O Brasil está a pouco menos de seis anos de hospedar novamente uma Copa do Mundo. Escolhido como país-sede do Mundial de 2014, o país já começa a especular quais serão as cidades e os estádios apontados para as partidas do torneio, assistindo a uma disputa de políticos e dirigentes nos bastidores para garantir seus lugares no evento.
No entanto, a situação das arenas que se candidataram à Copa não é nada favorável. Segundo estudo do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os 27 estádios pretendidos e analisados para a competição, em 17 cidades, ainda não têm condições de receber as partidas de 2014.
O cenário, entretanto, ainda não incomoda a CBF. Presente a um evento em São Paulo na manhã desta sexta-feira, o presidente Ricardo Teixeira se mostrou tranqüilo com os prazos dados pela Fifa para que o país regularize sua situação. Segundo o dirigente, todas as postulantes a cidades-sede têm condições e tempo de sobra para concluir as obras necessárias em suas infra-estruturas.
“As 12 cidades não têm estádios, e isso é muito grave. Mas neste tempo, as cidades terão que ter os estádios. Isso não nos surpreende. Nenhum país tinha os estádios prontos a sete anos da Copa – nem mesmo a Alemanha”, afirmou Teixeira, rebatendo qualquer descrédito dos dirigentes europeus a respeito da capacidade organizacional dos brasileiros.
“Que eu me lembre, na Copa da Argentina (1978), o problema foi o governo militar. Depois, na Espanha (1982), a ameaça foi o ETA. No México (1986), foi o terremoto. Por aí vai. No continente europeu, sempre haverá uma descrença. Mas nunca li uma linha que diga que o Brasil não vai ser capaz de organizar uma Copa do Mundo”, assegurou.
O presidente da CBF, entretanto, reconheceu que o Brasil ainda tem problemas a resolver em áreas como comunicações, hotelaria, transportes e atendimento hospitalar. A postura foi a mesma adotada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp e anfitrião do encontro em São Paulo, que vê a Copa do Mundo de 2014 como uma oportunidade para que o país se mobilize em torno de questões sociais.
“Com ou sem Copa, já temos um grande problema com os aeroportos. Por isso, essa é uma grande oportunidade para resolvermos um grande problema”, explicou Skaf, que pretendo “aproximar o empresariado” do poder público para viabilizar a reforma estrutural do país. “Nós todos queremos que dê tudo certo, e por isso a sociedade está envolvida. Por isso, a Fiesp está à disposição de tudo que for demandado”, completou, em tom de promessa.