O clássico deste domingo, às 16h, no Morumbi, coloca duas potências do futebol paulista em lados opostos pela 278ª vez na história. Apesar de, superficialmente, parecer apenas um simples confronto entre São Paulo e Palmeiras válido pela terceira rodada do longo Campeonato Brasileiro, muito mais do que apenas três pontos estarão em jogo.
Em momentos diferentes, as duas equipes precisam da vitória como auto-afirmação. O São Paulo investiu alto, formou um elenco de luxo pensando em vencer muitas competições ao mesmo tempo, mas acabou eliminado do Paulistão e da Libertadores criando uma enorme desconfiança na torcida e insatisfação na diretoria.
Bem menos pressionado, o Palmeiras vem doutrinando seus seguidores e pregando paciência. Mesmo sem grandes contratações e com um elenco limitado em algumas posições, o time recebeu aplausos nesta temporada até quando foi eliminado da Copa do Brasil e quando ficou fora das semifinais do Paulistão atrás de times como Bragantino e São Caetano.
Mesmo evitando falar abertamente em favoritismo para o clássico, a verdade é que o Palmeiras sabe perfeitamente que seu momento emocional é melhor do que o vivido pelo rival do Morumbi. E espera tirar proveito disso para somar sua terceira vitória e continuar 100% no Brasileirão. “O São Paulo é o atual campeão brasileiro e está com apenas uma vitória a menos que a gente. É relativo falar que o São Paulo não está em boa fase. Vou dar o exemplo do Corinthians, que em duas rodadas saiu do inferno para o céu”, comentou Caio Júnior, técnico do Alviverde.
O treinador deve ter o time completo à sua disposição. Apeasr do fim do imbróglio judicial envolvendo o volante Pierre e o Ituano, a direção do clube não garante a condição do atleta. Se ele não jogar, Francis, que atuou na vitória sobre o Figueirense no último domingo, será o substituto. A manutenção da equipe que vem invicta no torneio é motivo de alegria para o comandante palmeirense, que sonha em alcançar o mesmo estágio do rival no quesito peças de reposição.
“O São Paulo tem no elenco a sua principal força, enquanto nós ainda estamos em formação e vamos demorar um tempo para chegar ao mesmo nível. O que eu vejo é que estamos cada vez mais fortes e cada vez mais prontos como equipe”, afirma Caio Júnior.
No São Paulo, a sensação é parecida. Durante a semana, ninguém quis admitir que o time tricolor, no papel, é superior ao do adversário. “Acho que as duas equipes têm um plantel bem parecido. O Palmeiras, dentro das suas condições, também procurou contratar peças para esta temporada”, afirmou o volante Josué.
O volante, no entanto, confessou estar sentindo a pressão por bons resultados. “Quando um time vence muitos campeonatos, sempre gera uma cobrança maior nos anos seguintes. Até nós jogadores nos acostumamos mal com os bons resultados”, disse o jogador, estranhando a fase ruim.
Muricy Ramalho só não poderá contar com o centroavante Aloísio, que vem ficando no banco de reservas neste Brasileirão. O time das duas rodadas iniciais deve ser repetido com três zagueiros para proteger Rogério Ceni. Borges e Dagoberto serão os atacantes.
SÃO PAULO X PALMEIRAS
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data: 27 de maio de 2005, domingo
Horário: 16 horas
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (Fifa-SP)
Assistentes: Valter José dos Reis (Fifa-SP) e Nilson de Souza Monção (SP)
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Alex Silva, Miranda e André Dias; Ilsinho, Josué, Hernanes, Hugo e Jorge Wagner; Dagoberto e Borges. Técnico: Muricy Ramalho
PALMEIRAS: Diego Cavalieri; Paulo Sérgio, David, Dininho e Leandro; Pierre (Francis), Martinez, Michael e Valdívia; Edmundo e Florentín. Técnico: Caio Júnior