Há um ditado que prega que “a arte imita a vida”. Parafraseando, pode-se dizer que um esporte imita o outro. Neste caso, é o futebol simulando uma luta de MMA. Dentro do “octógono” de Stamford Bridge, em Londres, o escrete canarinho esteve a ponto de ser nocauteado pela Rússia, até que no momento final conseguiu uma reviravolta. Ontem, um empate sem grande atuação, mas que evitou uma derrota que colocaria uma pressão extra no escrete canarinho.
O ringue logo esquentou. E não foram as investidas dos compatriotas da lenda do MMA Fedor Emelianenko ao gol de Júlio César. Foi Neymar quem apareceu dando cotovelada em Anyukov ao proteger a bola. Sem querer, segundo ele, mas deu o tom de um jogo que seria bastante pegado. De parte a parte, os jogadores distribuíram algumas bordoadas dignas de uma luta.
No quesito knockdowns (situações de gol), foram os russos quem mais aplicaram. E não fosse um esforço enorme dos brasileiros em se jogarem à frente da bola, até um nocaute seria bastante possível no primeiro tempo. Hernanes, por exemplo, se atirou para evitar um gol certo de Vitali Berezutski.
Foi de lá
O domínio era total da Rússia. Mesmo quando não atacava com veemência, controlava o Brasil. O time comandado por Luiz Felipe Scolari se via acuado nas grades. Até que um contra-ataque abriu um corte na seleção. Os russos fizeram a montada e aplicaram o ground and pound. Após muito baterem, fizeram o gol, com Fayzulin.
A fatura parecia liquidada, até que um golpe inesperado surtiu efeito. Hulk substituiu Kaká e colocou fogo no jogo. Foi ele quem tirou o “coelho da cartola”. Descobriu Marcelo, que rolou para Fred só escorar para o gol. Um gol de efeito e que salvou o Brasil do nocaute, mas que não colaborou para o cartel do time verde e amarelo.
Boa chance de se mostrar
O lateral-esquerdo Marcelo saiu de Londres com a certeza de que agradou ao técnico Luiz Felipe Scolari. Ele teve grande atuação no empate com a Rússia, deu o passe para o gol salvador de Fred e está confiante em ter garantido um lugar no grupo que vai disputar a Copa das Confederações. O lateral-esquerdo do Real Madrid ficou muito feliz com sua atuação, mas entende que o mais importante foi o comportamento da seleção quando estava em desvantagem.
“O importante foi que não nos desesperamos com o gol deles e isso foi fundamental para buscar o empate. No final poderíamos até ter vencido”, disse o jogador na zona mista do Estádio Stamford Bridge, realizada com frio intenso a céu aberto, na beira do gramado.