O presidente do Flamengo, Márcio Braga, já mostrou nesta quinta-feira toda a sua indignação com a possibilidade do time ter de jogar pela Taça Libertadores da América, mais uma vez, em cidades com altitude acima do permitido pela Fifa (2.750 metros acima do mar) – isso acontecerá se o Cienciano, de Cuzco (Peru), a quase 3.000 metros, passar pela fase preliminar da competição.
O dirigente flamenguista declarou que a equipe não vai jogar nessas localidades e fará valer a determinação da Fifa. Outros clubes brasileiros na Libertadores, ao contrário do Flamengo, não mostram preocupação com o fato.
Em situação até pior que o time rubro-negro, o Santos terá de ir até a cidade de Oruro, na Bolívia, para enfrentar o San José. O local fica a 3.700 metros acima do mar. “Temos que seguir a norma da Fifa. Se ela determinar que não pode jogar, não jogaremos. Se determinar que sim, vamos jogar. Aí vamos comprar balões de oxigênio (para os jogadores) e jogar”, disse Luís Antonio Ruas Capella, diretor de futebol do Peixe.
A situação do São Paulo é um pouco melhor que o rival, já que terá de encarar “apenas” 2.820 metros de altitude caso o Chicó, da Colômbia, passe pelo Audax Italiano (Chile) na fase preliminar. Assim como o Santos, a diretoria são-paulina quer cumprir o regulamento da competição.
“O São Paulo cumpre a lei. Só isso. Nós seguimos o que a Confederação Sul-americana de Futebol determina. Lei é lei. Não tem choro. Se quer discutir algo, manda carta, qualquer coisa”, afirmou Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol. “Claro que é ruim para os jogadores, mas se o regulamento manda…”.
Ainda em Assunção, onde acompanhou na quarta o sorteio dos grupos da Libertadores, o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, se preocupou mais em ironizar a LDU, time de Quito, do que a altitude de 2.800 metros da capital equatoriana. “Sou médico do Ricardo Teixeira há 38 anos e o planejamento da CBF sempre foi feito comigo. Esse não será um problema. E não dá para comparar o futebol equatoriano ao brasileiro”, contou.
Quem terá mais problemas com a altitude será o Cruzeiro, caso consiga a classificação na fase preliminar contra o Cerro Porteño, do Paraguai. O vencedor jogará no Grupo 1, composto por San Lorenzo (Argentina), Caracas (Venezuela) e Real Potosí (Bolívia), este último situado na cidade de Potosí, a 4.000 metros de altitude.