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Futebol

Santistas vão às urnas para decidir futuro do clube

Arquivo Geral

08/12/2007 0h00

Marcelo Teixeira e Paulo Schiff se enfrentarão pela segunda vez consecutiva em uma eleição presidencial do Santos, que neste sábado acontecerá das 10 às 18 horas no Salão de Mármore Vasco José Faé, na Vila Belmiro. Novamente, o favoritismo é da situação, vitoriosa com 63% dos votos no pleito anterior.

No cargo desde 2000, além de comandar o Santos também no biênio 1992/93, o administrador de empresas e advogado Marcelo Teixeira ainda conta com o apoio das cúpulas da Federação Paulista de Futebol (FPF) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com a qual está cada vez mais alinhado.

Até o técnico Wanderley Luxemburgo, na semana passada, fez campanha a favor do atual presidente. Disse que deixará o clube caso a reeleição não se confirme, para protestos de Paulo Schiff. O adversário de Teixeira também possui dupla formação: é engenheiro e jornalista.

Procurado para falar sobre Luxemburgo, Schiff classificou o discurso do treinador como incoerente. “Em um programa aqui da Baixada, ele disse que não seria cabo eleitoral de ninguém”, contestou. O candidato da oposição ainda aproveitou para criticar os altos salários que o técnico recebe do Santos e sua “perda de foco” com os projetos paralelos de consultoria ao Joinville e do Instituto Wanderley Luxemburgo do Futebol.

O programa citado por Schiff foi transmitido pela emissora de propriedade da família de Teixeira, mesa de debates em que ambos os candidatos estiveram durante a campanha. Diante de fervorosos adeptos de seu adversário, o jornalista defendeu as principais críticas da oposição, formada pela Associação Resgate Santista, da qual é integrante, e por um grupo de dissidentes da atual gestão.

Entre os problemas apontados pela aliança, está o “continuísmo”, que, segundo Schiff, prejudicou o Palmeiras de Mustafá Contursi e, mais recentemente, o Corinthians de Alberto Dualib. A oposição critica duramente a mudança estatutária pela qual o Santos passou em 2003. A partir de então, abriu-se a possibilidade de reeleições ininterruptas para o cargo de presidente e estipularam-se duas passagens pelo Conselho Deliberativo como requisito para candidatura.

A alteração do estatuto, contudo, tirou pelo menos um voto certo para Teixeira. Agora, só é concedido esse direito aos associados do clube por mais de três anos. Wanderley Luxemburgo, que se tornou o sócio número 20 mil em 2007, não poderá participar do pleito.

Também por outro lado, Teixeira defende a “continuidade” dos projetos de sua administração, que aumentou sensivelmente o patrimônio do clube. Não por acaso a sua chapa recebe o nome de “Rumo Certo”. “É preciso dar seqüência ao excelente trabalho que o nosso grupo vem desenvolvendo no Santos”, discursou o presidente, que rebateu os protestos de quem o acusa de se perpetuar no poder. “Existem pessoas que não se conformam com o resultado das eleições, o que é lamentável.”

Mais um ponto divergente entre Schiff e Teixeira é o marketing. A situação investiu em estratégias inovadoras no último mandato, como a criação dos mascotes Baleinha e Baleião e a ampla divulgação dos Meninos e Meninas da Vila nos mais diversos eventos. A oposição, porém, cobra que o Santos resgate ainda mais o seu passado glorioso.

Schiff, por exemplo, pretende fazer de Pelé presidente de honra do clube. “Qualquer clube do mundo exploraria a marca do maior jogador de futebol de todos os tempos”, argumentou. Ao ouvir de um apoiador da oposição que o Santos não valoriza sua história, justamente durante evento com o patrocinador do time, Teixeira se exaltou. Lembrou do sucesso do Memorial das Conquistas e, na presença de Pepe, Mengálvio e Dorval, mostrou orgulho por ter acabado com uma famosa gozação direcionada aos santistas: “viúvas de Pelé”.

A chapa “Santos Eterno”, cujo slogan protesta contra um “presidente eterno”, reconhece as conquistas da gestão de Marcelo Teixeira. “É verdade que esse foi o melhor período do Santos pós-Pelé”, elogia Schiff, que ainda se diz amigo do atual presidente.

Seja qual for a preferência dos santistas, neste sábado a preocupação dos torcedores é com o futuro do clube. Estarão em jogo, a curto prazo, a permanência de Wanderley Luxemburgo, de diversos atletas com contrato para vencer, de um modelo de gestão implantado há sete anos e, por conseguinte, o sucesso da equipe na próxima temporada.

Para votar, é necessário que o associado do clube por mais de três anos seja também maior de idade e esteja com suas mensalidades em dia. O eleitor deverá apresentar a sua carteira social ou cédula de identidade e assinar os livros de presença e de votação.

A mesa diretiva será composta por Luis Carlos Gomes Godoi, tendo como vice-presidente Ricardo Verta Luduvice, como 1º secretário Sérgio Ricardo Lousada Paulo (represente da chapa 2, “Rumo Certo”, encabeçada por Marcelo Teixeira e pelo advogado Norberto Moreira da Silva) e como 2º secretário Celso Gioia (representante da chapa 1, “Santos Eterno”, de Paulo Schiff e do diretor de vendas aposentado José Antonio dos Santos).

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