O presidente Andrés Sanchez e o ex-vice-presidente Nesi Curi, que seguiu Alberto Dualib e renunciou ao quadro de sócios do Corinthians para evitar uma vexatória expulsão, são os padrinhos da carreira do atacante Jô, atualmente no Manchester City, da Inglaterra, e na seleção brasileira. É o próprio jogador quem reconhece a importância da dupla para a sua carreira.
De chinelos de dedo e com o uniforme de treino da seleção brasileira, Jô está no Rio de Janeiro para defender o país contra a Colômbia nesta quarta-feira, no Maracanã. Aos 21 anos, ele já é um dos atletas mais assediados entre os convocados pelo técnico Dunga. “Quero falar com o Jô. Cadê ele?”, perguntava aos gritos um rapaz, desesperado, diante do hotel onde a equipe se concentrou.
Espontaneamente, Jô condicionou o sucesso de sua trajetória, ao conceder entrevista no saguão do prédio: “Devo muito ao Andrés Sanchez, que hoje é presidente e foi fundamental para a minha subida aos profissionais do Corinthians. O Nesi Curi também me ajudou muito. Sou grato a eles dois”.
Recentemente, o atacante revelado no Parque São Jorge se transferiu do russo CSKA ao Manchester City por cerca de R$ 57 milhões. A negociação garantiria aproximadamente R$ 5,7 milhões ao Corinthians – se Andrés Sanchez não tivesse vendido os 10% dos direitos econômicos que cabiam ao clube brasileiro para o empresário Giuliano Bertolucci, ligado ao ex-representante da MSI Kia Joorabchian.
Em entrevista concedida à GE.Net em setembro, Carla Dualib, neta do ex-presidente Alberto Dualib e antiga responsável pelo marketing do Corinthians, reafirmou que a MSI tentou comprar seu apoio à parceria estabelecida com o clube através da cessão dos direitos econômicos de Jô. Ao comentar o lucro obtido por Giuliano Bertolucci com o jogador, ela reagiu: “Curioso, né? Muito bonita essa história. Na hora em que eu soube, falei: ‘Nooooossa, cara’. Para quem está por dentro da situação, tudo fica muito claro”.
Antigo aliado de Nesi Curi no departamento amador do Corinthians, Andrés Sanchez se irritou com as críticas que recebeu à época da transferência de Jô. Hoje, conta com a gratidão do atacante do Manchester City, mesma equipe dos também brasileiros Elano e Robinho.
Do atual elenco do Corinthians, poucos são os jogadores com quem Jô se relaciona. “Só falo com o Júlio César, que é goleiro reserva, e com o Fabinho, que saiu do clube e voltou agora”, disse o atacante, satisfeito pelos resultados obtidos durante a gestão de Andrés Sanchez. “Fiquei muito triste quando o Corinthians caiu para a Série B, mas agora estou feliz por saber que o clube está se reestruturando.”
O técnico Dunga deverá escalar Jô como titular da seleção brasileira contra a Colômbia. Adriano está suspenso, e Alexandre Pato sequer foi reserva na goleada por 4 a 0 sobre a Venezuela, na rodada passada das Eliminatórias para a Copa do Mundo.