O confronto entre as torcidas organizadas de Vasco e Corinthians no último domingo, seguranças do estádio Mané Garrincha e a Polícia Militar fez com que toda a operação de segurança, que vinha sendo feita de forma mais amistosa, seja modificada com urgência.
Segundo o comandante-geral da PMDF, coronel Jooziel de Melo, as torcidas organizadas serão escoltadas até o estádio e assistirão aos jogos confinados. “O nosso estádio é projetado dentro do contexto democrático, de festa. Existem torcidas que sentam e assistem ao jogo sem problema nenhum. Mas, infelizmente, torcidas com essas características de violência vão ter que ficar confinadas”, afirmou.
Para delimitar o espaço das torcidas organizadas, a PM vai fazer um cordão de isolamento ao redor, assim como ocorreu na partida de estreia do Brasileiro, no duelo entre Santos x Flamengo, em 14 de julho – o jogo ainda era evento-teste para a Copa das Confederações.
A briga entre as torcidas de Corinthians e Vasco ocorreu justamente na primeira vez em que a torcida mista foi liberada também no anel superior, onde normalmente se concentram as organizadas. Um comunicado feito pela PMDF diz que as torcidas descumpriram o Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Distrito Federal.
Contradição
Quatro integrantes da torcida organizada do Corinthians foram detidos e encaminhados para a 5ª Delegacia de Polícia, mas já liberados por falta de provas de que eles estavam brigando. “Tivemos, de maneira geral, três policiais feridos e dez atendimentos médicos feitos pelos bombeiros a pessoas que passaram mal, hipertensas”, revelou coronel Jooziel. Entretanto, ele contradiz a nota enviada pela Polícia Militar. Esta garante que foram atendidos dois torcedores e um policial militar, feridos sem gravidade. O Ministério Público informou que houve desrespeito ao Estatuto do Torcedor e que os agressores serão punidos como merecerem.
STJD pode punir Vasco e Corinthians
Vasco e Corinthians, cujas torcidas se envolveram em confusão no estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, domingo, podem reinaugurar no Brasileiro deste ano os jogos em estádios com portões fechados. A medida é defendida por Flávio Zveiter e Paulo Schmitt, presidente e procurador do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), respectivamente, que estudam maneiras de sugerir a inclusão da pena no Código Brasileiro de Justiça Desportiva para punir os clubes por brigas e outros incidentes.
A pena de jogar com portões fechados era aplicada com frequência no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, mas foi extinta na mais recente versão do CBJD, de dezembro de 2009. Zveiter e Schmitt não descartam sugerir ao Ministério do Esporte que a punição possa ser adotada, em caráter emergencial.
Vasco e Corinthians vão ser denunciados, até o fim da semana, com base no artigo 213 do CBJD, que prevê pena de perda de um a dez mandos, além de multa, que pode variar de R$ 100 a R$ 100 mil.