A situação da violência na cidade do Rio de Janeiro vive seu ápice nos dias atuais com a guerra contra o crime, mas causa preocupação já há algum tempo no governo brasileiro. Pelo menos é o que afirmou a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, em documento revelado pelo website Wikileaks, de publicação de documentos confidenciais, que diz que o país tem sérios temores a ataques terroristas durante a Olimpíada de 2016 na capital carioca.
A informação é do jornal Folha de S. Paulo, que afirma que a informação consta de um telegrama emitido de forma confidencial em dezembro de 2009 pela ministra-conselheira da embaixada dos EUA, Lisa Kubiske. Apesar de relatar o medo dos brasileiros aos ataques, a conselheira contou que a Olimpíada no Brasil representa boas oportunidades comerciais.
De acordo com a publicação ao qual o jornal teve acesso, uma diplomata brasileira teria admitido o temor de problemas relacionados à segurança contra possíveis atentados – Vera Alvarez, chefe de Coordenação Geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do Itamaraty.
“Ela admitiu que terroristas podem atingir o Brasil por causa da Olimpíada, uma declaração pouco usual de um governo que oficialmente acredita que não exista terrorismo no Brasil”, relatou Kubiske, no documento publicado pela Wikileaks, afirmando que o país ainda não havia se mexido para mudar a atual situação – o que faria os EUA entrar em ação.
“Já existem oportunidades para o governo dos Estados Unidos buscar a cooperação a respeito da Olimpíada e usar essa cooperação para ampliar seus objetivos no Brasil. Mas o risco é que governo relaxe após a vitória e não planeje a situação por deixar os detalhes de lado”, conta o telegrama.
Wikileaks saiu do ar e é investigado pelos EUA – O documento citado foi publicado no website Wikileaks, que hospeda milhares de documentos confidenciais que contém revelações bombásticas sobre diversas áreas da política e sociedade de vários países do mundo.
O site foi criado pelo australiano Julian Assange e hospedado no portal Amazon.com, tendo sido derrubado nesta quarta-feira pelo governo norte-americano por conta dos documentos publicados. Horas mais tarde, ele foi recolocado no ar segurado por um portal sueco.
Dentre outras revelações, o site traz uma ofensa dos Estados Unidos à Rússia, afirmando que o país do Leste Europeu é um “Estado de Mafiosos”, o que gerou um mal-estar entre os dois países que já guerrearam nos anos 1990, e logo após o atual presidente norte-americano Barack Obama tentar reestabelecer uma boa relação com o ex-rival político.
Mantenedor do site é considerado foragido por estupro – Assange, por sua vez, também tem problemas coma justiça mundial: ele está sendo procurado em toda a Europa sob a acusação de estupro por duas mulheres, que o denunciaram na justiça da Suécia. O dono do Wikileaks negou veementemente quaisquer acusações e alega sofrer uma campanha difamatória e perseguição política por parte da Suécia.
A imprensa inglesa afirma que Assange chegou a ser detido no Reino Unido. No entanto, um erro de redação no mandado de prisão emitido pela Suécia ocasionou a sua liberação. O advogado dele, Mark Stephens, afirma que ele realmente está no país, e que o seu paradeiro é sabido pelos serviços de segurança locais.