Enquanto Muricy Ramalho aproveitou a manhã desta terça-feira para dar uma palestra no Sindicato dos Treinadores de Futebol, o elenco fez um trabalho físico sob forte chuva. Às 16h, o treinador comanda o treino tático normalmente. Na ausência do técnico, coube aos jogadores a tarefa de falar sobre o momento difícil da equipe, que, apesar de ter um dos melhores elencos do Brasil, não está conseguindo bons resultados nesta temporada.
“Você pode ter vários jogadores bons, mas, se não encaixar em campo, não adianta. Estamos procurando nos acertar. Até que provem o contrário não vejo crise aqui e muito menos o grupo rachado”, afirmou o zagueiro André Dias.
Com vários jogadores qualificados à disposição, Muricy Ramalho tem encontrado dificuldades para definir os 11 titulares. Logo após a eliminação na Libertadores, o diretor de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva chegou a dizer que talvez o São Paulo não tenha conseguido formar um grande time exatamente por ter muitas opções para cada posição.
Um bom exemplo é o caso de Borges. Em seu segundo jogo como titular, o atacante, que havia pedido uma seqüência para mostrar futebol, acabou sacado no intervalo da partida contra o Náutico. O campo pesado dos Aflitos seria mais apropriado para Aloísio no entender da comissão técnica.
“Neste momento posso garantir que todos se respeitam. Talvez daqui a seis meses o grupo possa rachar, não sei. Eu mesmo sou um exemplo do bom relacionamento do grupo. Estava fora do time e não amoleci. Até nós, que estamos jogando atualmente, ficamos chateados ao ver Aloísio, Leandro e Souza no banco. Gostaríamos que todos estivessem rendendo o máximo”, analisou André Dias.
Segundo o lateral Ilsinho, a situação não é tão crítica. Para ele, o São Paulo tem tudo para voltar a vencer já no clássico de domingo, contra o Palmeiras, e iniciar uma arrancada rumo ao bicampeonato. “Crise para mim é um momento ruim que dura muito tempo. Não é o nosso caso. Crise surge quando não se ganha, quando tudo dá errado e os jogadores brigam. Temos muitos bons jogadores, mas todos se respeitam aqui”, declarou o são-paulino.