A revista France Football divulgou, nesta terça-feira (29), uma extensa matéria sobre a corrupção que levou o Catar a se tornar sede da Copa do Mundo de 2022. A publicação levanta acusações sobre uma possível compra de votos nos bastidores da Fifa e envolve personalidades do futebol mundial como Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, Michel Platini, ex-ídolo da Seleção Francesa e atual presidente da UEFA, e até mesmo o ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy.
A matéria, que recebe o título ‘Le Qatargate’, em alusão ao escândalo político de ‘Watergate’, que assolou os Estados Unidos na década de 1970, cita uma série de favorecimentos aos dirigentes que teriam o poder de decidir a sede do Mundial de 2022. Os Estados Unidos, Japão e Austrália também concorriam ao direito de abrigar o campeonato e o próprio presidente Joseph Blatter teria se espantado com a força obtida pelo Catar nos bastidores.
A publicação destaca que Ricardo Teixeira, à época presidente da CBF, e Julio Grondona, atual mandatário da AFA (Federação Argentina de Futebol), foram influenciados a eleger o Catar depois de o governo do país disponibilizar R$ 14 milhões para um amistoso entre as seleções sul-americanas ser disputado em Doha, capital catariana. O clássico era parte de uma série de benefícios que os dois dirigentes teriam se optassem por abrir mão de suas antigas escolhas.
Já o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, teria se envolvido no esquema após convencer o presidente da Uefa, Michel Platini, a eleger o país do Oriente Médio. O voto do mandatário abriria caminho para os milionários xeques catarianos investirem no futebol francês, assim como aconteceu com o Paris Saint-Germain, adquirido por um fundo de investimentos local e hoje apontado como uma das principais potências da Europa.
Outros nomes de impacto citados pela revista são os de Nicolas Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), e Sandro Rosell, presidente do Barcelona. A publicação, porém, não traz nenhuma prova concreta do caso e afirma apenas que todos os envolvidos receberam algum tipo de compensação pelas escolhas feitas no pleito.