pouco, queria tentar permanecer entre A e B, como vinha trabalhando, mas existem ótimos clubes na terceira divisão. De lá para cá, acho que nada mudou. Fui para o Criciúma para um trabalho de tiro curto, agora espero convite para outro lugar. Quero voltar a trabalhar o quanto antes. Não gosto de ficar parado. Não tenho preferência pelos estaduais, é claro que São Paulo é sempre importante, é onde estou acostumado. Em 2010, fui semifinalista com o Grêmio Prudente e em 2008 fui campeão com o Palmeiras como dirigente. O que quero é um lugar sério, que cumpra com o planejado”, finalizou.